RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO
Analistas políticos avaliam que os 608 mil habitantes de Cuiabá chegam para os 300 anos apenas com um sentimento de frustração após terem sofrido dois golpes seguidos, causados por promessas da Copa do Mundo (em 2014) e o “Festival dos 300 anos”.
O dia de celebrações se torna ainda mais reflexivo para os cuiabanos, que representa quase um sexto da população do Estado, ao lembrar que, em um passado recente, ouviram promessas de que chegaríamos ao tricentésimo aniversário da Capital, com uma mobilidade urbana moderna, talvez um (in) certo Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), ou quem sabe ruas mais espaçosas e construções mais modernas.
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Para analista João Edisom, hoje a população indaga: o que tem a comemorar?
“Poderíamos estar felizes, mas não estamos porque sofremos dois golpes dentro da mesma década. Primeiro a questão das chamadas obras da Copa do Mundo, onde se criou uma expectativa muito grande de que até junho de 2014, quando ocorreu o primeiro jogo do Mundial, Cuiabá teria o VLT e a parte da mobilidade urbana funcionando maravilhosamente bem. Apesar de algumas obras terminadas e das criações de parques de lazer para o embelezamento da cidade, as obras estão abaixo da expectativa que prometeram e do que gastaram. Além da roubalheira e um governador preso”, pontuou ao lembrar a prisão e condenação do ex-governador Silval Barbosa por crimes de corrupção.
“Na eleição para prefeito, principalmente no segundo turno, ambos os candidatos queriam ser o prefeito dos 300 anos. Elevou a expectativa lá em cima, era o segundo golpe. Chegamos aos 300 anos sem obras, música, sem show e nem bolo. Então, a realidade da cidade é uma e a expectativa estabelecida é outra. Existe uma culpa de quem administra", disse João Edisom.
Depois do VLT não ter andado um metro, os cuiabanos embarcaram em ‘novos compromissos’ de mudanças durante a campanha eleitoral de 2016 e foi aí, segundo João Edisom, que sofremos o segundo golpe. A referência é em relação a decisão do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) de cancelar a festa de aniversário dos 300 anos de Cuiabá, prevista para ocorrer nos dias 06, 07 e 08 de abril com participação de vários artistas nacionais e regionais. Sem citar as obras prometidas e não realizadas.
“Na eleição para prefeito, principalmente no segundo turno, ambos os candidatos queriam ser o prefeito dos 300 anos. Elevou a expectativa lá em cima, era o segundo golpe. Chegamos aos 300 anos sem obras, música, show e nem bolo. Então, a realidade da cidade é uma e a expectativa estabelecida é outra. Existe uma culpa de quem administra, governo e prefeito, a começar com Blairo Maggi (ex-governador), Silval Barbosa [que trouxeram a Copa] e depois com o prefeito (Emanuel Pinheiro) que prometeram algo muito grande”, destacou.
“O grau de frustração social é maior que os problemas. Pior que isso foi dado uma expectativa enorme. Parece aquele pessoal que diz: vamos fazer uma grande viagem; vamos comer fora e quando chega o dia coloca a mesa do lado de fora da casa”, acrescentou.
Para o analista político Onofre Ribeiro, a classe política precisa entender que Cuiabá não é mais aquela ‘cidadezinha’ de 100 mil habitantes de 40 anos atrás. A migração de 1970, das chamadas marchas para o Oeste no Governo do Emilio Garrastazu Médici fez a Capital crescer ‘violentamente’ e a falta de planejamento nos deixou chegar aos 300 anos no auge dos problemas estruturais.
“Ou se planeja a cidade ou nunca sairá dessa maré de problemas. Uma cidade promissora, rica e pequena como a Capital. Talvez uma das capitais menos populosas. [...] Ninguém percebeu que a cidade cresceu e não percebem que ela está crescendo e que ainda vai crescer mais. Continuam administrando com a cabeça de 50 anos atrás. Não vai dar certo”, argumenta Onofre.
Sem investimentos em diversas áreas como em saneamento básico, infraestrutura e administrativa, entre outras, Cuiabá poderá sentir o peso do crescimento do Estado e da modernização pela qual tem passado o mundo.
“É uma cidade cosmopolita, extremamente moderna e uma população misturada que dá uma média humana de muita boa qualidade, mas os administradores são antigos, cabeça no passado. Esse é o problema”, aponta Onofre.
“É uma cidade cosmopolita, extremamente moderna e uma população misturada que dá uma média humana de muita boa qualidade, mas os administradores são antigos, cabeça no passado. Esse é o problema”, explica.
“O crescimento do Estado diante das exigências mundial por alimentos, por água, oxigênio e madeira são enormes e é aqui [na Capital] que teremos uma resposta para essa demanda. Ninguém tem dúvida de que Mato Grosso vai crescer ‘violentamente’ na área de produção, da agroindustrialização que está caminhando rapidamente e Cuiabá vai dar suporte para isso. A mensagem é pense para o futuro, pare de pensar na eleição”, continua.
Para ver a insatisfação dos cuiabanos basta andar pelo Centro Histórico da cidade ou pela Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA) 'rasgada' para a improvável construção do VLT. Esses são apenas alguns dos sinais.
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Sergiomjs 08/04/2019
Infelizmente, nem.que tivesse grande festa da Arena poderia ajudar a melhor esse tal 300 anos..Emanuel enganado por parte de gente que so quer ver ele na pior. So gente Falsa.
1 comentários