ANDRÉ MICHELLS 8h30
INARA FONSECA
DA REDAÇÃO
As investigações que apuram desvio de R$ 44 milhões na compra de máquinas e caminhões através do programa Mato Grosso 100%, até agora, em nada resultaram. Tirando o escândalo que abalou as bases do governo Maggi/Silval, de resto, ninguém foi preso e ninguém pagou a conta, em espécie, pelo desvio apurado. Os principais envolvidos no caso, os ex-secretários Vilceu Marchetti (Sinfra) e Geraldo De Vitto (Sad), até agora estão livres, leves e soltos por aí.
Relatório feito pela Auditoria-Geral do Estado (AGE) apontou indícios de lavagem de dinheiro na compra das máquinas por meio do programa "MT 100% Equipado" e o superfaturamento chegou aos R$ 44,485 milhões. Na época em que o rombo foi descoberto, o então governador Blairo Maggi chegou a "chorar" dizendo ser a maior decepção de seu governo. Os secretários Vilceu e De Vitto resistiram por alguns dias, mas "pediram pra sair" dos cargos e evitar desgaste maior ao governador.
Em julho (13), após denúncias dos advogados de defesa contra o juiz Julier Sebastião, o desembargador Gláucio Maciel Gonçalves suspendeu a ação até que o envolvimento do juiz com os autos do processo seja esclarecido. A defesa alegou que Julier estaria sendo parcial demais na condução do episódio.
De acordo com Ulisses Rabaneda, advogado do ex-secretário de Infraestrutura, todos os processos estão parados desde que o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1º Região suspendeu a ação popular para verificar o comportamento de Julier. Porém, conforme Rabaneda, até o momento, não houve quaisquer investigações contra o juiz, que continua no caso.
Envolvendo a alta cúpula do ex-governo Maggi/Silval, o escândalo dos maquinários tem caminhado a passos lentos, como quase todos os processos contra "colarinhos brancos" no Brasil. Iniciada em maio de 2010, as investigações já tiveram três etapas, duas propostas de ações civis públicas contra os ex-secretários de Estado Vilceu Marchetti (Infraestrutura), Geraldo de Vitto (Administração) e as 10 empresas que venderam caminhões e maquinários com preço supostamente superfaturado. Entretanto, desde o início das investigações ninguém foi preso.
Foram envolvidos no caso o então governador e atual senador Blairo Maggi (PR), o ex-secretário Chefe da Casa Civil e atual presidente da Agecopa, Eder Moraes, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os ex-secretários Geraldo de Vitto (Administração) e Vilceu Marchetti (Infraestrutura), além das empresas Dymak Máquinas Rodoviárias LTDA, Auto Sueco Concessionária de Veículos LTDA (Tecnoeste), Rodobens Caminhões, Tork Sul Comércio de Peças e Máquinas LTDA, Iveco Latin América LTDA, Mônaco Diesel Caminhões e Ônibus LTDA e Cotril Máquinas e Equipamentos LTDA.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!














