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02 de Outubro de 2026, 18h:04 - A | A

POLÍTICA / ELEIÇÕES 2026

TCE-MT entrega Plano de Metas 2050 a candidatos ao Governo e ao Senado

Elaborado pelo Tribunal de Contas, documento orienta a gestão estadual pelos próximos 24 anos com foco na redução de desigualdades, diversificação econômica e combate à pobreza em Mato Grosso.

Alair Ribeiro/TCE-MT

Presidente Sérgio Ricardo e Valter Albano apresentam Plano de Metas Mato Grosso 2050.

Presidente Sérgio Ricardo e Valter Albano apresentam Plano de Metas Mato Grosso 2050.

DO REPÓRTERMT



O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, encaminhou, nesta semana, o Plano de Metas Mato Grosso 2050 aos candidatos ao Governo do Estado e ao Senado. O documento orienta a gestão estadual pelos próximos 24 anos, período que corresponde a seis mandatos governamentais, e será apresentado à sociedade após as eleições.

Segundo Sérgio Ricardo, o plano foi pensado com a visão voltada para o cidadão e para a redução das desigualdades sociais. "Isso aqui não nasce de um lugar qualquer, de uma informação solta ao vento. Nasce de números, de prestação de contas do Estado e dos municípios", explicou. "São sugestões, mas eu digo o seguinte: prestem atenção nessas sugestões", completou.

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Após a eleição deste domingo (4), o plano será apresentado na Escola Superior de Contas. Se houver segundo turno, o convite vale para os dois candidatos ao Governo. Se não houver, vale para o candidato eleito. Candidatos a deputado federal e estadual e demais interessados também podem retirar o material.

Elaborado sob coordenação do presidente da Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal (COPSFID), Valter Albano, o plano abrange as áreas social, econômica e de infraestrutura.

As diretrizes funcionam como referência aos gestores, sem caráter obrigatório, e não substituem o plano de governo de cada gestão. "Cada governo tem seu plano, mas o Tribunal vai estar sempre avaliando, por essas diretivas, se fez ou deixou de fazer aquilo que é a melhor diretriz. Não é uma diretriz absoluta. São trilhas para que se faça um bom governo", afirmou Albano.

Avaliação dos candidatos
A entrega seguiu a agenda de cada candidato. Dos seis concorrentes ao Governo do Estado, cinco já receberam o plano: Natasha Slhessarenko, Wellington Fagundes, Maurício Coelho e Rafael Milas, pessoalmente, e Otaviano Pivetta, por meio de representantes. Sargento Laudicério não retornou aos contatos. Todos os candidatos receberam o documento por e-mail.

Natasha Slhessarenko agradeceu ao presidente do TCE-MT ao destacar a importância da iniciativa. "É um material riquíssimo, que vai nos ajudar muito a conduzir o Estado. O desenvolvimento econômico é extremamente importante, é o que faz Mato Grosso figurar entre os estados mais ricos do Brasil, mas precisamos também diminuir a desigualdade e ter desenvolvimento socioeconômico com distribuição de renda."

Wellington Fagundes, por sua vez, destacou o caráter orientativo do trabalho do Tribunal. "Esse plano, com certeza, será levado muito em conta, para que, durante a transição, tenhamos com o Tribunal de Contas e todos os Poderes a melhor orientação. É preciso aplicar bem os recursos e atender ao desenvolvimento do estado como um todo, fazendo com que os recursos promovam o desenvolvimento de todas as regiões."

Para Maurício Coelho, o plano dá condições ao Estado de estabelecer prioridades. "Hoje, a prioridade do Estado tem de ser a diversificação econômica, que é pauta relevante dentro desse plano. O fato de ser um plano não para daqui a quatro ou oito anos, mas para 2050, significa que estamos olhando não para um governo, mas para uma continuidade de Estado", afirmou.

Entre os candidatos ao Senado, o documento foi entregue a Coronel Darwin, Antonio Galvan, Mauro Mendes, Pedro Taques e a Carlos Fávaro, representado pelo 1° suplente Alexandre Schenkel. Aos demais candidatos, em virtude de conflito de agenda, o plano está sendo entregue em seus comitês e enviado por e-mail.

Distribuição do desenvolvimento
O diagnóstico feito com dados oficiais até junho de 2026 mostra que cerca de 28% da população, mais de 1 milhão de pessoas, vive na pobreza (15%) ou na extrema pobreza (13%). Além disso, a riqueza está concentrada em 7 das 22 microrregiões, e a indústria responde por 14,8% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, contra 33,63% da agropecuária.

Para Sérgio Ricardo, o modelo explica por que um estado rico convive com a fome e com a falta de alimentos básicos, como arroz e feijão, na mesa da população. "Hoje, Mato Grosso está recebendo estrutura, mas é estrutura para as grandes produções. Tem a ferrovia cortando o estado, mas é para transportar as grandes produções. E o feijão com arroz? E a carne possível na mesa do cidadão? É o social que precisa ser olhado."

Os estudos identificaram ainda que 82 dos 142 municípios de Mato Grosso estão sem exploração das suas vocações econômicas. "O crescimento econômico está concentrado em poucos municípios e em poucas regiões. O plano sinaliza que é preciso distribuir o desenvolvimento, ampliar a cadeia produtiva e diversificar a produção", explicou Albano.

Diante do cenário, uma das propostas é integrar esses municípios aos que têm crescimento econômico, em modelo semelhante ao da integração entre agroindústrias e pequenos produtores. Outro eixo é criar oportunidades de trabalho e renda para quem depende de programas de transferência de renda.

"Nós reconhecemos o potencial do empresariado e da própria economia, mas o Tribunal de Contas tem certeza de que só quem pode promover essa distribuição do desenvolvimento é o governo", ressaltou Albano. "O que nós discutimos no plano é criar oportunidade de trabalho, para que a pessoa, trabalhando, tenha uma renda melhor. Não é para excluir ninguém dos programas de apoio. É para melhorar", acrescentou.

Baixada Cuiabana
Segundo Sérgio Ricardo, o plano dá atenção especial à região do Vale do Rio Cuiabá, cujos 13 municípios reúnem cerca de 5 mil propriedades improdutivas às margens do rio e 93 favelas. Ele destacou que a proposta prevê levar energia e água para irrigação a essas áreas e transformar a região em polo de produção de alimentos.

"Nós queremos orientar os futuros governadores. Pelo amor de Deus, coloquem a mão na consciência, coloquem a mão no coração. Pensem nas pessoas, pensem no pobre, pensem naquele que não tem emprego", concluiu.

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