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teve acesso à lista com os nomes dos 25 alvos da Operação Doce Amargo – Acorde Final, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso na manhã de hoje (30), com objetivo de desarticular uma complexa facção criminosa especializada no tráfico interestadual de drogas. A operação representa a fase conclusiva de uma série de investigações iniciadas em 2023, que revelou uma rede de narcotraficantes atuando na Baixada Cuiabana com ramificações em outros estados.
Foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão domiciliar. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados, além do sequestro de veículos utilizados nas atividades ilícitas. Entre os alvos está Jimi Hendrix Alves da Silva, que já havia sido preso em 2024 em outra fase da operação.
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As ordens judiciais estão sendo cumpridas em quatro estados do país, nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande (MT), Tefé (AM), Rio de Janeiro (RJ) e Natal (RN), evidenciando o caráter interestadual da facção criminosa.
As investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) iniciaram em 2023, conseguindo identificar uma extensa rede de tráfico estruturada com divisão organizada de funções, incluindo fornecedores, intermediários, distribuidores e responsáveis pela logística de transporte e armazenamento.
Para a prática da atividade ilícita, o grupo utilizava locais fixos para armazenamento de drogas, conhecidos como "casas-cofre", estabelecia rotas de fornecimento interestadual e movimentava grandes quantidades de maconha, cocaína e haxixe de forma coordenada e contínua.
A análise dos dados obtidos por meio de investigações anteriores, aliado ao trabalho de campo da equipe de investigação demonstrou que os investigados mantinham fornecedores em outros estados, especialmente no Rio de Janeiro e Amazonas, e discutiam em várias oportunidades a viabilidade do transporte de entorpecentes por meio de encomendas pelos Correios e transportadores. O grupo também estruturou um sistema paralelo de movimentação financeira, utilizando transações via Pix para pagamento das drogas e ocultação dos valores ilícitos.
Os investigados respondem pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. O cumprimento dos mandados conta com o apoio das unidades da Diretoria de Atividades Especiais (DAE), Diretoria Metropolitana, Delegacia de Polícia de Campo Novo do Parecis, bem como unidades de outros estados: Delegacia de Tefé (AM), Denarc de Natal (RN), e 12ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro (RJ).
Veja abaixo todos alvos da operação:
- Jimi Hendrix Alves da Silva;
- Kemilly Karisia Soares Magalhaes;
- Marlize de Lima Rodrigues;
- Felipe Augusto dos Santos Gomez;
- Matheus Nacor Carvalhedo de Arruda;
- Wender Brayon Nanyny de Souza;
- Everton de Oliveira Silva;
- Altivan Calvario de Barros;
- Adriano de Oliveira Leme Braz;
- Douglas da Silva Moreira;
- Jeferson Pereira da Silva;
- Pedro Eloy Ribeiro Astorga;
- Davi Benedito dos Santos Filho;
- Gabryel Lucas Rodrigues de Oliveira;
- Romulo Vinicius Martins;
- Wellington Rafael Santos da Silva;
- Arthur Canedo Gonçalves;
- Byron de Souza Prado;
- Gilmar Augusto Queiroz de Amorim;
- Pablo da Costa Cortez;
- Benedito Lucas da Silva Monteiro;
- Lucas Vedana Scheis;
- Thaina Louise de Paula Lopes;
- Helio de Oliveira Junior;
- Ronald Velasco de Souza.
Modo de ação e movimentações
Foi identificado que os investigados alteravam constantemente seus endereços residenciais, possivelmente com intuito de dificultar as investigações policiais e obstruir suas localizações.
Durante os meses de investigação, a análise dos dados revelou ainda que o grupo realizava negociações quase diárias com registros de comercialização de grandes quantidades de entorpecentes. Em um dos casos, chegou a realizar a negociação de um lote contendo 300 kg de drogas, dos quais 200 kg já haviam sido comercializados.
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O sistema financeiro da facção também chamou atenção, uma vez que os pagamentos eram centralizados em contas específicas, com movimentações constantes via Pix. Os valores eram repassados entre os integrantes do grupo de forma organizada, com alguns investigados recebendo porcentagens sobre as vendas realizadas.
Segundo o delegado responsável pela coordenação da operação, Marcelo Miranda Muniz, a investigação evidenciou a gravidade e complexidade da facção criminosa desarticulada, demonstrando que o grupo operava com divisão de tarefas bem definida e hierarquia estruturada.
“Identificamos coordenadores responsáveis pelas negociações, intermediários que recebiam e repassavam pedidos, distribuidores que mantinham casas-cofre para armazenamento, e operadores financeiros que movimentavam os recursos ilícitos através de contas bancárias. O volume de recursos movimentados e a ampla rede de contatos evidenciam a periculosidade do grupo e a necessidade de repressão qualificada", detalhou.
De acordo com o delegado titular da Denarc, Wilson Cibulskis, a medida representa um importante passo no enfrentamento ao tráfico de drogas e na descapitalização de facções criminosas. “Além de retirar entorpecentes de circulação, nosso objetivo é atingir também o patrimônio usado pelos criminosos para manter suas atividades ilícitas", destacou.
Doce Amargo - Acorde Final
O nome da operação integra uma série de operações sucessivas batizadas com o termo “Doce Amargo”, desenvolvidas pela Denarc para combater o tráfico de drogas interestadual. O termo 'Doce Amargo', além de fazer alusão às drogas sintéticas comercializadas, traduz, de forma simbólica, a dicotomia existente no mundo do tráfico: uma atividade que, embora prometa ganhos fáceis e aparentes benefícios, conduz inevitavelmente a consequências amargas para todos os envolvidos.
O subtítulo “Acorde Final” representa o encerramento de um importante ciclo investigativo representando o desfecho das ações de inteligência, vigilância e coleta de elementos probatórios, culminando na neutralização desse núcleo criminoso, com forte impacto no mercado ilícito de drogas da baixada cuiabana.
A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil por meio da operação Inter Partes, dentro do programa Tolerância Zero, do Governo de Mato Grosso, que tem intensificado o combate às facções criminosas em todo o Estado.













