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21 de Junho de 2024, 18h:00 - A | A

GERAL / SEM ACORDO

Professores da UFMT rejeitam proposta de Lula e mantêm greve

Em assembleia geral realizada nesta sexta, os docentes eliminaram qualquer hipótese de saída da greve.

Reprodução

Com propostas não atendidas pelo governo federal, os professores acreditam que não dá para “nadar e morrer na praia”

Com propostas não atendidas pelo governo federal, os professores acreditam que não dá para “nadar e morrer na praia”

DO REPÓRTER MT



Após assembleia geral realizada na manhã desta sexta-feira (21), a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat) votou pela rejeição à proposta de acordo enviada pelo Governo Federal, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e decidiu manter a greve na UFMT. A decisão foi enviada ao Comando Nacional de Greve (CNG) do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

Com relação à negociação com o governo, o professor Aldi Nestor de Souza, membro do Comando Local de Greve na UFMT, explicou que a categoria trabalha com três eixos: questão salarial, questão orçamentária e questões não financeiras. Nesse ponto, a pauta salarial não teve nenhuma alteração, a proposta continua sendo zero em 2024, 9% em 2025 e 3,5% em 2026. Isso, na avaliação do docente, achata o salário da carreira e não traz nenhuma novidade sobre o montante reivindicado pelos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

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Para o professor Paulo Wescley, a negociação não avançou. “Essa é uma farsa que precisa ser desfeita. A gente foi tão apequenado enquanto categoria, que a impressão que eu tenho é que só o fato de o Governo ter recebido o Andes-SN causou um alvoroço inexplicável”, avaliou.

Aldi Nestor, em nova intervenção, defendeu que o debate precisa considerar o futuro dos estudantes, tendo como exemplo o fato do número de bolsas integrais de estudos oferecidas pelo Governo em universidades privadas girar em torno de 400 mil, enquanto para o ensino público não ultrapassam 264 mil. “A greve precisa refletir sobre essa questão do orçamento não permitir que os estudantes das universidades públicas continuem estudando. Se a gente não fizer isso, vai parecer que estamos concordando com a escolha do Governo de optar pelo ensino privado. É um erro grotesco o Andes e o CNG induzirem as bases a pensarem em sair da greve neste momento”, pontuou.

Para a professora Vanessa Furtado, seria lamentável para a categoria sair da greve neste momento. “O Orçamento do PAC anunciado pelo Governo não será para todas universidades, somente para aquelas que solicitarem e tiverem seus pedidos deferidos. O PAC é enganoso, feito para empreiteiras construírem prédios nas universidades, não para a gente comprar material e tudo o que a gente precisa para as aulas. Esse PAC vai promover o aumento das Parcerias Público-privadas e verba parlamentar dentro das instituições, e isso influenciará também na autonomia das pesquisas”, alertou.

O professor José Domingues de Godoi Filho foi ainda mais fundo; segundo ele, nem o PAC está garantido, porque teria de entrar no Plano Plurianual (PPA), elaborado no primeiro ano de governo para ser implementado nos quatro anos seguintes. O PPA do atual governo foi enviado ao Congresso em agosto de 2023.

A professora Andreia Ferraz destacou que não houve avanço nas questões salarial, orçamentária e também na inclusão dos docentes aposentados nos benefícios.

Para a professora Patrícia Félix, é preciso ter ciência de que o Governo não prioriza a Educação, por isso não avança. “Toda a atuação deste Governo é resultado de um projeto neoliberal de Educação. Se continuar assim, se a nossa greve não barrar isso, o que a gente pode visualizar à frente é aumento na precarização laboral, cada vez mais falta de recursos para o funcionamento da universidade, para a assistência estudantil e, consequentemente, mais evasão”, finalizou.

O docente Reinaldo Mota resumiu o sentimento praticamente geral da assembleia. “Diante de tanta luta, nadamos, nadamos, nadamos e não vamos morrer na praia. Não dá para desistir no meio do caminho. É hora de continuar. É hora de rebeldia. A greve continua, companheiros. A vitória está ali pertinho”, agitou o professor.

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