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14 de Maio de 2024, 12h:30 - A | A

POLÍCIA / OPERAÇÃO APITO FINAL

Servidor da Limpurb é preso acusado de ser "testa de ferro" de líder de facção

Operação cumpriu mandados contra comparsas de Paulo Witer, o WT. Esquema de facção movimentou R$ 65 milhões.

PJC/MT

GCCO cumpriu mandados de prisão nesta terça

GCCO cumpriu mandados de prisão nesta terça

THIAGO STOFEL
REPÓRTERMT



A Gerência de Combate ao Crime Organizado cumpriu na manhã desta terça-feira (14) dois mandados judiciais de prisão e busca e apreensão, contra investigados da “Operação Apito Final”, em um desdobramento que apurou a participação de novos envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro liderado pelo criminoso líder de facção, Paulo Witer Faria, vulgo “W.T”. Entre os alvos, está um servidor municipal de Cuiabá da Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb), identificado como Paulo Vinícius Gabriel de Araújo

Paulo seria "testa de ferro" e comparsa de WT. Estava no nome dele o apartamento em que o traficante morava e ele e desempenhava tarefas como a de movimentar a tornozeleira eletrônica do líder de facção, enquanto ele não estava em Cuiabá. O servidor foi exonerado ainda nesta terça-feira.

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A GCCO também apurou que o homem e uma mulher, ela moradora do Jardim Florianópolis, constavam como proprietários e de um apartamento em um edifício de alto padrão na capital, contudo, quem passou a residir no imóvel foi Witer, logo após sair da Penitenciária Central do Estado, em dezembro do ano passado, quando teve a progressão para o regime semiaberto autorizada pela Justiça.

A polícia apurou que o investigado não teria condições financeiras de adquirir um imóvel como o que constava em seu nome. Ele é contratado da empresa pública de limpeza urbana da capital e tem um salário bruto mensal de R$ 3.643,12.

“Ou seja, todas as informações levantadas reforçam mais uma manobra do principal alvo da operação Apito Final em ocultar seu patrimônio criminoso”, comentou o delegado Rafael Scatolon.

Durante o cumprimento dos mandados, a equipe policial apreendeu na residência de um dos investigados um veículo Toyota Corolla que teve mandado de sequestro determinado na primeira fase da operação Apito Final.

A Polícia Civil apurou que dias antes da deflagração da Operação Apito Final, o servidor público foi ao apartamento de Paulo Witer e retirou do local objetos que pudessem comprometer o investigado principal. Witer foi preso pela Polícia Civil no dia 29 de março, em Maceió (AL). Na mesma data, horas após a prisão, o atual investigado foi ao apartamento e saiu do imóvel carregando uma sacola com vários objetos, entre eles a tornozeleira, desativada em seu apartamento, minutos após a prisão de Paulo Witer.

Operação Apito Final

Em uma investigação que durou quase 2 anos, a GCCO apurou centenas de informações e análises financeiras que possibilitaram comprovar o esquema liderado por Paulo Witer para lavar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas. Para isso, ele usou comparsas e familiares como testas de ferro na aquisição de bens móveis e imóveis para movimentar o capital ilícito e dar aparência legal às ações criminosas.

A operação foi deflagrada no dia 2 de abril, com a finalidade de descapitalizar a organização criminosa e cumprir 54 ordens judiciais, que resultaram na prisão de 20 alvos, entre eles o líder do grupo, identificado como tesoureiro da facção, além de responsável pelo tráfico de entorpecentes na região do Jardim Florianópolis.

No bairro, Witer montou uma base para difundir e promover a facção criminosa agindo também com assistencialismo por meio da doação de cestas básicas e eventos esportivos.

A investigação da GCCO apurou que o esquema movimentou R$ 65 milhões na aquisição de imóveis e veículos. As transações incluíram ainda criação de times de futebol amador e a construção de um espaço esportivo, estratégias utilizadas pelo grupo para a lavagem de capitais e dissimulação do capital ilícito.

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