Cuiabá, 24 de Setembro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
24 de Setembro de 2026

09 de Junho de 2017, 10h:07 - A | A

PODERES / PROPINA NA SEDUC

Maluf diz que acusações de Alan são 'mágoa' contra ele e Taques

O deputado estadual Guilherme Maluf afirmou que o dono do buffet Leila Malouf, Alan Malouf, estaria passando por dificuldades financeiras após a eleição de 2014 e queria vantagens junto ao Executivo e Legislativo estaduais, o que não conseguiu.

RepórterMT

O deputado estadual Guilherme Maluf disse que irá processar o empresário Alan Malouf pelas acusações.

O deputado estadual Guilherme Maluf disse que irá processar o empresário Alan Malouf pelas acusações.

CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO



O deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB) afirmou que o dono do buffet Leila Malouf e seu primo, Alan Malouf, estava passando por dificuldades financeiras e que a motivação para as acusações contra o parlamentar e o governador Pedro Taques (PSDB), que era amigo pessoal do empresário, no âmbito da terceira fase da Operação Rêmora, seriam mágoa por não ter obtido vantagens financeiras.

“Ele estava em dificuldades financeiras e primeiro viu o primo ser eleito presidente da Assembleia Legislativa, depois o amigo virar governador. Com certeza pensou que obteria vantagens, mas não conseguiu benefício financeiro nenhum. Talvez a mágoa dele de todo mundo venha disso”, disse o parlamentar, em entrevista para a Rádio Capital FM, nesta sexta-feira (9).

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

Segundo Guilherme Maluf, o empresário achou que por ter investido na campanha eleitoral de Taques, teria direito a um retorno a financeiro e por não ter conseguido, formou uma quadrilha, junto com o dono da Dínamo Construtora, Giovani Guizardi, que é marido da prima de Alan, e delator do esquema.

“Esse é o raciocínio lógico de empresário. Queria um benefício, que não obteve e começou a atirar para todo lado para conseguir os recursos. Constituíram uma quadrilha tentando angariar dinheiro para pagar suas contas”, acusou Maluf.

“Ele estava em dificuldades financeiras e primeiro viu o primo ser eleito presidente da Assembleia Legislativa, depois o amigo virar governador. Com certeza pensou que obteria vantagens, mas não conseguiu benefício financeiro nenhum. Talvez a mágoa dele de todo mundo venha disso”, disse o parlamentar.

Alan Malouf prestou depoimento na tarde de quinta-feira (8), para a juíza da 7ª Vara Criminal, Selma Arruda, e confirmou que o esquema de corrupção em licitações de obras da Secretaria de Educação do Estado (Seduc), ocorria, conforme denunciado pelo Ministério Público Estadual, por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

Ele disse ainda que o governador Pedro Taques (PSDB) sabia da existência de caixa dois em sua campanha eleitoral em 2014, e que o esquema de desvio de dinheiro na Seduc estava sendo feito para ressarcir empresários que ratearam uma dívida da campanha.

Para o deputado estadual, no entanto, as acusações do dono do buffet Leila Malouf são apenas estratégia para buscar recursos na Justiça e diminuir a culpa do empresário.

“Ele está se utilizando de uma situação para envolver políticos para aliviar a barra dele judicialmente. São alegações para diminuir a culpa e conseguir a delação, mas não apresentou nenhum tipo de prova”, pontuou o parlamentar.

Maluf ainda reclamou que o empresário não respeita a própria família.

“O que mais ele pode fazer para conseguir a soltura? Envolveu o governador, envolveu Nilson Leitão [deputado federal], o próprio primo irmão. Isso demonstra a personalidade de uma pessoa que não quer assumir a culpa que tem e quer jogar para outras pessoas. É lamentável essa situação ser revivida a cada depoimento sem nada acrescentar. Ele, claramente, assume a culpa, junto com o parente dele, o Giovani Guizardi, pela articulação de todo o esquema”, acrescentou.

O deputado ainda negou ter recebido ajuda financeira em sua campanha eleitoral de Alan, porém, admitiu que o empresário doou para a campanha de Pedro Taques.

“Não pedi, nem recebi nenhum tipo de recurso financeiro do senhor Alan. Minha campanha não tem dívidas, nem caixa 2. Ele ajudou na eleição do governador, é verdade, mas não acredito nos investimentos vultuosos que ele alega ter doado. É tudo mentira”, declarou.

No depoimento, Alan Malouf afirmou ter colaborado com R$ 10 milhões para a campanha vitoriosa de Pedro Taques, por meio de esquema de "caixa 2" (sem prestação de contas). Guizardi também teria doado R$ 200 mil de forma irregular. O dinheiro retornaria com os desvios de verbas da Seduc. O grupo também cobrava propina de empreiteiros que participavam de licitações de cartas marcadas para as obras da Secretaria.

Maluf concluiu a entrevista garantindo que se o empresário não provar as alegações, tomará as medidas judiciais cabíveis. “Ele está denegrindo imagens e isso terá consequências”.

Grão Vizir

Esta é a terceira fase da Operação Rêmora, deflagrada em maio de 2016 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e que apura crimes de extorsão a empresários que firmavam contratos com a Seduc para obras de reforma e construção de escolas no Estado.

Durante as investigações, o empresário Giovani Guizardi, que é apontado como operador do esquema, fechou acordo de delação premiada e entregou o esquema.

Segundo a denúncia, Edézio teria alugado uma sala de reuniões para Giovani Guizardi realizar reuniões onde eram discutidas as fraudes. O engenheiro eletricista ainda realizava levantamento de valores que empresários recebiam da Seduc-MT. Após o pagamento às empreiteiras, ele comunicava Guizardi, responsável por fazer a cobrança de propinas.

O delator aponta o primo da sua mulher, o empresário Alan Malouf, como o líder esquema que cobrava propina de empreiteiros para repassar informações privilegiadas sobre as licitações da pasta.

O MPE ofereceu denúncia que derrubou o então secretário de Educação do Estado, Permínio Pinto.  

Segundo os promotores, o esquema funcionava com três núcleos. Um deles era o de agentes públicos, que tinha participação dos servidores públicos, Fábio Frigeri e Wander Luiz dos Reis, cuja função era repassar as informações privilegiadas. Outro núcleo era o de operação, composto por Giovani Belatto Guizardi e outros empresários, que blindavam o então secretário da pasta e Alan Malouf e o núcleo dos empreiteiros, que conseguiam contratos de obras com o Governo do Estado de forma irregular. Luiz Carlos Ioris, Leonardo Botelho Leite e outros empreendedores estariam inclusos no grupo.

Leia mais

Malouf confirma esquema e diz que ajudou pagar campanha de Taques em 2014

Taques nega caixa 2 e diz que Malouf fez acusações mentirosas e sem provas

Comente esta notícia

benedito costa 10/06/2017

Deputado até seu primo ta contra o senhor? se antes já tava difícil o senhor ir para o TCE. Agora que ficou impossível.

positivo
1
negativo
1

Paulo 09/06/2017

O Seo Elpídio, jardineiro da Lavanderia Santa Rosa que foi usado como laranja por esse nobre deputado em um esquema para roubar o antigo IPEMAT, também deve estar muito magoado. Só espero que essa briga entre "brimos" não termine em pizza, aliás em esfirra! Quero ver todos na cadeia! Grão Vizir, Ali Babá, Aladin, Onur, e até a Sherazade!

positivo
1
negativo
1

alexandre 09/06/2017

coordenador de campanha que investiu 10 milhoes...

positivo
0
negativo
1

ISIS 09/06/2017

Delação entre brimos Árabes e a justiça fazendo cara de paisagem ao governador, aos deputados e ao povo de Mato Grosso. Democracia de fachada, ditadura de velhacos

positivo
0
negativo
0

4 comentários