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06 de Novembro de 2026, 12h:49 - A | A

POLÍCIA / R$ 35 MILHÕES

Empresário citado em investigação sobre venda de sentenças no TJMT é acusado de vender fazenda em Mato Grosso com procuração falsa

Matheus Furia Buzetti e a Trust Agro são processados pela família Spinola Cunha; Justiça determinou arresto da Fazenda Camila, em Pontal do Araguaia

Divulgação

Matheus Buzetti e a Trust Agro são réus em disputa judicial envolvendo a Fazenda Camila.

Matheus Buzetti e a Trust Agro são réus em disputa judicial envolvendo a Fazenda Camila.

DO REPÓRTERMT



O empresário Matheus Furia Buzetti, citado na investigação sobre suspeitas de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), é acusado pela família Spinola Cunha de usar uma procuração falsa para vender a Fazenda Camila, em Pontal do Araguaia. Ele e a Trust Agro Company Holding respondem a uma ação na qual os autores afirmam ter negociado apenas metade da propriedade, posteriormente transferida por inteiro a outros compradores.

A disputa levou a Justiça de São Paulo a determinar o arresto das duas matrículas da fazenda, para evitar uma nova alienação.

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A ordem de arresto foi assinada em 19 de outubro pelo juiz Sergio Martins Barbatto Junior, da 6ª Vara Cível de São José do Rio Preto, no processo 4038836-84.2026.8.26.0576. A decisão determinou o arresto das matrículas 82.841 e 82.842, registradas no 1º Cartório de Registro de Imóveis de Barra do Garças. Leia a decisão na íntegra.

A ação contra o empresário e a holding tem valor atribuído de R$ 16.307.326,43. Esse montante corresponde ao valor da causa, e não a uma indenização já concedida.

Na decisão consultada pelo RepórterMT, o magistrado registra que o primeiro contrato previa a venda de 50% da Fazenda Camila, incluindo gado e maquinário, por R$ 15 milhões. Os autores sustentam que o pagamento não foi concluído.

Segundo a versão da família reproduzida na decisão, houve pagamento parcial da primeira parcela, quitação das parcelas de 2021 e 2022 e pagamento de parte da prestação de 2023.

Entre as pendências apontadas estão R$ 404,3 mil da primeira parcela, R$ 2,5 milhões que seriam quitados mediante entrega de imóvel, o restante da parcela de 2023, a prestação de 2024 e R$ 375 mil referentes à venda de gado. São valores alegados pelos autores, ainda sujeitos à discussão no processo.

A acusação de falsificação está relacionada a uma segunda negociação. Conforme o relato dos autores registrado pelo juiz, uma procuração falsa em nome dos proprietários teria sido usada para transferir a totalidade da fazenda a outros compradores. A decisão descreve esse negócio como uma venda de R$ 35 milhões.

O magistrado destacou que as duas operações têm consequências jurídicas diferentes. A ação paulista discute a rescisão do primeiro contrato por falta de pagamento. Já a validade da transferência posterior é discutida na Justiça Federal. Desfazer o primeiro negócio, portanto, não anula automaticamente o segundo.

Ao determinar o arresto, o juiz registrou que as matrículas já estavam submetidas a ordens de indisponibilidade das Justiças criminal e federal. Ele classificou a nova medida como uma “cautela extra”.

A preocupação é que, se a segunda venda for anulada e o imóvel retornar ao patrimônio da Trust, ocorra outra transferência antes da solução da disputa. O arresto tem caráter preventivo e não representa uma conclusão judicial sobre a suposta falsificação.

Na Justiça Federal, a controvérsia aparece no processo 1003471-80.2026.4.01.3605, distribuído em 22 de outubro à Vara Federal Cível e Criminal de Barra do Garças. Além de Matheus e da Trust, figuram no polo passivo os compradores, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco.

Uma distribuição anterior, na 8ª Vara Federal Cível de Mato Grosso, foi cancelada porque a petição foi dirigida a um juízo diferente daquele selecionado no protocolo eletrônico. A decisão, assinada em 21 de outubro pelo juiz Pedro Francisco da Silva, tratou desse problema de distribuição e não julgou as acusações da família.

Um laudo grafotécnico contratado pela família apontou falsidade nas assinaturas. Também apontou um reconhecimento de dívida de R$ 41 milhões, com três fazendas em Comodoro oferecidas em garantia, que os autores afirmam não ter sido cumprido.

OPERAÇÃO GEMINI

Deflagrada pela Polícia Federal em 8 de junho, a Operação Gemini apura suspeitas de venda de decisões judiciais no TJMT e envolve o desembargador Dirceu dos Santos. A decisão do ministro João Otávio de Noronha que autorizou a operação menciona processos de interesse de Matheus Buzetti sob relatoria do magistrado.

A PF analisa transferências milionárias de empresa vinculada ao empresário para pessoas e empresas investigadas, feitas no período de tramitação dessas ações. A investigação busca esclarecer a relação entre os pagamentos e os processos judiciais.

Buzetti atua na negociação de imóveis rurais. Em entrevista ao AgFeed, publicada em agosto de 2023, disse que a Trust havia faturado R$ 600 milhões em 2022. Descreveu sua atividade como a compra de áreas degradadas para recuperação e revenda. O faturamento foi informado pelo próprio empresário.

Na consulta ao andamento da ação paulista em 5 de novembro, não constava contestação. O sistema indicava prazo aberto até 25 de novembro para a defesa da Trust. A decisão de arresto não encerra a disputa, que ainda depende da análise das provas e dos argumentos das partes.

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