CELLY SILVA
DA REPORTAGEM
A juíza Selma Rosane Santos Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, continua, na tarde desta terça-feira (20), a ouvir as testemunhas arroladas pelo Ministério Público Estadual (MPE) na ação referente à Operação Seven, deflagrada em 1º de fevereiro deste ano, pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que investiga fraudes na compra de um terreno na região do lago de Manso que, segundo a denúncia, já era de propriedade do Estado.
São réus nesta ação penal Silval Barbosa, o ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf, o ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) Afonso Dalberto, o ex-secretário-adjunto de Administração José de Jesus Nunes Cordeiro, o médico Filinto Correa da Costa, os servidores da Sema Francisval Akerley da Costa, Cláudio Takayuki Shida, Wilson Gamboji Pinheiro Taques, o ex-procurador-geral do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho e o ex-secretário de Estado de Planejamento Arnaldo Alves de Souza Neto.
O primeiro a prestar esclarecimentos é o biólogo e coordenador de Unidades de Conservação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Alexandre Batistella, que, de acordo com os advogados de defesas dos réus, é o verdadeiro autor de um relatório de auditoria realizado pela Controladoria Geral do Estado, em julho de 2015, e que deu início às investigações.
Na semana passada, quando o auditor Pierre Monteiro prestou esclarecimentos sobre a auditoria assinada por ele, os advogados chegaram à conclusão de que ele teria praticado falsidade ideológica ao entender que a maior parte dos levantamentos haviam sido feitos por Alexandre Batistela, em uma perícia feita em conjunto com o servidor Celso de Arruda, a pedido do Gaeco.
Segundo Alexandre, o terreno de matrícula 1062, que foi adquirida pelo Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) do médico Filinto Correa da Costa, não poderia ser comprado, à época, porque não estava somente no nome de Filinto, mas também no nome da esposa dele. E também porque um estudo realizado pela empresa Cepemar Serviços de Consultoria Ambiental, em 1999, apontou que a área não era passível de ser transformada em parque ambiental pois não servia para a finalidade de conservação das nascentes do rio Cuiabá. Esse estudo também apontou que a estação ecológica poderia ter até 190 mil hectares, mas o Estado escolheu instalar em apenas 10 mil hectares.
A cada pergunta feita pelos advogados dos réus, Alexandre Batistela tenta responder da forma mais técnica possível, mas é frequentemente interrompido pelos advogados no meio da sua explanação. Para evitar o desgaste, a juíza é obrigada a pedir que os mesmos tenham "educação" e ouçam a testemunha até que ela finalize sua linha de pensamento.
A defesa do réu Wilson Gamboji Taques Pinheiro apresentou à juíza Selma Arruda uma retificação em cartório que demonstra que os documentos onde constavam o terreno de matrícula 1062, na verdade, trata-se da área de registro 1063, ou seja, o terreno 1062 não foi comprado em duplicidade pelo Estado. Mas o coordenador da Sema afirma que, de qualquer forma, o imóvel não atende ao propósito de estação ecológica de preservação das cabeceiras do rio Cuiabá.
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