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08 de Outubro de 2026

08 de Outubro de 2026, 07h:22 - A | A

POLÍTICA / RECEITA DA DERROTA

Júlio Campos critica que Wellington Fagundes concorreu ao Governo sem fazer campanha em Mato Grosso

Deputado estadual aponta ausência de mobilização e palanque frágil de Wellington no interior

Thais Bem Fica/RepórterMT

Derrotado nas urnas, Júlio critica pouca mobilização do candidato ao governo, que teve votação inferior ao número de abstenções.

Derrotado nas urnas, Júlio critica pouca mobilização do candidato ao governo, que teve votação inferior ao número de abstenções.

ANA ADÉLIA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT



O deputado estadual Júlio Campos (União), comentou hoje (7) sua derrota nas urnas. Ele obteve 18.517 votos e não conseguiu ser reeleito, ficando na primeira suplência. Na avaliação dele, a campanha majoritária do grupo, conduzida por Wellington Fagundes (PL), foi fraca e praticamente inexistente, principalmente no interior do estado. De acordo com Júlio Campos, a aliança firmada com Wellington resultou em um cenário de isolamento político e falta de estrutura nas bases eleitorais do interior.

"O candidato Wellington Fagundes não fez campanha, né? Não colocou a candidatura na rua, foi candidato apenas representando o PL, mas sem o entusiasmo. Vocês perceberam que no interior praticamente não existiu campanha do Wellington Fagundes", disparou.

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Essa falta de articulação e de capilaridade nas bases refletiu diretamente no desempenho das chapas proporcionais aliadas. O deputado ressaltou que esse contexto o deixou sem um palanque sólido, prejudicando sua estratégia de reeleição.

Júlio também classificou como constrangedora a postura da família Bolsonaro durante o pleito em Mato Grosso, criticando o tratamento dado a Wellington Fagundes por Michelle Bolsonaro e o presidenciável Flávio Bolsonaro nas gravações de apoio.

"Até porque foi muito vergonhoso aquela cena da família Bolsonaro não falando o nome dele [Wellington Fagundes]. A Michelle, o Flávio Bolsonaro gravou com o vice... Quer dizer, foi uma campanha constrangedora, cá entre nós"

WF fez menos votos que o número de abstenções

A apuração das Eleições Gerais de 2026 em Mato Grosso trouxe um dado que chamou atenção na disputa pelo Palácio Paiaguás. O total de pessoas que deixou de ir às urnas ou não votou foi maior do que a votação do senador Wellington Fagundes. Enquanto Wellington somou 430.442 votos (23,19%), o número de abstenções bateu em 585.274 pessoas, ficando bem acima da marca do candidato.

Com a derrota avassaladora, Wellington ficou muito atrás do líder da corrida ao governo, Otaviano Pivetta (Republicanos), que disparou na frente com 60,77% dos votos, somando 1.128.099 votos. Para Júlio Campos, essa discrepância expressiva nas urnas corrobora a tese de que a falta de engajamento e de uma campanha corpo a corpo consistente no interior do estado contribuiu de maneira decisiva para o enfraquecimento político do grupo e para a reconfiguração do mapa de poder em Mato Grosso.

Fim da era Campos

A derrota de Júlio e do seu grupo político tem um peso muito grande dentro do cenário político de Mato Grosso, já que a família Campos perpetuava no poder há mais de 50 anos. Júlio Campos entrou na política ainda nos anos 70. Foi prefeito de Várzea Grande entre 1973 e 1977 e, posteriormente, deputado federal, governador de Mato Grosso, deputado federal constituinte e senador da República.

Em 2010, voltou a conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados e, em 2022, foi eleito deputado estadual. A própria Assembleia Legislativa registra que ele atua há cerca de 50 anos na política mato-grossense e nacional.

Jayme Campos também construiu uma longa carreira política. Foi prefeito de Várzea Grande por três mandatos, governador de Mato Grosso entre 1991 e 1995 e senador da República em dois períodos. Após o término dos mandados de senador e deputado estadual este ano, os dois ficarão fora de cargos eletivos pelo menos até 2028, quando ocorrem as eleições municipais.

Veja o vídeo:

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