DO REPÓRTERMT
Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos) foram eleitas deputadas estaduais nesse domingo (4) e farão a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) voltar a ter duas mulheres escolhidas diretamente pelas urnas para mandatos titulares após 16 anos.
Com 100% das urnas apuradas, Samantha recebeu 57.900 votos e Alessandra somou 50.802. As duas estão entre os 24 deputados estaduais eleitos para a próxima legislatura.
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A última eleição em que duas mulheres conquistaram cadeiras titulares simultaneamente na Assembleia ocorreu em 2010, quando Luciane Bezerra e Teté Bezerra foram eleitas para a 17ª Legislatura, entre 2011 e 2015.
Nos pleitos seguintes, de 2014, 2018 e 2022, apenas uma mulher conseguiu se eleger deputada estadual em cada eleição: Janaina Riva (MDB).
Na atual legislatura, outras mulheres chegaram a ocupar cadeiras na ALMT na condição de suplentes. Em julho de 2025, a Assembleia registrou pela primeira vez três mulheres exercendo mandato ao mesmo tempo: Janaina Riva, como titular, além das suplentes Professora Graciele e Valdeniria Dutra.
Também passaram pela Casa como suplentes ao longo da 20ª Legislatura Sheila Klener, Sandy de Paula, Priscila Dourado e Marildes Ferreira.
Nas eleições de 2026, as mulheres representaram 34% das candidaturas registradas em Mato Grosso, mesmo percentual observado nas eleições gerais de 2022. O índice contrasta com o eleitorado feminino, que corresponde à maioria dos votantes no Estado.
Mesmo com a eleição de duas deputadas, Samantha e Alessandra ocuparão apenas 8,3% das 24 cadeiras da Assembleia.
Samantha do Abilio, de 42 anos, é designer de interiores e vereadora de Cuiabá. Eleita para a Câmara Municipal em 2024, chegará à ALMT para o primeiro mandato como deputada estadual.
Alessandra Ferreira, de 36 anos, é cirurgiã-dentista e empresária. Ela foi secretária municipal de Promoção e Assistência Social de Rondonópolis entre 2025 e 2026 e disputou neste ano sua primeira eleição para um cargo eletivo.
A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, já havia chamado atenção para a distância entre a participação das mulheres no eleitorado e a presença delas nos cargos públicos.
“A gente tem 51% dos eleitores que são mulheres. E por que elas não podem ter uma representatividade? Então a gente tem que melhorar essa cultura, conversar mais, trocar nossas experiências e fazer com que esse número comece a crescer também”, afirmou.
Para a cientista política Christiany Fonseca, o número de candidaturas femininas, por si só, não garante maior presença das mulheres nos parlamentos. Segundo ela, o avanço depende também do acesso às estruturas partidárias, recursos de campanha e condições para que as candidaturas sejam competitivas.
“É preciso conseguir entrar, competir, vencer e depois permanecer na política”, resumiu.
Samantha e Alessandra assumem os mandatos em 1º de fevereiro de 2027.








