A GAZETA
O Salão Jovem Arte Mato-Grossense deixou de ser realizado a partir da última edição em 2007 mas agora se vê a busca por algo que venha de certa forma a substituí-lo, mas não nos mesmos moldes. Um grupo de produtores independentes então criou o Prêmio Jovem Arte Mato-grossense, que concederá prêmios em dinheiro a 4 artistas dos 8 previamente selecionados por meio de curadoria nos Estados que compõem a região Centro-Oeste. Entre hoje e amanhã, uma comissão fará a escolha dos premiados e nesta terça-feira um dos participantes faz performance artística no centro da Capital.
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O Prêmio Jovem Arte reúne propostas de 8 jovens artistas cuja produção dialoga com a arte contemporânea, selecionados por curadores de seus respectivos estados, indicados pela Comissão Organizadora. Dessa forma, Ludmila Brandão (Mato Grosso) indicou o coletivo ADeriva e Daniel Pellegrim; Ilacir Santos (Mato Grosso do Sul), Renzzo de Giz e James Cáceres; Wagner Baja (Brasília), Miguel Ferrerini e Fernando Aquino; e Carlos Sena (Goiás), Grupo Empreza e Rodrigo Godá. Dos 8 artistas 4 receberão prêmios de caráter aquisitivo, no valor de R$ 10 mil cada.
Além de premiar os artistas, o Jovem Arte objetiva enriquecer o acervo da Pinacoteca do Estado de Mato Grosso e aproximar e conceituar a produção artística do Centro-Oeste. Para o membro da comissão organizadora, o artista plástico Gervane de Paula, estar nessa seleta lista já é fato a ser comemorado. “Todos os artistas que participam do prêmio na minha opinião já estão premiados, embora quem vá receber prêmios em dinheiro sejam apenas 4. São premiados porque eles vão participar de uma exposição que passou por uma avaliação de 4 competentes profissionais”. Ele se refere à coletiva que deverá ocorrer entre os dias 20 de setembro a 20 de outubro no Pavilhão das Artes, que fica no Palácio da Instrução. Na ocasião será feita também a premiação.
De acordo com Gervane, os curadores foram instruídos a fazer visitas aos ateliês e receber portifolios. “Aideia nossa não é descobrir artistas, mas reconhecer aqueles que estão produzindo, mesmo com dificuldade. Mostrar pessoas que estão produzindo e têm uma obra estabelecida e que mostram que vão dar continuidade ao trabalho”, frisa.
Gervane explica que o Jovem Arte é um projeto independente, ou seja, não é realizado pelo poder público, contando apenas com patrocínio do Fundo Estadual de Cultura. O proponente é outro velho conhecido das artes plásticas matogrossenses, o pintor Benedito Nunes. A ideia, segundo o organizador, era a de criar algo que viesse a cobrir a lacuna deixada pelo tradicional salão. Evento que, para o artista, já estava ultrapassado. “O salão entrou em crise. Não foi interrompido por uma ação física, não dá para condenar ninguém. Na minha opinião o salão foi interrompido pelo fato de o regulamento dele ter envelhecido. Ele é um evento regional, só ligado a artistas daqui de Mato
Grosso e esse tipo de salão não existe mais. Aliás, não existem mais salões nas grandes capitais brasileiras. Existem nas cidades do interior do país”, diz.
“O modelo de incentivar, fomentar a produção, hoje são os prêmios. É muito complicado você submeter o artista a um júri, a competir com outros artistas. O Prêmio Jovem arte se baseia nos modelos que buscam incentivar a produção jovem. Ele parte de curadoria, busca assegurar a qualidade”, acrescenta. Amudança de rumo é visível nos trabalhos apresentados, inclusive pelos representantes de Mato Grosso. “Os nossos representantes não são artistas badalados, mas estão buscando desenvolver uma linguagem mais dentro da contemporaneidade. Não são pintores, que é a força da tradição cuiabana”, analisa.
“Agente propôs esse prêmio porque as artes visuais de Mato Grosso precisavam de algo para substituir o salão. Não sabemos se esse é o ideal. Só sabemos que precisava. Talvez no ano que vem algum produtor independente resolva fazer um salão no modelo mais antigo, quem sabe”, sugere. Outra questão que pesou foi o valor do edital, considerado baixo para um projeto que buscasse reunir um número maior de artistas. “Tem que ser prêmio, não pode ser brinde, ajuda de custo. A gente acredita que 10 mil é um prêmio razoável sim e que estimula e valoriza o artista e o evento”, opina.
Análise - Os artistas serão avaliados por uma Comissão de Premiação, composta por 5 membros, os 4 curadores das unidades federativas, Ludmila Brandão, Ilacir Santos, Wagner Baja e Carlos Sena, e a produtora cultural Magna Domingos. As propostas artísticas serão submetidas ao grupo hoje e amanha (20 e 21). Nesta terçafeira o grupo performático Empreza se apresentará na Praça da República, a partir das 9 horas, com a participação da população. Já a Comissão Organizadora local é formada pelos artistas plásticos Benedito Nunes e Gervane de Paula, a técnica em artes plásticas Lucia Moreira de Almeida e a produtora Carolina Marcório.








