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19 de Novembro de 2016, 07h:40 - A | A

POLÍCIA / ALUNO MORREU

Treinamento de bombeiros pode mudar se comprovado excesso de tenente

Em entrevista exclusiva ao RepórterMT, o secretário de Segurança do Estado, Rogers Jarbas afirmou que as mudanças ocorrerão se o inquérito comprovar que houve excesso no treinamento em que Rodrigo Claro, passou mal e depois de 5 dias internado morreu.

LUIS VINICIUS
DA REDAÇÃO



Diante da polêmica morte de Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, que morreu após passar mal em treinamento do curso de formação do Corpo de Bombeiros, o secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp), Rogers Jarbas, afirmou em entrevista ao , que pode mudar a dinâmica das atividades para o ingresso na corporação, apontadas como excessivas por familiares.

"Eu espero que tenha sido uma eventualidade ou uma questão de mal súbido sofrido pelo aluno. Se não for isso, a investigação vai apontar e ai sim, eu vou ter que atuar junto com integrantes do Corpo de Bombeiros para mudar a dinâmica de ensino do Corpo de Bombeiros", declarou o secretário de Segurança ao RepórterMT.

A mudança, segundo Rogers, será efetivada se comprovada a prática de excessos nas aulas práticas.

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No caso da morte de Rodrigo, familiares afirmam que ele temia a tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps, uma das responsáveis pelas aulas práticas, e a qual ele afirmava que estaria o perseguindo. No dia 11 de novembro, quando passou mal no treinamento realizado na Lagoa Trevisan, em Várzea Grande, familiares dizem que o aluno do curso de soldados teria sido submetido à sessões de afogamento. Após reclamar de dor de cabeça, Rodrigo teve convulsões e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital Jardim Cuiabá, em coma. Ele morreu cinco dias após dar entrada no hospital.   

"Eles [IML] estão fazendo um estudo para saber se ele tinha ou não uma doença pré-existente. Se ele já tinha essa patologia, e há fortes indícios pra isso, eu não posso dizer que houve falha no treinamento", revelou Rogers Jarbas.

O secretário afirmou que antes de qualquer decisão vai esperar a conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM). “Eu não posso afirmar agora se houve excesso ou não. Eu não posso falar porque tenho que aguardar o laudo pericial que vai apontar se houve irregularidades por parte dos instrutores. O que eu posso dizer é que se não houve excesso, nós não temos que falar em mudança de treinamento. O curso do bombeiro é extremamente técnico. Eu espero que tenha sido uma eventualidade ou uma questão de mal súbito sofrido pelo aluno. Se não for isso, a investigação vai apontar e ai sim, eu vou ter que atuar junto com integrantes do Corpo de Bombeiros para mudar a dinâmica de ensino do Corpo de Bombeiros. Isso é o mínimo que eu posso fazer. No entanto, a gente precisa aguardar o resultado final dom inquérito”, explicou o secretário.

O secretário disse que existem fortes indícios de que Rodrigo tinha alguma doença pré-existente que possa ter ocasionado complicações que levaram à morte. “Nós só podemos afirmar que houve um equívoco a partir do laudo do Instituto Médico Legal (IML). Eles estão fazendo um estudo para saber se ele tinha ou não uma doença pré-existente. Se ele já tinha essa patologia, e há fortes indícios pra isso, eu não posso dizer que houve falha no treinamento. Se ele tinha essa doença e foi colocado sob esforço físico e faleceu, isso não foi falha. Agora, se ele não tinha essa doença e se isso foi ocasionado por atividades do treinamento aí eu tenho uma evidência para mostrar que o treinamento está errado. Por isso, nós temos que aguardar o resultado final da perícia para analisar o que será feito”, pontuou.

“O aneurisma é uma doença que não é detectável. Ela só é detectável por meio de exames de tomografia e isso não é exigido no ingresso do curso". 

Segundo o secretário de Segurança Pública, a suposta doença que do soldado seria um aneurisma. Ele argumenta, que apesar dos exames pelos quais os classificados passam, antes de ingressar no curso de formação, a patologia não é demonstrada nos mesmos. “O aneurisma é uma doença que não é detectável. Ela só é detectável por meio de exames de tomografia e isso não é exigido no ingresso do curso. Uma pessoa que tem aneurisma pode falecer caminhando na calçada, ou até pulando um obstáculo. Então, essa doença não é algo que possa ser identificado dentro dos exames ordinários. Não tem como saber. E lá, no Corpo de bombeiros, eles tomam cuidado com exames de sangue, exames de capacidade física, mas muitas vezes um aneurisma, se por ventura for isso, isso é fatídico, qualquer um poderia morrer nessas circunstâncias”, explica.

"Ela não vai ser rebaixada, porque o processo aconteceu antes do fato. Mas a publicação da promoção dela ainda não feita", ressaltou sobre a situação da tenente acusada pela família.

Promoção de acusada

Rogers Jarbas não entrou em detlahes sobre a promoção de patente, da tenente BM Izadora Ledur, que é acusada pela família do aluno de tortura, mas pontuou que não existe a possibilidade de ela regredir de cargo, mesmo que seja comprovada irregularidade no treinamento. “Eu estou fazendo uma análise junto com o comando do Corpo de Bombeiros para ver que medida nós vamos adotar. Agora, não é caso para rebaixamento de patente. Ela não vai ser rebaixada, porque o processo aconteceu antes do fato. Mas a publicação da promoção dela ainda não feita. Nós estamos analisando junto com a comissão e o Comando Geral do Corpo de Bombeiros o que de fato aconteceu”, concluiu.

Polícia Civil abre inquérito

Na quinta-feira (17), a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar a morte do aluno do curso de formação do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Claro. De acordo com a delegada Anaíde Barros, devem ser ouvidos durante oitivas nos próximos dias os colegas de curso e a tenente responsável pelas atividades na Lagoa Trevisan. 

Aproximadamente 30 alunos participavam do curso e eram supervisionados por cinco coordenadores, entre eles a tenente Izadora e um tenente coronel. Todos que estavam no local serão ouvidos, segundo a Polícia Civil. A tenente, responsável pelas atividades já foi afastada do cargo que ocupa.

Medo da oficial

Antes de seguir para o treinamento, Rodrigo relatou à mãe, Jane Lima Claro, sua angústia em participar das aulas práticas comandada pela tenente. Em uma das mensagens de WhatsApp, enviadas para a mãe no dia do treinamento, Rodrigo disse que estava “meio que prometido”. Fato que foi rebatido pela mãe: “somente pressão”.

Em seguida, Rodrigo teria dito à mãe que a tenente estava "pegando em seu pé". E hoje ela vai tá lá. Por isso fico com medo”, escreveu o rapaz.

Após o treinamento, Rodrigo voltou a conversar com a mãe. A última mensagem que ela recebeu do filho foi ao final do dia, antes de ser internado em coma. “Não consegui. Estou mal. Vou para a coordenação”, teria dito Rodrigo à mãe.

Depois disso, Jane só foi comunicada que Rodrigo tinha tido duas convulsões e que estava na Políclinica do bairro Verdão, próximo ao 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros. Ela teria sido contacta para a liberação do filho para o hospital.

O rapaz ficou em coma até na madrugada de quinta-feira (16), quando foi confirmada a morte.

 

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Comente esta notícia

Rocha 19/11/2016

Agora estão querendo colocar culpa no aluno, dizendo que ele tinha uma doença pré existente. Palhaçada mesmo. Governo hipócrita.

Lidiane 19/11/2016

Kkkkkkkkkk Sério que este senhor é secretário? Nossa muito bom saber que tipo de secretário nós temos e principalmente que tipo de corpo de bombeiros temos. É mais uma vez a impunidade se fazendo valer

Marcos 19/11/2016

Se confirmado? Tá de brincadeira ou é lunático e sem noção esse secretário! Ooooooooo camarada morreu uma pessoa! Sei que não é seu parente mas é um ser humano se é que me entende.

Gilstinho 19/11/2016

Ja estão querendo culpar o morto. Segundo a reportagem, o secretário, ta procurando saber se o MORTO, ja tinha ou não uma doença pré-existente. Se ele já tinha algumas patologia. Uma coisa é certa, não minha opinião, se ele já tinha qualquer doença antes, o erro é do Estado de MT que passou o aluno no concursos e matriculou no curso por estar APTO.Tem que arcar com as responsabilidade o Estado,ja que a vitima, ja tinha conquistado em vida, todos os direitos sendo APTO para fazer o treinamento. Agora querer buscar um álibis pra defender o Estado das suas responsabilidade, ai é querer dar um tapa na cara da sociedade mato-grossense. tava esquecendo: não conheço nem sou amigo da família ok.

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