Montagem/RepórterMT

O prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes de Oliveira (União Brasil), é investigado por desvio de R$ 29 milhões na prefeitura.
ANA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes de Oliveira (União Brasil), alvo da Operação Gomorra por suspeita de liderar um esquema de R$ 29 milhões em desvios e superfaturamento, efetivou uma nova compra com valores fora do padrão de mercado.
Entre os itens descritos no documento oficial, estão um difusor de aromas elétrico de 500 ml, com especificações incomuns como controle remoto e temporizador, que a prefeitura vai pagar R$ 694,06 por unidade à fornecedora, sendo que modelos com as mesmas características são encontrados no varejo comercial por valores que oscilam entre R$ 42,00 e R$ 105,00. A diferença comparativa entre o preço contratado e a referência mais alta encontrada no mercado chega a 563%.
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Com dinheiro já reservado no orçamento de 2026 da Secretaria Municipal de Educação, o prefeito contratou a empresa Vera Lucia Cruz Móveis & Ambientes Integrados Ltda para o fornecimento de materiais destinados a salas multissensoriais da rede pública de ensino. O investimento totaliza R$ 1.563.254,34. A liberação do pagamento integral está condicionada à entrega física dos materiais pela fornecedora, cujo prazo final se encerra na próxima quinta-feira (16).
O mesmo cenário de distorção de valores encontrado no difusor elétrico aparece na aquisição de caixas de luz escrevíveis. O município autorizou a compra de 10 unidades por R$ 6.793,55 cada. Para efeito de comparação, uma estrutura semelhante em madeira, acrílico translúcido e iluminação LED RGB é comercializada no mercado por cerca de R$ 1.044,90.
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A lista de compras também inclui aparelhos de ruído branco e kits de discos sensoriais de silicone. O gerador de ruído com 20 sons e saída USB sairá por R$ 580,10 a unidade para os cofres públicos, enquanto opções similares no comércio variam de R$ 72,90 a R$ 119,87. Já o kit com discos sensoriais, custa R$ 1.620,00 na licitação, mas possui equivalentes no mercado vendidos por valores entre R$ 99,90 e R$ 297,99.
Além das variações de preço, a documentação traz inconsistência técnica. Das 43 mercadorias listadas, 34 foram registrados apenas sob a denominação de “Marca Própria”, sem especificar o fabricante real ou o modelo de itens eletrônicos.
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Prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes de Oliveira, é alvo da Operação Gomorra.
Investigação
A divulgação dos valores ocorre em um momento em que a gestão do prefeito Alexandre Lopes de Oliveira é alvo de desdobramentos da segunda fase da Operação Gomorra. Conforme o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, o chefe do Executivo municipal teria se aproveitado diretamente do cargo para assinar quatro contratos suspeitos (nº 091/2024, 010/2024, 006/2024 e 113/2024), que somam mais de R$ 29 milhões.
Os investigadores do Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal (Naco) focam a apuração no desvio de quase 70 mil litros de combustível para particulares sem vínculo com a administração, no pagamento de locações de veículos inexistentes e na ratificação de despesas com manutenção de bens alheios ao patrimônio municipal.
De acordo com os autos, havia uma divisão de tarefas no Palácio Municipal baseada em "caronas" de atas de registro de preços viciadas. Enquanto o prefeito atuava como ordenador de despesas subscrevendo contratos e ratificando pagamentos, o primeiro escalão dava o suporte operacional: o secretário de Obras, Rubens Anunciação Júnior, e a servidora Olivete Gardim viabilizavam os contratos superpostos, enquanto os fiscais Almir da Silva Limas e Carlos Roberto Pimenta atestavam a regularidade de serviços não prestados e peças superfaturadas.
Para confirmar a má-fé do gestor, o magistrado determinou a quebra do sigilo fiscal da empresa Paulo Andreis e Cia Ltda e apontou que a análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos é central para a apuração da conduta.
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Prefeitura de Campo Verde está sendo investigada por esquema de R$ 29 milhões envolvendo o prefeito.
Operação Gomorra
A investigação que atinge Campo Verde teve origem em 2024, durante a primeira fase da investigação, que mirou o município de Barão de Melgaço. Na ocasião, auditorias nos contratos da empresa Centro América Frotas detectaram adulteração de notas fiscais, superfaturamento e o uso de um "cartão coringa" para desvio de combustíveis.
Nesta segunda fase, coordenada pelo Naco Criminal com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Justiça determinou o afastamento de quatro servidores de suas funções, bloqueou R$ 2,9 milhões em ativos de 13 investigados e apreendeu R$ 17 mil em espécie na residência de um dos alvos.
Por meio de vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o prefeito Alexandre Lopes alegou ser inocente e rebateu a afirmação de que seria o ponto central das denúncias. O gestor explicou aos seus seguidores que partiu dele, há mais de um ano, o pedido para que a Controladoria Interna da prefeitura realizasse uma auditoria nos contratos de frota e abastecimento para encaminhar os fatos aos órgãos de controle.
O prefeito questionou o fato de ser investigado por um ato que se limitou à assinatura de uma ata respaldada por parecer jurídico favorável da Procuradoria, assinalando ainda que mais de 100 prefeituras aderiram ao mesmo documento. Lopes informou que continuará colaborando com as investigações e manifestou confiança na apuração dos fatos.














