THIAGO NOVAES
DO REPÓRTERMT
Matheus Gonçalves dos Santos, de 33 anos, apontado como autor do feminicídio de Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos, morreu após reagir a uma abordagem da Polícia Paraguaia durante uma barreira policial na região de fronteira com Mato Grosso do Sul.
Segundo a Polícia Civil, após o crime ocorrido em Guarantã do Norte (715 km de Cuiabá), em Mato Grosso, o acusado fugiu levando o filho do casal para o estado vizinho. Após o levantamento do paradeiro, equipes da Delegacia de Guarantã do Norte acionaram as forças de segurança de Mato Grosso do Sul e do Paraguai para localização dele.
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Durante a abordagem, ele estava com duas armas de fogo e teria reagido, dando início a uma troca de tiros com os policiais paraguaios. Ele foi atingido pelos disparos e não resistiu aos ferimentos.
A criança foi localizada e acolhida pelo Conselho Tutelar do município de Sete Quedas (MS). Conforme a Polícia Civil, os procedimentos estão em andamento para o retorno do menino ao estado de Mato Grosso.
Gleici foi assassinada a tiros dentro de uma residência em Guarantã do Norte na terça-feira (23). O caso era investigado como feminicídio e, segundo as autoridades, o acusado já possuía histórico de violência doméstica contra a vítima.
De acordo com a Polícia Civil, a ocorrência foi registrada por volta das 11h20, após a equipe ser acionada para averiguar a presença de um corpo com sinais de morte violenta. No local, os policiais constataram uma perfuração na região da cabeça, compatível com disparo de arma de fogo, além da localização de um cartucho de espingarda.
A vítima mantinha um relacionamento com o acusado e os dois conviviam na mesma residência. Segundo informações repassadas pelas autoridades, o casal possuía histórico de conflitos.
O crime ocorreu meses após a vítima ter solicitado a revogação de uma medida protetiva que havia sido concedida contra o marido. Segundo informações do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher, o acusado já possuía um longo histórico de violência doméstica contra Gleici.
Leia mais - Mulher é assassinada a tiros meses após revogar medida protetiva contra marido
Em novembro de 2025, após um pedido feito pela própria vítima, a medida protetiva que existia contra o investigado foi revogada e ele voltou a responder ao processo em liberdade.
Ainda conforme o Gabinete, as primeiras denúncias contra o acusado foram registradas em 2023, quando Gleici procurou a Polícia para relatar episódios de violência doméstica. Em 2024, novas intervenções policiais ocorreram por crimes como lesão corporal, injúria e posse irregular de arma de fogo, todos envolvendo o mesmo casal.
Já em julho de 2025, ele chegou a ser preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica, após a vítima acionar as forças de segurança. Na ocasião, foram concedidas medidas protetivas de urgência em favor de Gleici. Entretanto, meses depois, a própria vítima solicitou a retirada da proteção, o que resultou na liberação do investigado.
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada e nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.














