CAMILLA ZENI
DA REDAÇÃO
Foi adiado para o dia 10 de novembro o julgamento do médico Fernando Veríssimo de Carvalho, de 30 anos, acusado pela morte da esposa Beatriz Nuala Soares Milano. Ela estava grávida de cinco meses quando foi assassinada em casa, no município de Rondonópolis (212 km de Cuiabá).
De acordo com o juiz Wagner Plaza Machado Junior, presidente do Tribunal do Júri de Rondonópolis, a decisão foi tomada considerando erro formal durante o julgamento, iniciado na manhã desta segunda-feira (20).
Consta que a sessão de julgamento teve início às 9h30, conforme havia sido determinado previamente pela Justiça. Então, foi feito o sorteio do Júri e a primeira testemunha prestou seu depoimento.
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Entretanto, quando o depoimento terminou, o juízo observou que a testemunha Marcos Vinícius Baptista, arrolada para defesa do médico, estava acompanhando a oitiva anterior.
Segundo o magistrado, o erro ocorreu porque a defesa de Fernando Veríssimo pediu que Marcus também participasse como assistente de defesa, fazendo com que ele recebesse um link com acesso total ao julgamento, quebrando o preceito que determina a incomunicabilidade entre as testemunhas.
"Ao ouvir o depoimento da testemunha anterior, resta impossibilitada a oitiva de Marcus Vinícius Baptista", afirmou o juiz.
Apesar do caso, Marcus não foi desqualificado como testemunha e, com outras quatro pessoas, saiu intimado para a sessão de julgamento remarcada para 10 de novembro.
O crime
Segundo boletim de ocorrência, em 24 de novembro de 2019, Fernando chamou a Polícia Militar afirmando ter encontrado sua esposa morta em cima da cama.
Ele relatou que, na noite anterior, ele e a esposa saíram para jantar e voltaram para casa por volta das 23h. Então, ele teria ficado com a mulher na cama por um tempo, mas depois se levantou para beber "umas caipirinhas" e dormiu no sofá. Quando acordou no dia 24, já teria encontrado a mulher sem vida.
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Entretanto, investigação da Polícia Civil e laudo de necropsia apontaram que Fernando teria provocado a morte da esposa. Conforme a Politec, a mulher, que tinha 27 anos, morreu de traumatismo craniano.
Com base no laudo foi requerida a prisão preventiva de Fernando, que foi considerado foragido e acabou preso cerca de 20 dias depois, na casa dos pais, em Ribeirão Preto (SP).
A denúncia do Ministério Público apontou que Fernando teria confessado, em interrogatório extrajudicial, que, depois de jantar com a esposa, eles tiveram uma discussão no caminho para casa, quando ele "teria se defendido com o ombro". A mulher, então, teria tropeçado, mas agido normalmente e ido dormir em seguida.
Fernando foi denunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e torpe, recurso que dificulta ou impossibilite a defesa da vítima e contra a mulher, feminicídio, com o agravante da violência doméstica e familiar, e por provocar aborto sem consentimento da gestante.
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