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18 de Dezembro de 2013, 18h:59 - A | A

POLÍCIA / OPERAÇÃO \'GEIA\'

PF acusa advogados de participação e revela como era a fraude de títulos do Incra

Clique no player e ouça o delegado da PF explicando como funcionava o esquema de fraudar títulos de terras do Incra

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Delegado da PF revela como funciona esquema de fraude de títulos de terras do Incra

Delegado da PF revela como funciona esquema de fraude de títulos de terras do Incra

ABDALLA ZAROUR
DA REDAÇÃO



O delegado da Polícia Federal de Mato Grosso, Jesse James Rodrigues, revelou a jornalistas durante entrevista coletiva sobre o andamento da Operação Geia na manhã desta quarta-feira (18), como funcionava o esquema de falsificação de títulos de terras supostamente expedidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Mato Grosso.

De acordo com o delegado, o esquema funcionava da seguinte forma: primeiro era preciso conseguir um título original junto ao Incra. Depois a quadrilha colocava informações falsas nesse documento. Na sequência, arranjava uma agrimensor pra fazer a memória descritiva da propriedade e com essas documentações o estelionatário já podia se dirigir a um cartório e apresentar para a regularização dessa terra.

Depois dessa terra regularizada, a quadrilha vai em outros órgãos públicos e faz a regularização dela junto a Receita Federal, enfim, tem o titular que todo o ano vai pagar o tributo, explicou o delegado. 

Esse é o ‘modus operandi’ da quadrilha que fraudou cerca de 27 propriedades em Pontes e Lacerda e outras 46 em Comodoro. Duas dessas propriedades, que tiveram a regularização por fraude, foram vendidas a fazendeiros da região pelo valor, cada uma, de R$ 1 milhão. Segundo o delegado, os compradores queriam utilizar a área comprada como compensação de reserva ambiental.

De acordo com as investigações, a venda ocorreu com o preço praticado no mercado de venda e compra de terras, por isso, os fazendeiros compraram sem saber que estavam caindo em um golpe. De acordo com a PF, a maioria das propriedades que foram fraudadas tinham em média 500 hectares.

A Polícia Federal também destaca a participação de advogados no esquema. A organização criminosa contaria ainda com assessores técnicos, constituída por advogados, que davam orientações quanto ao trâmite jurídico, e laranjas, que emprestavam seus nomes para figurarem como proprietários. O delegado disse que tem nomes conhecidos da sociedade no esquema, porém, para não atrapalhar as investigações, ele não quis revelar.

Para desarticular o esquema criminoso, a PF cumpriu 10 mandados de busca e apreensão nas cidades Pontes e Lacerda, Cuiabá, Rondonópolis e Rolim de Moura, em Rondônia.

A PF investiga se há participação ou não de servidores do Incra no esquema. É que segundo o delegado que comanda a Operação, Jesse James Rodrigues, da delegacia de Cáceres, os títulos eram verdadeiros, mas as informações contidas nos documentos eram falsas. “A nossa intenção é descobrir se há participação de servidores”, comentou.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações começaram nos anos de 2007 e 2009. Segundo Rodrigues, informações repassadas por órgãos públicos deram início aos trabalhos. “Os títulos datavam de 94 a 98, mas só foram apresentados para a regularização em 2007 e isso que acabou chamando a atenção da investigação. Como é que você tem um título, não faz uso dele e só o apresenta quase duas décadas depois”, disse.

A Polícia Federal ainda não sabe quantas pessoas foram beneficiadas com o esquema e nem quantas tiveram prejuízos, mas muitas das vítimas são laranjas no esquema, pois tiveram suas informações pessoais para a elaboração dos documentos que iriam ser regularizados pela quadrilha.

A compra das terras irregulares eram usadas na maioria das vezes para ser regularizada junto à Sema como compensação de reserva ambiental e como garantias de financiamentos bancários.

O nome da operação foi extraído da deusa grega que simboliza a terra, em face dos delitos apurados envolverem fraudes relacionadas a títulos falsificados do INCRA.

O delegado disse que a investigação deve levar mais quatro meses e só depois o inquérito será remetido ao Ministério Público Federal para ser oferecida denúncia.

De acordo com Rodrigues, alguns crimes já foram identificados, como: formação de quadrilha, invasão de terras públicas, falsidade ideológica.

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