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15 de Dezembro de 2016, 17h:56 - A | A

POLÍCIA / MORTE NO TREINAMENTO

Laudo do IML aponta que aluno bombeiro morreu vítima de AVC

O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (15). O exame aponta que Rodrigo Lima Claro, 21, não tinha doença pré-existente

LUIS VINICIUS
DA REDAÇÃO



O aluno soldado do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, que morreu no dia 15 de novembro, após participar de uma aula prática na Lagoa Trevisan, em Várzea Grande, foi vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

A informação é do Instituto Médico Legal (IML), que divulgou o laudo histopatológico da morte de aluno, nesta quinta-feira (15).

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Após passar mal na aula prática, Rodrigo ficou internado por cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Jardim Cuiabá.

A família do aluno alegou que houve tortura e omissão de socorro por parte da instrutora, tenente BM Izadora Ledur.

De acordo com o secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, o parecer divulgado pelo IML deixa claro que o aluno não tinha doença pré-existente, antes de ingressar no 16º Curso de Formação de Soldado Militar.

“O laudo divulgado pelo IML apontou que Rodrigo sofreu um acidente vascular cerebral, mas isso não imputou a uma doença pré-existente. No entanto, o laudo não foi capaz de identificar qualquer conduta externa cometida pelos instrutores do curso em que Rodrigo participava”, explicou ao .

Mesmo não apontando excesso por parte dos instrutores, Jarbas disse que a investigação sobre a morte do aluno vai continuart tanto da parte da Polícia Civil, pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), como da parte do Corpo de Bombeiros, com o Inquérito Policial Militar (IMP).

"Alguns elementos serão considerados, mas os depoimentos serão fundamentais. São os alunos, a postura deles, que vão indicar o que aconteceu. A finalidade das investigações é obter a verdade. Então, eles optaram por ouvir todos os alunos, instrutores, coordenação. Enfim, todos que participaram desse processo, porque o que queremos é a verdade”, completou.

O secretário acrescentou que as investigações estão bem adiantadas e que, se for necessário, o prazo de encerramento do inquérito pode ser prorrogado.

“Todas as testemunhas serão ouvidas, somente elas poderão esclarecer o que, de fato, ocorreu nos treinamentos. Os depoimentos estão sendo realizados e esperamos ter um resultado até o começo de janeiro”, disse.

O inquérito aberto pelo pelo Corpo de Bombeiros deve ser concluído até o final deste mês. Já a investigação pela DHPP deve ser concluída até janeiro de 2017.

Relembre o caso

No dia 11 de novembro, Rodrigo queixou-se de dor de cabeça, durante a realização das aulas.

O aluno realizava uma travessia a nado na Lagoa Trevisan e, quando chegou à margem, informou à instrutora que não conseguiria terminar a aula.

Em seguida, segundo os bombeiros, ele foi liberado e retornou ao batalhão, no bairro Verdão, e se apresentou à coordenação do curso para relatar o problema de saúde. O jovem foi encaminhado a uma unidade de saúde e sofreu convulsões.

No dia em que passou mal, Rodrigo relatou à mãe sua angústia em participar das aulas práticas comandada pela tenente Isadora Ledur.

Em uma das mensagens no aplicativo WhatsApp, enviadas para a mãe, ele disse que estava “meio que prometido”. E a sua mãe disse que tudo seria “somente pressão”.

Na conversa por meio do aplicativo, Rodrigo afirma que a tenente Isadora estava "pegando em seu pé". “E hoje ela vai tá lá. Por isso fico com medo”, escreveu o rapaz, na mensagem.

Após o treinamento, Rodrigo voltou a conversar com a mãe. A última mensagem que Jane teve com o filho foi ao final do dia, antes de ser internado em coma. “Não consegui. Estou mal. Vou para a coordenação”, teria dito Rodrigo à mãe.

Depois disso, Jane só foi comunicada que Rodrigo tinha tido duas convulsões e que seria transferido para um hospital particular.

O rapaz ficou em coma até na madrugada de quarta-feira (16), quando foi confirmada sua morte.

Diante disso, a família do aluno acusa a tenente de tortura e aponta omissão de socorro da corporação em relação ao mal-estar que Rodrigo sentiu ainda na Lagoa Trevisan.

“No início da travessia, pelo que me foi passado pelos colegas, a menos de dez metros que ele estava nadando na lagoa para fazer a travessia, a tenente começou a afoga-lo, segurando na cintura dele e levando para o fundo da lagoa”, afirma Jane Patrícia, mãe de Rodrigo.

 

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Márcia Aguiar 16/12/2016

Mesmo sendo um AVC a causa da sua morte, indiretamente a tenente foi culpada e deve pagar pelos seus erros, pois se ela viu que o aluno estava mal, deveria ter liberado ele e prestado socorro, lutemos por pessoas mais humanas,sem mãos de ferro.

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