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26 de Novembro de 2013, 09h:19 - A | A

OBRAS DA COPA / ARENA PANTANAL

Futebol americano pode impedir estádio de virar \"elefante Branco\"

O futebol americano é um esporte amador no Brasil

TERRA
DA REDAÇÃO



A ideia pode parecer estranha no país pentacampeão, mas a Arena Pantanal, que corre sério risco de virar um "elefante Branco" depois da Copa do Mundo de 2014, por causa da falta de tradição dos times locais, pode ser palco de partidas de futebol americano.

Sob o sol escaldante de Cuiabá, o tradicional "Hut, Hut" do quarterback ecoa a poucos quilômetros do estádio que receberá quatro jogos da primeira fase do Mundial.

Paixão nacional, o futebol ainda é o esporte número um na capital Mato-Grossense, mas a ausência de times locais nas séries A e B do Brasileirão traz um vazio, preenchido pelo Cuiabá Arsenal, equipe da elite nacional de futebol americano.

Bicampeão brasileiro, com títulos conquistados em 2010 e 2012, o clube fundado em 2006 vem atraindo cada vez mais torcedores.

A média de público do ano passado foi de 2.500 torcedores, número que chegou a 4.000 na decisão, uma afluência turbinada pelas redes sociais. A Arena Pantanal terá uma capacidade mais de dez vezes maior (42.968 lugares), mas isso não impede o técnico Brian Guzmán de sonhar alto.

"Nada mais justo do que nos darmos uma oportunidade de tentar lotar a Arena", afirmou o jovem treinador de 23 anos à AFP.

"Não tenho dúvidas de que, em curto prazo, seremos capazes de encher esse estádio para uma grande partida de futebol americano", disse Maurício Souza Guimarães, secretário estadual responsável pela organização da Copa em Cuiabá, cidade de cerca de 600 mil habitantes.

O futebol americano é um esporte amador no Brasil. Além de não receber salários, os jogadores precisam bancar suas viagens com a equipe durante o campeonato nacional.

"Não tenho esperanças de virar milionário, mas no ano que vem, quem sabe conseguiremos ganhar algum dinheiro", comentou Hatilla Fogo, jogador do time ofensivo do Arsenal.

Sua mulher Jordana não perde um jogo, ou treino. "Quando é preciso ficar até de madrugada para pintar as linhas do campo, também fico", contou a moça, com um sorriso estampado no rosto.

"A paixão é fundamental, porque os jogadores fazem muitos sacrifícios físicos e econômicos", explicou o técnico Guzmán.

Esse é o caso de Hatilla. Ele trabalha em um centro de raio X e, muitas vezes, falta a treinos por conta dos turnos noturnos no seu emprego. Já o capitão Igor Mota é personal trainer em uma academia.

O presidente do clube, Orlando Ferreira, que também narras as partidas no estádio, aposta na profissionalização do esporte. Para isso, ele espera ganhar mais espaço na mídia. "Enquanto não conseguimos tornar o futebol americano do Brasil um produto para a televisão, não teremos acesso a grandes patrocínios", analisa o dirigente.

Enquanto muitos jovens brasileiros sonham com jogar futebol em um grande clube europeu, os jovens do Arsenal de Cuiabá têm como grande meta atuar nos Estados Unidos.

O clube já levou oito dos seus jogadores para campeonatos universitários americanos. O próprio Igor Mota jogou durante um ano em uma pequena liga nos EUA. Aos 30 anos, porém, ele já descarta a possibilidade de fazer carreira como jogador. "Talvez como treinador", sonha.

Embora seja difícil encontrar jovens que dominam as complicadas regras do esporte, o clube diz não procurar "jogadores prontos" e está disposto a acolher curiosos.

"Se identificarmos um bom atleta, seremos capazes de transformá-lo em um bom jogador de futebol americano", completa o treinador.

O filho de Hatilla Fogo, João, de apenas seis anos, já tem uma ideia clara na cabeça. Quando chegar aos 15, pretende deixar Cuiabá para jogar futebol americano nos Estados Unidos.

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