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18 de Abril de 2012, 23h:02 - A | A

POLÍTICA / RETROSPECTO DE UM MAU COMEÇO

Queda de Eder pode ser saudável "reconstrução" para o governo

ANDRÉ MICHELLS



Uma pasta polêmica e conturbada que vem gerando, apesar das obras em andamento, mais fatos negativos do que positivos para o governo Silval Barbosa. A Secopa, mais uma vez, foi palco de grande polêmica e briga de egos e interesses esta semana. O prélio culminou com a queda do antes todo-poderoso homem forte do Governo, Eder Moraes.

Ainda no governo Blairo Maggi, assim que Cuiabá foi escolhida como uma das capitais que receberiam jogos da Copa de 2014, foi criada a pasta que hoje se chama Secopa, a então Agecopa. Agência Estadual de Execução dos Projetos da Copa do Mundo do Pantanal FIFA 2014.O então governador Blairo Maggi (PR) sancionou a lei complementar que criou a agência e publicou no Diário Oficial no dia 25 de setembro de 2009. Foi, talvez, a decisão menos acertada de Maggi.
 

De lá para cá, eclodiu uma infinidade de brigas internas, rasteiras de diretores em diretores e polêmicas de todo tipo, que apenas serviram para manchar o governo anterior e seu sucessor, Silval Barbosa (PMDB).  

O primeiro comandante da pasta foi o sisudo, mas de boa reputação, Adilton Sachetti, que acabara de deixar a prefeitura de Rondonópolis. Junto com ele, integraram a pasta, Carlos Brito - diretor de Infraestrutura; Yure Bastos Jorge - diretor de Assuntos Estratégicos, Agripino Bonilha Filho - diretor de Articulação Interinstitucional, Yenes Magahães - diretor de Planejamento; Jeferson Castro Jr - diretor de Orçamento e Finanças e Roberto França - diretor de comunicação e marketing.
 

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Cerca de um ano depois e avanço zero, Sachetti renunciou ao cargo, alegando rusgas internas e dificuldades de relacionamento com diretores, principalmente Yuri Bastos. “Com desgaste pessoal é difícil avançar. Estar na Agecopa foi muito bom para mim, mas não pude realizar o que eu desejava”, disse na época. 

Com a saída de Adilton, assumiu com apoio do já governador Silval Barbosa (PMDB), o diretor de planejamento, Yênes Magalhães. Este também não duraria muito no cargo, já que contrariava interesses defendendo o modal BRT para Cuiabá. Yênes entrou em rota de colisão com o deputado Riva (PSD), considerado o "pai" do VLT, que teve seu projeto emplacado depois de vários meses de polêmica e discussões. No dia 12 de abril de 2011, Yênes caiu.

Começava então a fase mais conturbada da Agecopa, a era Eder Moraes. Em apenas 1 ano e 7 meses, a agência já conhecia seu terceiro presidente.
 

Com a promessa de que não iria decepcionar o governador Silval Barbosa, o até então secretário-chefe da Casa Civil, Eder Moraes, assumiu o comando da pasta no dia 25 de abril de 2011. Em poucas semanas, Eder "implodiu" a Agecopa. Briga de egos, centralização de poder e rusga em público com o diretor de infraestrutura, Carlos Brito, decretaram o começo do fim da Agência.

Ambos bateram boca em plena audiência pública na AL-MT, onde Eder defendia a troca do modal BRT para VLT. Brito pediu a palavra e chamou Eder déspota (gestor que comanda com mão de ferro e não compartilha poder). Carlos Brito acusou Eder de sonegar informações sobre o projeto VLT e a situação quase chegou às vias de fato. Foi a gota d´água para a Agecopa.

No dia 29 de setembro de 2011, exatos dois anos depois de sua criação, a Agecopa foi extinta em votação unânime na Assembleia Legislativa. Eder foi nomeado como secretário e toda a estrutura de poder foi alterada. Brito foi exonerado, após tensa reunião no Palácio Paiaguás. Roberto França, convidado para assumir o posto de Brito, recusou e também acabou saindo. Na época, se mostrou magoado com o andamento das coisas e disse, em seu programa de TV que tudo fora feito, para que Eder pudesse se livrar de seu desafeto, Carlos Brito. 

Daí em diante, uma série de trapalhadas, protagonizadas pelo gestor, colocaram a autoridade e a honestidade do governador Silval Barbosa em xeque. Sucessivos escândalos eclodiram e Eder, apesar de balançar no cargo, conseguiu se manter. Escândalo das Land Rovers, Escândalo dos Precatórios, a licitação mal explicada do relógio da Copa, entre outrou, foram minando a gestão. Eder também arrumou vários inimigos, dentro e fora do governo e deu um tiro no próprio pé, ao incentivar publicação especial, que detonava o secretário de Indústria e Comércio, Pedro Nadaf e fazia sérias acusações ao TCE, no Jornal Circuito Mato Grosso, de Pérsio Briante, o mesmo empresário que denunciou, dois anos atrás, o esquema conhecido como escândalo dos maquinários, no final da era Maggi.

Eder nega a "plantação", mas no governo não há dúvidas de onde partiu o "fogo amigo". Eder foi demitido, por telefone, na manhã desta quarta-feira, por Silval Barbosa, de Brasília. Extraoficialmente, fontes do Paiguás afirmam que Eder fora demitido já na segunda-feira (16), após tensa reunião com Silval. Na ocasição Moraes desafiou o governador a demiti-lo.

Eder teria dado a entrevista polêmica para a TV Record, em tom de ameaça, depois que a TVCA o procurou na Secopa, já com a informação, vazada do Paiaguás, de sua demissão. Eder tentou mandar um último recado, mas já era tarde e deu no que deu.
 

Alheio às rusgas, o povo só quer mesmo, e é o que interessa de fato, saber das obras de mobilidade urbana, que prometem colocar Cuiabá, de vez, no século 21. A queda de Eder, representa o fim de uma Era e, quem sabe, um saudável recomeço de outra para o governo Silval, MT e a Secopa.

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Lilian Gomes 19/04/2012

ótima matéria! vamos ver se vai melhorar daqui pra frente. Mas eu gostava do Eder =/ o cara trabalha d+, o problema são os obstaculos - os malas que estão em volta dele só querendo roubar

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Gato de Botas 19/04/2012

Parabéns pela matéria! Esperamos que as obras de mobilidade urbana sejam realizadas e que de fato a sociedade seja beneficiada um viva a democracia MEAL MEAL MEAL!!!

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carlos teixeira 19/04/2012

demorou. já era hora de silval tomar conta do estado e tirar das maos de eder moraes. agora, parece q a coisa vai andar, pelo menos, teremos um governador só, assim espero né.. heheh

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mimosa 19/04/2012

O problema nao sao as rugas, e sim as tetas, que mesmo imensa nao consegue dar de mama a galera. entendeu?

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Marco Aurélio Cintra 19/04/2012

concordo com o Julio Cesar, para o povo não interessa a disputa do poder dos políticos, ou quem vai ficar no cargo, e sim que seja usado essa dinheirama toda para as melhorias da nossa Capital. Execelente matéria, uma bela retrospectiva dessa "briguinha de egos", como diz o colega!

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JULIO CESAR LADEIA DA SILVA 19/04/2012

É, PARA O POVO O QUE INTERESSA MESMO SAO AS OBRAS PRONTAS E DENTRO DO PREÇO REAL, NAO INTERESSA A BRIGUINHA DE EGOS QE A MAIORIA DA IMPRENSA INSISTE EM FICAR MOSTRANDO. ATE Q EMFIM UMA ANALISE SENSATA.

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Célia Ormond 19/04/2012

Bela análise.. mto coerente, parabéns..

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Paulão 19/04/2012

Boa matéria André! vamos ver no que vai dar agora, né?

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8 comentários