Cuiabá, 31 de Outubro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
31 de Outubro de 2026

30 de Abril de 2026, 13h:30 - A | A

POLÍTICA / DESVIO DE EMENDAS

Paula Calil diz que operação contra vereador Cezinha não atinge Câmara de Cuiabá: "Cada um tem seu CPF"

Presidente do Legislativo cuiabano defendeu que a instituição é transparente e que a responsabilidade sobre o uso de emendas parlamentares recai sobre a conduta individual e a fiscalização do Executivo.

Câmara de Cuiabá

Paula Calil explica o rito das emendas parlamentares, enfatizando que a análise técnica, de documentos e a execução final dos recursos cabem exclusivamente à prefeitura.

Paula Calil explica o rito das emendas parlamentares, enfatizando que a análise técnica, de documentos e a execução final dos recursos cabem exclusivamente à prefeitura.

ANA JÁCOMO
LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT



A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Paula Calil (PL), comentou hoje (30) sobre a operação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) que teve como alvos o vereador Cezinha do Nascimento (União Brasil) e o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo). Ela enfatizou que a Casa de Leis não é o alvo das investigações conduzidas pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Durante entrevista coletiva, a presidente buscou desvincular a imagem da instituição das condutas individuais dos seus membros em relação à apreensão de valores em espécie. "É importante pontuar que a Câmara Municipal de Cuiabá, enquanto instituição, não é alvo da operação. Os vereadores têm a prerrogativa de indicar emendas à LOA (Lei Orçamentária Anual), mas quem responde pelos atos é o indivíduo. É um vereador, é um CPF. Cada um tem seu CPF", afirmou a presidente.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

A ação investiga um esquema envolvendo repasses ao Instituto Social Mato-Grossense (ISMAT) e ao Instituto Brasil Central (IBRACE). O Naco apreendeu, hoje (30), R$ 200 mil em "dinheiro vivo" nas casas do deputado estadual Elizeu e do irmão dele, o vereador Cezinha Nascimento. Segundo informações obtidas pelo , os valores foram de R$ 150 mil e R$ 50 mil, respectivamente.

Paula Calil explicou que o papel do vereador se limita à indicação do recurso, cabendo à prefeitura a responsabilidade pela fiscalização e pagamento. "Quem faz a execução das emendas é o Executivo. Ele faz essa análise técnica dos documentos e dos projetos. O vereador indica o instituto, mas é feito um estudo técnico por parte da prefeitura para a liberação do recurso", pontuou.

Questionada sobre o desgaste da imagem do parlamento cuiabano, já que a ação é um desdobramento da Operação Gorjeta que teve como alvo o vereador Chico 2000 (sem partido), Paula Calil admitiu que citações de nomes de parlamentares trazem reflexos negativos tanto para a Câmara quanto para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). No entanto, disse que acredita que a gestão atual preza pela transparência e que não se pode "marginalizar" o instrumento das emendas, que são fundamentais para melhorias nas comunidades.

A presidente informou ainda que acionou a procuradoria da Casa logo após tomar conhecimento do caso para buscar detalhes sobre a investigação, já que o Legislativo não foi notificado oficialmente por não ser parte no processo. Sobre a conduta sob suspeita de recebimento de propina, a vereadora foi direta: "Eu não concordo com esse tipo de postura. É uma forma de corrupção quando se fala em propina, mas não posso neste momento afirmar que houve esse tipo de situação. Estamos aguardando a apuração para saber o que de fato aconteceu", concluiu.

Conforme a investigação, os recursos eram destinados à empresa Sem Limite Esporte e Evento LTDA, que, posteriormente, devolveria parte dos valores aos parlamentares responsáveis pelas emendas. Diante dos indícios, foram cumpridas medidas cautelares de busca e apreensão contra servidores, particulares e agentes políticos.

Veja o vídeo:

 

Comente esta notícia