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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011, 08h:36 - A | A

JOSÉ MARCONDES (MUVUCA)

"A máfia de Pedro Taques"

JOSÉ MARCONDES (MUVUCA)

Esta não é uma história comum. Mas de um cidadão que se apresentou à sociedade mato-grossense como um vestal, enganando aqueles que caem em suas meias-verdades e fazendo dessa enganação um meio de vida consoante com sua busca pelo poder. 

O que se pretende aqui, não é nada mais que arrancar a máscara daquele que, por trás dela, se esconde como um mero aproveitador, ambicioso, de olho em oportunidades de se dar bem, indiferente aos desígneos e desejos do povo, embora finja estar em sua defesa.

Pedro Taques era um Procurador da República - até aí todo mundo sabe, função que abandonou rumo sua escalada ao poder. Venceu a primeira eleição que disputou, ao Senado, condição que o colocou como um dos principais líderes políticos do estado. Mas embaixo da camada expessa de quixotismo, esconde-se uma capa com indeléveis cicatrizes morais.

As ações de sua lavra, que acabaram catapultando-o ao estrelato midiático, como as sentenças desfavoráveis a reconhecidos criminosos no estado, como João Arcanjo Ribeiro, foram fruto de coragem e destemor, para alguns, mas apenas sua relês obrigação, para outros. 

Obrigações de um servidor público que fora muito bem remunerado, escalado e escoltado para tal. Assim não o fizesse, estaria decumprindo suas obrigações funcionais e faltando com o dever, uma vez que estava sendo remunerado com o dinheiro público.

Antes de entrar na política, quando exercia função jurisdicional, Taques tomou algumas atitudes que, aparentemente são bem intencionadas, como embargar obras de hidrovias, por exemplo, por conta de questões supostamente ambientais, como o interposto pelo Tribunal Regional Federal - 1ª Região, às obras da hidrovia Paraguai-Paraná, só para ficar em apenas um caso. 

À primeira vista, parecia sensato, politicamente correto e dentro de uma linha de conduta até certo ponto admirável. Isso quando não se conhece a verdade por trás de tudo.

O que ocorreu nesse ínterim, porém, e será desmistificado nas próximas linhas, é que existiram interesses não confessos nessas ações. Por trás das 'boas intenções' do senhor Pedro Taques, escondia-se a proteção de uma das maiores máfias de Mato Grosso, a dos combustíveis.

Sabe-se que Mato Grosso é um estado de proporções continentais, rico em produção primária e eminentemente agro-exportador. Dicotomicamente, porém, tem um dos combustíveis mais caros do país. Por conseguinte, o escoamento de sua safra se dá, via de regra, pelo modal rodoviário. 

Os outros meios de transporte em nosso estado ficou relegado aos corriqueiros embargos que travaram sua efetiva implantação e uso.

Em janeiro de 2001, Pedro Taques embagou uma via navegável em função de mera questão semântica, quando parou as obras da via aquática quando se discutia se aquilo era uma via fluvial ou navegável. 

Dizia ele: "Não interessa o nome que se dê - se hidrovia ou via fluvial navegável" (...) - Discordando do discurso de que a navegação não era impactante por acontecer há mais de 200 anos naquela região, Taques asseverou "Qualquer pessoa sabe que o volume de carga transportado naquela época não é o mesmo de hoje".

Como se pode perceber, àquela época o então procurador já dava sinais de que estava preocupado com a questão do volume de carga transportado, deixando claro sua tênue linha de defesa entre o bem comum ambiental e o bem comum dos vendedores de combustíveis que tinham interesse especial em manter as rodovias como principal escadouro da produção mato-grossense e para isso era preciso solapar qualquer tentativa de realização de obras em outros modais, como o fluvial ou ferroviário.

Sob o manto quase sagrado da questão ambiental, muito se fez para impedir que os modais de transportes fossem diversificados e incrementados no estado. Por trás, estava a máfia dos combustíveis e a banca internacional que se beneficiou desta deficiência que temos em termos de infra-estrutura e, em algumas áreas, se consolidou no comércio externo em detrimento a nossa infinda capacidade de produção, neste caso, comprometida pela falta de alternativas viáveis e que poderiam baratear os custos dela.

O que Mato Grosso perdeu com isso, foi nada menos que a possibilidade de estar hoje demandando muito mais dividendos na balança comercial; Perdemos um estado mais rico, com mais recursos estatais em função dos impostos que o incremento produtivo poderia trazer; Perdemos parte da capacidade competitiva, e, num segundo momento, a possibilidade das pessoas transitarem por vias aquáticas, de forma barata e muito mais segura. Quantas vidas foram ceifadas nessas rodovias da morte?

Perdemos muito com as canetadas de Pedro Taques. Mas ele ganhou, e não só em termos políticos. Pedro Taques encheu as burras de sua campanha com o dinheiro dos vendedores de combustíveis. 

E para pagar seus préstimos, seus maiores investidores foram aqueles que se beneficiaram com os embargos de sua caneta. Para se ter uma idéia, Mato Grosso consumiu no ano de 2010, segundo a ANP, 416.266.000 litros de álcool, e 393.807.000 litros de gasolina. Nada menos que 810.073 milhões de litros de combustíveis. Grande parte desse consumo se deu nas estradas rodoviárias.

Num exercício simples, pode se concluir que, se tivéssemos aqui outros modais, como o ferroviário e hidroviário, certamente muito desses combustíveis deixariam de ser vendidos e consumidos, inclusive dando uma grande contribuição para fatores como diminuição de emissão de gases poluentes e do efeito estufa.

E eles também lhe foram fiéis, os vendedores de combustíveis não abandonaram Pedro Taques. Num levantamento posterior a sua eleição, por exemplo, podemos concluir que o maior quinhão de sua campanha, diga-se, nada modesta, vieram desse setor, fato este comprovado pelas suas declarações dispostas na prestação de contas do TRE.

Por sua vez, Pedro Taques também tratou de retribuir a ajuda financeira na campanha, quando recentemente se enfileirou com aqueles retrógrados defensores do Bus Rapid Transport. Na luta homérica travada em torno do modal de transporte para Cuiabá, quando a decisão entre BRT e VLT estava na efervescência, Pedro Taques se posicionou firmemente contra o povo, defendendo o BRT e tentando melar a soberana opinião popular ancorada em mais de 80% da população que defendia o VLT.

Mas o povo venceu, pelo esforço incontido de uma luta gigante contra todos os lobby's, onde uma plêiade de pessoas sinceramente estavam realmente dispostas a fazer valer um futuro mais próspero em termos de mobilidade urbana na capital mato-grossense. À garra desses homens se somam os esforços da população que saiu às ruas e acabou, felizmente, arrebentando a máfia dos tambolhistas, que hoje, faz do discurso demagógico a marca registrada dos perdedores da causa.

É preciso que se diga de que lado estamos, e Pedro Taques não está do lado do povo como tenta fazer parecer. Em que pese ter conseguido aproximadamente 400 mil votos na baixada cuiabana, vez por outra se coloca contra esse mesmo povo que o elegeu, porque tem na calada de seus gestos, por trás de si, um grupo de mafiosos para defender, antes mesmo do café da manhã, embrulhado na sua consciência tacanha.

E estes mafiosos estão soltos por aí, agindo em bando, hora fazendo pressão, hora detonando seus inimigos públicos. Recentemente esta máfia foi desbaratinada pela polícia, tendo alguns de seus membros presos, acusados de uma série de crimes.

Estes homens e suas fortunas são os grandes financiadores do senhor Pedro Taques. E esta é sua velada máfia.

JOSÉ MARCONDES é jornalista em Mato Grosso

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dirce 02/12/2012

Credooooooooo!!!!!!!!!! Quantos desses não temos Brasil afora...Acoirda BRASI!

Robert 16/03/2012

Não conheço Pedro Taques pessoalmente, mas você cometeu um equívoco, quem mandou parar as obras não foi ele e sim o juiz que deferiu o seu pedido, no mínimo você está sendo leviano.

2 comentários

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