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26 de Novembro de 2016, 07h:40 - A | A

POLÍCIA / EXCESSOS INVESTIGADOS

Colegas de bombeiro morto relatam série de torturas e humilhações em treinamento

O advogado da família do aluno, que morreu após passar mal e ficar cinco dias em coma, afirma que tanto a tenente Izadora Ledur, já investigada, como outros bombeiros instrutores tiveram práticas abusivas contra os alunos.

LUIS VINICIUS
DA REDAÇÃO



Em entrevista ao , o advogado Júlio Cesar Lopes da Silva, que representa a defesa da família de Rodrigo Claro, 21, que era aluno da turma de formação de soldados do Corpo de Bombeiros, e morreu cinco dias após de ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), por passar mal no treinamento de atividades aquáticas da corporação, declarou em entrevista ao , que tem relatos de outros alunos afirmando que foi cometida uma série de excessos, que resultaram até em fraturas e que a tenete BM Izadora Ledur submeteu Rodrigo à várias sessões de afogamento, na Lagoa Trevisan, em Várzea Grande, no dia 11 de novembro.

"Ela [tenente investigada] cuspia na cara dos alunos, jogava água na cara e humilhava as alunas”, revelou o advogado.

Segundo o advogado, os alunos relataram que a tenente Izadora Ledur tinha postura desrespeitosa e agressiva tanto com homens quanto com mulheres do curso. "Ela cuspia na cara dos alunos, jogava água na cara e humilhava as alunas”, revelou.

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"O que os instrutores entendem como um treinamento mais rígido, os alunos entendem como abuso. Todos que falaram comigo afirmaram que houve excesso, houve os caldos. Agora, o que resta é a gente ajudar a investigação a apontar qual é o nível desse abuso, qual o nível desse excesso. Até porque pode ser apenas uma lesão corporal, um assédio moral ou mesmo uma tortura”, ressaltou o advogado.

"Existem depoimentos que afirmam que durante o curso, os alunos foram empurrados, que os alunos foram arrastados e que alguns acabaram machucando no pulso. Teve aluno que teve até fraturas", relatou.

Jane Claro, mãe do jovem que morreu no dia 16 de novembro, afirmou à imprensa que o filho estaria sofrendo eperseguição por parte da tenente. À imprensa, ela relatou que antes de ir para o treinamento, no dia 11, o filho lhe encaminhou mensagens pelo aplicativo WhatsApp dizendo que estava com medo das atividades porque a tenente estaria lá. Na última mensagem, o filho lamentou não ter conseguido completar o treinamento. Em seguida, ele teve duas convulsões e foi internado na UTI do Hospital Jardim Cuiabá.

Ao , o advogado da família frisou que os excessos, relatados pelos alunos, teriam sido praticados por outros responsáveis pelo treinamento.

"Existem depoimentos que afirmam que durante o curso, os alunos foram empurrados, que os alunos foram arrastados e que alguns acabaram machucando no pulso. Teve aluno que teve até fraturas. Existem vários pontos que precisam ser apurados. O que alguns alunos me falaram que a princípio, houve abusos não só da tenente Izadora, mas também como todos o corpo de instrutores. O que aconteceu com Rodrigo foi ápice. O pior das consequências. Ele foi a morte. Espero que cada um, seja responsabilizado pela sua culpa”, afirmou Silva. 

O advogado contou que caso for comprovado que houve indícios de abusos, por parte da tenente, a família entrará com um pedido para que ela seja judicialmente responsabilizada.

"O que alguns alunos me falaram que a princípio, houve abusos não só da tenente Izadora, mas também como todos o corpo de instrutores".

“Nós vamos acompanhar o caso para que a Justiça seja feita e que os culpados paguem por aquilo que cometeram. No entanto, a expulsão da tenente da corporação, depende das regras jurídicas do Corpo de Bombeiros”, pontua.

O jurista conta que as oitivas estão sendo realizadas com testemunhas do ocorrido e diz que vídeos e imagens do treinamento também serão analisados ao longo da apuração. "Tudo será analisado para que a verdade apareça".

Promoção barrada

Na última terça-feira (22), o comandante geral do Corpo de Bombeiros, coronel Júlio Cézar Rodrigues comunicou à imprensa, que a corporação decidiu suspender a promoção, a capitão, da tenente Izadora Ledur, acusada  de perseguir e torturar o aluno Rodrigo Claro.

A promoção da tenente ocorreria no dia 2 de dezembro, mas o comandante afirmou que a corporação decidiu esperar o resultado do Inquérito Policial Militar (IPM), que apura os fatos da morte do aluno.

“A tenente Ledur é 1º tenente e já estava concluindo seu interstício à promoção por antiguidade ao posto de capitão bombeiro militar. O processo de promoção não estava concluído. A comissão de promoção de oficiais, que é quem processa todas as promoções na corporação, decidiu aguardar o resultado do Inquérito Policial Militar para poder proceder a promoção da tenente. Caso não vislumbre nada, ela não terá prejuízos porque passamos por ressarcimento de promoção. Mas por hora, a promoção da tenente está suspensa”, explicou o comandante geral.

O caso

No dia do treinamento, Rodrigo queixou-se de dor de cabeça durante a realização das aulas. O aluno realizava uma travessia a nado na lagoa e quando chegou à margem informou o instrutor que não conseguiria terminar a aula.

Em seguida, segundo os bombeiros, ele foi liberado e retornou ao batalhão e se apresentou à coordenação do curso para relatar o problema de saúde. O jovem foi encaminhado a uma unidade de saúde e sofreu convulsões.

O rapaz ficou em coma até a madrugada do dia 16 de novembro, quando foi confirmada sua morte.

Diante disso, a família do aluno acusa a tenente de tortura e aponta omissão de socorro da corporação em relação ao mal-estar que Rodrigo sentiu ainda na Lagoa Trevisan.

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Comente esta notícia

Rodrigo 27/11/2016

Tortura é CRIME, ela vai perder a farda

Rosinha 26/11/2016

Essa mulher é LOUCA tem que ser demetida. São fortes as acusações. Se o curso de formação é salvar vidas, ela estava completamente fora do eixo NÃO sabe ensinar. Procure outra profissão porque nessa não se adaptou.

2 comentários

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