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Ironei Santana é contador há mais de 30 anos, especialista em regularidade fiscal e mitigação de riscos, com atuação junto a médias e grandes empresas. Desenvolve projetos voltados à segurança tributária, governança e sustentabilidade empresarial.
IRONEI SANTANA
Quando falamos em risco fiscal, é comum que a primeira pessoa lembrada seja o contador. Afinal, é a contabilidade que está diretamente envolvida com apuração de tributos, obrigações acessórias e cumprimento das exigências fiscais.
Mas, na prática, o risco fiscal não pertence apenas à contabilidade. Ele é responsabilidade de toda a empresa.
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Uma decisão comercial, financeira ou operacional pode gerar consequências tributárias. A forma como um produto é vendido, o cadastro de uma operação, a contratação de um fornecedor, a emissão de uma nota fiscal ou mesmo uma informação registrada de maneira incorreta podem criar um problema que, muitas vezes, só será percebido quando já houver um custo para corrigi-lo.
É por isso que considero perigoso tratar o risco fiscal como um assunto restrito ao departamento contábil.
O contador tem um papel fundamental: interpretar a legislação, identificar inconsistências, orientar a gestão e contribuir para que a empresa esteja em conformidade. Mas ele não consegue, sozinho, controlar todas as decisões que acontecem dentro de uma organização.
Quem vende precisa entender que sua decisão pode ter impacto tributário. Quem compra precisa observar a documentação e a regularidade da operação. Quem administra precisa considerar os reflexos fiscais antes de tomar decisões estratégicas. Esse cuidado precisa fazer parte da cultura da empresa.
Outro ponto importante é que o risco fiscal nem sempre aparece de forma imediata. Uma decisão aparentemente simples pode produzir efeitos meses ou anos depois. Quando isso acontece, o custo de corrigir o problema pode ser muito maior do que o investimento necessário para preveni-lo.
Por isso, defendo uma atuação cada vez mais próxima entre a gestão e a contabilidade. O contador não deve ser procurado somente quando existe uma obrigação a entregar ou um problema a resolver. Ele precisa participar das discussões que envolvem decisões capazes de produzir impactos tributários.
Isso significa transformar a contabilidade em uma ferramenta de prevenção e tomada de decisão, e não apenas de cumprimento de obrigações.
Também é necessário estabelecer processos claros. A empresa precisa saber quem é responsável por cada informação, como os dados são conferidos e de que maneira as decisões são documentadas. Quanto maior a organização, maior a necessidade de controles eficientes.
Em um ambiente tributário complexo e em constante transformação, não existe espaço para decisões baseadas apenas em percepção ou hábito. Segurança fiscal depende de informação, planejamento e acompanhamento.
Por isso, quando alguém me pergunta quem é responsável pelo risco fiscal dentro de uma empresa, minha resposta é direta: todos são responsáveis, cada um dentro da sua função.
A contabilidade tem a responsabilidade técnica de orientar. A gestão tem a responsabilidade de decidir com informação. E as demais áreas precisam executar os processos de acordo com as orientações e controles estabelecidos.
Quando essas responsabilidades estão bem definidas, a empresa reduz a possibilidade de erros, identifica problemas com mais rapidez e consegue tomar decisões com maior segurança.
No fim, risco fiscal não deve ser tratado como um problema da contabilidade, mas como um tema de gestão. E quanto mais cedo a empresa entender isso, maior será sua capacidade de crescer de forma organizada, segura e sustentável.
Ironei Santana é contador há mais de 30 anos, especialista em regularidade fiscal e mitigação de riscos, com atuação junto a médias e grandes empresas. Desenvolve projetos voltados à segurança tributária, governança e sustentabilidade empresarial.







