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17 de Setembro de 2026

05 de Agosto de 2026, 16h:48 - A | A

POLÍCIA / TENTATIVA DE HOMICÍDIO

Delegado descarta legítima defesa e prende policial penal que atirou em entregador no CPA IV em Cuiabá

Delegado Nilson Farias afirmou que as imagens de segurança comprovaram a ausência de reação da vítima, fundamentando a prisão por homicídio tentado.

Reprodução

Carlos Filipe Magalhães Fernandes foi baleado pela policial penal Jorcenilma Franca Viegas, no bairro CPA IV, em Cuiabá.

Carlos Filipe Magalhães Fernandes foi baleado pela policial penal Jorcenilma Franca Viegas, no bairro CPA IV, em Cuiabá.

ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT



A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) cumpriu, hoje (5), o mandado de prisão preventiva contra a policial penal Jorcelina Franca Viegas, de 46 anos. A servidora é investigada por tentar matar o entregador Carlos Filipe Magalhães Fernandes, de 34 anos, em 22 de julho, no bairro CPA IV, em Cuiabá.

Ao , o delegado Nilson Farias confirmou o cumprimento da ordem judicial e explicou a fundamentação que levou à representação pela prisão da agente.

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"Nós representamos pela prisão dela e hoje demos cumprimento por homicídio tentado. Na imagem ficou claro que não teve uma legítima defesa. Agora as investigações continuam", declarou.

Conforme a versão da acusada, o caso teve início após sua filha esquecer o telefone celular em um caixa eletrônico na capital. O aparelho teria sido localizado por Carlos Filipe, que entrou em contato com a família exigindo pagamento em dinheiro para devolver o eletrônico.

Durante os contatos, o homem teria dito que integrava uma facção criminosa e que repassaria o dispositivo a terceiros caso a quantia solicitada não fosse entregue.

As partes combinaram o encontro em frente à residência da policial penal. No local, a servidora sacou a arma e efetuou disparos que atingiram o homem pelas costas.

Em um primeiro momento, a servidora alegou ter agido em legítima defesa após o homem tentar tomar sua arma de fogo. Contudo, a análise das imagens de câmeras de segurança conduzida pela equipe policial desmentiu a versão inicial da investigada, demonstrando a ausência de agressão por parte do suspeito antes dos tiros. Carlos Filipe foi socorrido e encaminhado ao hospital.

A matéria continua após o vídeo abaixo

O que diz a defesa

O advogado da agente, Marcio de Deus, sustenta que o motociclista atuava como mensageiro em um esquema de extorsão praticado contra a policial para a devolução de um aparelho celular.

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No áudio apresentado por ele, um criminoso, não identificado, ameaçou expor as informações contidas no aparelho e exigiu R$ 600 em espécie para não vendê-lo por peças. Durante a gravação, o advogado Marcio de Deus reforça que a intervenção da servidora ocorreu para interromper a ação criminosa dentro de sua residência.

"A mídia divulgou tão somente o momento em que a policial penal defere alguns projéteis em direção ao entregador, contudo, a mídia esqueceu de publicar que a policial penal vinha sofrendo extorsão (...). Era uma situação de risco onde a policial penal trabalhou para que esse risco cessasse", declarou o defensor.

Conforme a tese da defesa, a chegada do entregador para recolher a quantia exigida sob ameaça de exposição de dados configurou o flagrante da extorsão, momento em que a servidora deu voz de prisão e efetuou os disparos.

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Confira o áudio na íntegra:

— "E outra coisa, aqui no telefone, vídeo, tem documento, tem um monte de coisa sua. Aqui os guri já abriu aqui, porque os guri têm acesso, eles têm o computador, eles têm o processo, tem o programa, tem tudo"

— "Então o que acontece: poderia vender esse telefone seu, vender as peças dele. Você está entendendo? Seu telefone vale mais de R$ 1.000 de peça. Só que eu sou aqui, eu que estou na frente aqui, ó, eu que estou na frente e eu falei que não vai vender."

— "Porque trabalhador... primeiro, trabalhador custa caro para comprar um telefone desse. A gurizada aqui tem tudo, o iPhone... e dizer também, sabe que... como que é difícil conseguir quem trabalha, entendeu? Então não está aqui para atrapalhar o trabalhador, tá ok?"

— "Eu vou mandar um motoqueiro só e ele vai pegar... vai pegar o dinheiro com você e aí ele vai entregar o celular para você. Beleza? Perfeito então."

— "Ele sem demora, coisa rápida. Pegou o dinheiro, saiu. Tá ok? Beleza? Os guri vai ficar olhando de longe, tá bom? Porque ninguém quer passar a perna em ninguém. Eles não quer passar a perna em você e o guri também, ele só vai receber o dinheiro e vai sair fora."

— "Beleza?Tá bom, o guri vai passar, vai deixar o telefone com você, deixa o dinheiro na mão dele. Vida que segue, hein! Ok? Tá bom, beleza. Então tá bom."

— "Quando ele estiver aí perto, ele dá um toque no telefone, beleza? Então tá, morreu as pontas aqui, não vou mais falar com a senhora. Tá bom? Não vou mais falar com a senhora. Ok, beleza. Então tá bom."

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