Thais Bem Fica/RepórterMT

Derrotado nas urnas, Júlio critica pouca mobilização do candidato ao governo, que teve votação inferior ao número de abstenções.
ANA ADÉLIA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O deputado estadual Júlio Campos (União), comentou hoje (7) sua derrota nas urnas. Ele obteve 18.517 votos e não conseguiu ser reeleito, ficando na primeira suplência. Na avaliação dele, a campanha majoritária do grupo, conduzida por Wellington Fagundes (PL), foi fraca e praticamente inexistente, principalmente no interior do estado. De acordo com Júlio Campos, a aliança firmada com Wellington resultou em um cenário de isolamento político e falta de estrutura nas bases eleitorais do interior.
"O candidato Wellington Fagundes não fez campanha, né? Não colocou a candidatura na rua, foi candidato apenas representando o PL, mas sem o entusiasmo. Vocês perceberam que no interior praticamente não existiu campanha do Wellington Fagundes", disparou.
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Essa falta de articulação e de capilaridade nas bases refletiu diretamente no desempenho das chapas proporcionais aliadas. O deputado ressaltou que esse contexto o deixou sem um palanque sólido, prejudicando sua estratégia de reeleição.
Júlio também classificou como constrangedora a postura da família Bolsonaro durante o pleito em Mato Grosso, criticando o tratamento dado a Wellington Fagundes por Michelle Bolsonaro e o presidenciável Flávio Bolsonaro nas gravações de apoio.
"Até porque foi muito vergonhoso aquela cena da família Bolsonaro não falando o nome dele [Wellington Fagundes]. A Michelle, o Flávio Bolsonaro gravou com o vice... Quer dizer, foi uma campanha constrangedora, cá entre nós"
WF fez menos votos que o número de abstenções
A apuração das Eleições Gerais de 2026 em Mato Grosso trouxe um dado que chamou atenção na disputa pelo Palácio Paiaguás. O total de pessoas que deixou de ir às urnas ou não votou foi maior do que a votação do senador Wellington Fagundes. Enquanto Wellington somou 430.442 votos (23,19%), o número de abstenções bateu em 585.274 pessoas, ficando bem acima da marca do candidato.
Com a derrota avassaladora, Wellington ficou muito atrás do líder da corrida ao governo, Otaviano Pivetta (Republicanos), que disparou na frente com 60,77% dos votos, somando 1.128.099 votos. Para Júlio Campos, essa discrepância expressiva nas urnas corrobora a tese de que a falta de engajamento e de uma campanha corpo a corpo consistente no interior do estado contribuiu de maneira decisiva para o enfraquecimento político do grupo e para a reconfiguração do mapa de poder em Mato Grosso.
Fim da era Campos
A derrota de Júlio e do seu grupo político tem um peso muito grande dentro do cenário político de Mato Grosso, já que a família Campos perpetuava no poder há mais de 50 anos. Júlio Campos entrou na política ainda nos anos 70. Foi prefeito de Várzea Grande entre 1973 e 1977 e, posteriormente, deputado federal, governador de Mato Grosso, deputado federal constituinte e senador da República.
Em 2010, voltou a conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados e, em 2022, foi eleito deputado estadual. A própria Assembleia Legislativa registra que ele atua há cerca de 50 anos na política mato-grossense e nacional.
Jayme Campos também construiu uma longa carreira política. Foi prefeito de Várzea Grande por três mandatos, governador de Mato Grosso entre 1991 e 1995 e senador da República em dois períodos. Após o término dos mandados de senador e deputado estadual este ano, os dois ficarão fora de cargos eletivos pelo menos até 2028, quando ocorrem as eleições municipais.
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