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16 de Setembro de 2026

16 de Setembro de 2026, 16h:27 - A | A

POLÍCIA / AMOR BANDIDO

Missionárias faziam rodízio sexual dentro da cadeia: “Vai ser um por um”

Mensagens analisadas pela investigação mostram integrante do “Resgatando Vidas” planejando encontros separados com diferentes detentos para evitar que eles ficassem “brigados”.

Reprodução

Missionárias usavam tempo em visitas para fazer rodizio sexual em penitenciaria de Mato Grosso

Missionárias usavam tempo em visitas para fazer rodizio sexual em penitenciaria de Mato Grosso

VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT



Integrantes do grupo religioso Resgatando Vidas, que tinha acesso à Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, são apontadas pela Polícia Civil como participantes de um esquema de "rodízio sexual" com diferentes presos, alguns deles identificados nas investigações como lideranças de uma facção em Mato Grosso. 

O caso aparece em relatório técnico da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), produzido a partir da análise de dados extraídos da conta iCloud de Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida. Segundo os investigadores, as conversas revelam que os vínculos mantidos pelas integrantes do projeto extrapolavam de forma significativa a assistência religiosa, envolvendo relacionamentos amorosos, contato direto com presos e expectativa de benefícios financeiros.

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Um dos diálogos destacados pela Polícia Civil envolve Wiara Lima Cadore. Em novembro de 2025, ela afirmou que pretendia visitar diferentes presos separadamente, para evitar desentendimentos entre eles.

“Gata, cada dia eu vou visitar um. Você acha que eu venho? Vou aproveitar a feriado, porque é dia de presídio. Vou aproveitar a sexta-feira, porque é dia de presídio. Gata, vai ser um por um, para nenhum ficar brigado um com o outro. Então vou visitar todos”, afirmou Wiara.

Para a Polícia Civil, a conversa demonstra o planejamento de visitas individualizadas a diferentes detentos e teria conteúdo “afetivo e pessoal incompatível com uma atuação exclusivamente religiosa”.

Em outra conversa, Wiara relatou ter acabado de sair do presídio após encontrar um detento. Na sequência, Karolina Lopes Padilha perguntou, em tom de deboche, se Rhavenna havia “segurado a cortina” para ela. Wiara respondeu: “Segurou muito bem”. A Polícia Civil avaliou que o diálogo tem “evidente conotação sexual” e reforça a tese de que os encontros ultrapassavam a assistência espiritual.

As mensagens analisadas também mostram integrantes do grupo tratando presos como namorados ou pretendentes. Em uma das conversas, foram citados Pedro Antônio dos Santos, o “Pedrinho” ou “Cotonete”; Renildo da Silva Rios, o “Velhote” ou “Chapa”; e Luiz Fagner Gomes dos Santos, o “Zóio”. A investigação afirma que alguns desses presos ocupavam posições relevantes dentro da facção.

Wiara fazia parte do “Resgatando Vidas” ao lado de Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves, Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos, Karolina Lopes Padilha e Lais Barbosa Lopes.

A Polícia Civil sustenta que integrantes do grupo aproveitavam o acesso concedido para atividades religiosas na PCE para manter contato com presos ligados a uma facção criminosa. A apuração passou a investigar se a atuação apresentada como missionária também servia para transmitir informações e atender a interesses de detentos.

Entre os principais alvos da investigação está Rhavenna, apontada pelo Gaeco como próxima de Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman” ou “K9”, e de Renildo Silva Rios, conhecido como “Veio”, “Chapa” ou “Velhote”. A acusação afirma que integrantes do núcleo familiar também teriam participado de movimentações financeiras relacionadas a membros da organização criminosa.

As investigações resultaram em denúncia contra Rhavenna, Renildo, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany e Lo Rhuama.

Wiara não está entre os seis denunciados nesse processo. Conforme a apuração anterior, ela foi indiciada por falso testemunho, assim como Jéssi, Karolina e Lais. A situação das quatro seria analisada separadamente para eventual acordo de não persecução penal.

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