RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO
Ana Cláudia Flor, acusada de mandar matar o marido, e pai de suas três filhas, o empresário Toni Flor, em Cuiabá, virou ‘manchete nacional’ com destaque à frieza e dissimulação com que agiu desde o homicídio ‘encomendado’ por ela mesma. É impossível não notar as ‘semelhanças e singularidades’ com o caso ‘Flordelis’, ex-deputada que teria mandado matar o marido, o pastor Anderson do Carmo.
Não seria nada injusto, ou inapropriado, se Ana Cláudia fosse apelidada de ‘Flordelis cuiabana’, já que seu comportamento é muito próximo ao da ex-deputada dentro de circunstâncias muito parecidas, ou seja, as duas tiveram os maridos assassinados e são apontadas por terem encomendado a morte deles.
O pastor Anderson do Carmo foi executado a tiros no dia 16 de junho de 2019, em Niterói. O empresário Toni Flor foi assassinato, também a tiros, no dia 11 de agosto de 2020.
A ex-deputada foi presa no último dia 13 de agosto, após perder o foro parlamentar por ´fata de decoro’. Ana Cláudia foi para trás das grades no último 19 de agosto, seis dias após Flordelis, mas pelo mesmo motivo. Qualquer semelhança seria apenas ‘mera coincidência’?
Ana Cláudia fez tudo muito parecido com o crime cometido pela ex-deputada, que ficou ‘famosa’ por mandar executar o marido, o pastor Anderson do Carmo.
A original Flordelis pedia investigações, cobrava justiça e fazia publicações com declarações de amor nas redes sociais e, por fim, terminou na cadeia, assim como a ‘cuiabana’.
Ana Cláudia foi apontada como mandante do homicídio por todos os envolvidos no crime, desde o atirador, até sua manicure, irmã do amante. Esse acusado por falso testemunho por dizer que não sabia de nada, embora, não haja indício de participação no crime.
Ainda assim, a ‘Flordelis cuiabana’ passou um ano, até ser presa, cobrando justiça, fazendo declarações de amor, falando de saudades, fazendo camisetas com o rosto de Toni e frequentemente indo à delegacia querendo saber se a polícia já tinha suspeitos, quando mal sabia que sua ‘conduta’ já havia a colocado no centro das investigações.
Para concluir esse entendimento, como não poderia deixar de ser, as duas garantem que não são culpadas e prometem que ainda vão conseguir provar a inocência.
Caso Toni Flor
O empresário entrou em uma academia de lutas e foi atingido por cinco tiros. Exatamente um ano depois do crime, um homem chamado Igor Espinosa foi preso depois de morar três meses no Rio de Janeiro, gastando o dinheiro que, segundo a polícia, recebeu para matar Toni Flor: R$ 20 mil, um terço dos R$ 60 mil que teria acertado com Ana Cláudia.
Depois, em conversa com um namorado, Ana Cláudia se mostrou preocupada. "Ainda vai sobrar para mim”, disse a empresária.
“Durante o seu interrogatório, o Igor confessa na íntegra todos os passos do crime. Como praticou o crime, quem foram seus intermediadores, inclusive quem foi a mandante. Então no interrogatório, o Igor afirma que quem teria encomendado a morte do Toni, teria sido a própria esposa”, diz o delegado que cuida das investigações.
No dia 19 de agosto de 2021, Ana Cláudia Flor foi presa e negou que tenha mandado matar o marido. O advogado dela diz que vai provar a inocência.
Caso Flordelis
A ex-mulher dele, a deputada federal e também pastora Flordelis (PSD-RJ) foi indiciada como a mandante do crime.
Na madrugada de 16 de junho, Anderson do Carmo foi assassinado com 30 tiros na garagem da casa da família, em Pendotiba, Niterói. Flordelis disse se tratar de um assalto, mas as câmeras de segurança do imóvel não registraram a entrada de ninguém estranho.
No velório de Anderson, Flávio, um dos filhos biológicos da pastora, foi preso, apontado como o autor dos disparos. Poucas horas depois, Lucas, filho adotivo do casal, também foi detido, suspeito de ter fornecido a arma do crime ao irmão.
Lucas negou aos investigadores a participação no crime, mas após um tempo de detenção, escreveu uma carta, por meio da qual assumia responsabilidade pelo assassinato. Pouco tempo depois, ele negou autoria da carta e disse que só havia copiado um documento escrito pela própria Flordelis.
Segundo as investigações, a deputada já vinha tentando matar o marido envenenado desde 2018, colocando arsênico na comida dele. O motivo seria o controle do dinheiro do Ministério Flordelis e relações de poder dentro da família.
Em uma troca de mensagens com um de seus filhos, a deputada disse que o assassinato de Anderson seria a única saída. “Fazer o quê? Separar dele não posso, porque senão ia escandalizar o nome de Deus”, escreveu.
O diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa do Rio de Janeiro, delegado Antônio Ricardo, disse que o núcleo familiar de Flordelis formava uma organização criminosa.
Nesta terça-feira (25), Flordelis entregou seu passaporte ao Ministério Público e está proibida de sair do país. Para ir à Brasília, precisa comunicar com antecedência. Ela também não pode entrar em contato com testemunhas ou com os outros réus do caso.
No mesmo dia, seu partido, o PSD, suspendeu a filiação da deputada.
Seu advogado, Anderson Rollemberg, afirmou que ela é inocente e que a investigação está fazendo uma “ginástica” para enquadrá-la como mandante.
(Com textos da CNN e Globo)
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!


















