RepórterMT/Stephanie Ribeiro

Elaine é uma das recordistas de doação para o banco de leite do Hospital Júlio Muller
MAYARA MICHELS
DA REDAÇÃO
Os bancos de leite do Hospital Santa Helena e do Hospital Júlio Muller colecionam histórias de doação, que formam redes de amor entre mães por atos de solidariedade que ajudam salvar vidas de recém-nascidos, por meio do leite materno.
O
conversou com algumas mães que relatam que transformaram a gratidão em poder ter um filho, no ato de ajudar os bebês de outras mães que não têm leite.
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A estudante de fisioterapia Elaine Araujo da Silva Bonza, de 25 anos, mãe do Emanuel de 3 meses, está a três meses doando leite. Hoje ela é uma das recordistas de doação para o Banco de Leite do Hospital Júlio Muller. Elaine doa 13 frascos de 340 ml por semana.
“Meu sonho era ser mãe e poder amamentar. Graças a Deus eu consegui ser mãe e além de amamentar minha filha consigo ajudar outras mães alimentar os seus filhos. Eu só agradeço a Deus, só agradeço”, disse Elaine.
A advogada Ariane Mirelli Chekerdemian, de 31 anos, está há três semanas doando leite materno. Ela contou que resolveu fazer as doações quando o leite empedrou e ela não conseguia amamentar sua filha Alice, de um mês de vida e, recebeu ajuda de uma enfermeira do Hospital Júlio Muller.
“Ela me mostrou as massagens para o leite desempedrar e também me ensinou como tirar o leite. Me orientou tirar o leite que restasse após as mamadas da minha filha. Com isso, optei por doar ao jogar fora”, contou Ariane. “Meu sentimento é de total gratidão. Gratidão pelo alimento da minha filha estar ajudando alimentar outros bebês”, disse Ariane.
Stephanie Ribeiro
Elaine com seu filho Emanuel e Ariane com sua filha Alice.
As mães beneficiadas pelas doações relatam a importância desse ato de solidariedade que ajuda no amparo em momentos de recuperação de seus filhos.
Regilaine dos Reis, de 21 anos, está com o filho Matheus há quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Júlio Muller. No primeiro dia de vida Matheus teve febre em começou a perder peso com rapidez. Os médicos decidiram então colocar ele na UTI e alimentar com o leite pasteurizado que vem das doações. Com a meidda ele ganhou peso e não teve mais febre.
“Saber que meu filho está recuperando o peso tomando o leite de outras mães é bom demais. O melhor de tudo é que meu leite começou a descer e ele está aos poucos apreendendo a mamar em mim. Em breve vou conseguir amamentar meu filho e nós vamos embora para casa”, contou Regilaine.
Regilaine com o filho de 4 dias de vida.
Já Sidiane Andrade, que está com a filha Maria Vitória há um mês e meio na UTI, se sente culpada por não conseguir amamentar a filha.
“Fico triste por não estar tendo leite para amamentar minha filha, porém ao mesmo tempo vem um sentimento de alegria e gratidão por ela estar viva e ganhando peso”, disse ao #repórtermt.
Maria Vitória nasceu com 31 semanas com 900 gramas. Hoje ela está com 1.115 kg e se alimenta a cada 2 horas com 18 ml de leite materno de doação.
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Sidiane com a filha que nasceu prematura.
A nutricionista responsável pelo banco de leite do Hospital Júlio Muller, Marli Eliane Uecker explica que o ato de doar não faz o leite secar, pelo contrário, só estimula ainda mais a produção.
“Com um litro de leite é possível alimentar até dez recém nascidos em um dia”, disse a nutricionista responsável pelo banco de leite do Julio Muller, Marli Eliane Uecker.
"Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Um ato simples que pode salvar inúmeras vidas. Mas para doar, a lactante deve estar saudável, além de apresentar o último exame sanguíneo”, explicou Ana Paula Moro, tutora do peito.
Segundo a nutricionista do Hospital Júlio Muller, na unidade as tutoras vão buscar as doações que podem ser feitas a partir da primeira semana de amamentação.
Outra prática opção de doação é o 1º Drive Thru de leite materno do Brasil. O posto fica na rua Presidente Marques, na parte externa do estacionamento do Hospital Santa Helena, em Cuiabá.
“O drive thru foi criado pensando na comodidade e facilidade para entregar a doação. A doadora não precisa nem sair do carro”, explicou Ana Paula Moro que trabalha na unidade.
Ela orienta que o frasco para armazenamento deve ser de vidro com tampa de plástico. Também deve ser fervido por 15 minutos, e depois deixar secar em temperatura ambiente.
“Após uma higienização dos mamilos, mãos e axilas, a coleta pode ser feita manualmente ou com uma bomba. Depois, o frasco deve ser colocado no congelador. O leite deve ser entregue congelado em no máximo 10 dias”, explicou Marli.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, no último levantamento feito em 2016, Mato Grosso recolhia por mês aproximadamente 800 litros de leite. Em Cuiabá, o Hospital Santa Helena é um posto de coleta de leite materno associado ao Banco de Leite do Hospital Geral Universitário (HGU). Já o Hospital Infantil e Maternidade Femina é um dos postos de coleta associados ao Banco de Leite do Hospital Universitário Júlio Muller. No banco de leite, as doações são são examinadas, pasteurizadas e redistribuídas para atender as necessidades da UTI's neonatais. No interior, existe apenas um banco de leite na Santa Casa de Rondonópolis.
Confira os postos de coleta:
Hospital Geral Universitário
Banco de Leite Humano Dr. José de Faria Vinagre
Rua Treze de Junho, centro Tel.: 65-3363-7035
Hospital Universitário Júlio Muller
Banco de Leite Humano do Hospital Universitário Júlio Muller
Rua Luis Philippe Pereira Leite, s/n , Alvorada Tel.: 3615-7203
Drive Thru – Santa Helena
Avenida Presidente Marques, Hospital Santa Helena
Tel.: 65-3621-3922
Femina
Hospital e Martenidade Clínica Femina
R. Corumbá, 538 , Baú Tel.: 65-2128-9183
Rondonópolis
Santa Casa de Misericórdia e Maternidade de Rondonópolis
Rua Acyr Rezende Souza Silva, 100 - Vila Birigui Tel. 66.3410-2785


















