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Cuiabá, 01 de Junho de 2026
01 de Junho de 2026

01 de Junho de 2026, 16h:02 - A | A

POLÍCIA / PLANTONISTA FOI PRESO

“Totalmente irregular”, diz delegado sobre paciente amarrado antes de morrer em clínica de reabilitação em Cuiabá

Paciente de 38 anos morreu após ser amarrado em centro terapêutico da Capital; plantonista foi preso

LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT



O delegado Michael Paes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), apontou completa irregularidade por parte do Centro Terapêutico Pró-Vida, em Cuiabá, no uso de métodos de contenção aplicados aos internos. No domingo (31), o paciente Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, morreu no local após ter sido submetido a um desses procedimentos. Até o momento, apenas o plantonista da unidade, Odiley Rodrigues de Souza, de 42 anos, foi preso.

Com toda a certeza totalmente equivocado. Não deve ser feito esse tipo de contenção, em casos específicos exige algum tipo de contenção, mas é necessário um material adequado e em casos muito excepcionais. A própria situação que vitimou o Alessandro é totalmente irregular”, declarou em entrevista ao RepórterMT, ao ser questionado sobre as medidas adotadas pela clínica contra pacientes em surto. 

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Uma equipe da DHPP foi acionada por volta das 8h de domingo para atender uma ocorrência inicialmente tratada como suicídio. Essa versão foi apresentada por Odiley, que logo confessou ter forjado a cena por medo.

Em depoimento, ele relatou que o paciente, que sofria de esquizofrenia, apresentava surtos recorrentes e que, naquela ocasião, foi contido com o uso de uma corda em duas situações. “Com uma corda. [...] Deixamos ele amarrado um pouquinho até ele se acalmar. Depois que ele se acalmou, pegamos e soltamos ele. Deixamos a corda na porta, ele sempre causava, dava trabalho”, contou ao delegado após ser preso.

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Depois disso, Alessandro voltou a entrar em suposto surto por volta das 3h, momento em que teve novamente as mãos amarradas para trás. Ele teria sido deixado trancado com outros pacientes, segundo Odiley.

Por volta das 7h, Odiley foi até o quarto e diz ter encontrado o homem já sem vida. O plantonista alega ter desamarrado a vítima e acionado a polícia, ocasião em que simulou uma cena de suicídio. Alessandro estava com uma corda amarrada ao pescoço.

A Polícia Civil suspeita que o próprio plantonista tenha enforcado Alessandro ou, mesmo sem executar o enforcamento, o tenha imobilizado completamente e o abandonado, assumindo conscientemente o risco da morte. O acusado possui um extenso histórico de registros criminais por roubo, ameaça, violência doméstica, divulgação de cena de estupro, sexo ou pornografia, entre outros.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) que afirmou que está se inteirando das informações para poder se pronunciar sobre o ocorrido.

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Denuncias de pacientes

O delegado explicou ainda que, no decorrer das investigações, alguns pacientes relataram maus-tratos na unidade. No entanto, diante da complexidade do caso, por se tratar de pessoas com transtornos mentais, ele afirmou que as denúncias serão apuradas com rigor e ponderou sobre a delicadeza da situação.

“O que eu sei é que durante a nossa investigação que está se iniciando lá, outros internos alegaram maus-tratos, mas é uma situação complexa. A gente está falando de pessoas que em sua maioria são esquisofrênicas ou que tem algum tipo de doença mental”, frisou.

Ainda em interrogatório, Odiley afirmou que havia uma enfermeira responsável por aplicar medicações nos pacientes quando necessário, mas ela estaria de férias e não foi substituída.

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