FERNANDA ESCOUTO
DO REPÓRTER MT
A Justiça Eleitoral cassou o diploma da vereadora de Diamantino Monnize da Costa Dias Zangeroli, por abuso de poder econômico, compra de votos e uso de recursos não declarados durante a campanha eleitoral de 2024. A decisão foi proferida nesta terça-feira (9) pelo juiz da 7ª Zona Eleitoral, Raul Lara Leite.
O magistrado também declarou inelegíveis por um período de oito anos Monnize e o pai, o ex-secretário de Fazenda na gestão Silval Barbosa, Eder de Moraes, apontado como coordenador financeiro da campanha dela.
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A sentença atende ao pedido do candidato Edimilson Freitas Almeida, que concorreu ao mesmo cargo e moveu a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) denunciando irregularidades na campanha de Monnize.
De acordo com a investigação, o esquema incluiu compra de votos, omissão de gastos na prestação de contas e um sistema paralelo de contabilidade, conhecido como “caixa dois”.
Conforme a denúncia, às vésperas da eleição, em 5 de outubro de 2024, a polícia encontrou no quarto de hotel onde Eder estava hospedado uma quantia de R$ 6 mil em espécie, um caderno com anotações detalhadas de pagamentos e um celular.
Entre os registros, constava a negociação de votos com nomes, valores e até metas de apoio eleitoral.
O juiz destacou na sentença que “o conjunto de ilicitudes demonstra utilização de recursos de forma a comprometer a normalidade e legitimidade das eleições”, com indícios consistentes de que parte do dinheiro era destinada à compra de votos.
A prova mais contundente do esquema de compra de votos e apoio político vem do cruzamento das anotações do caderno de Eder com o depoimento da testemunha Everton Catunda, que admitiu ter assinado um documento onde consta a promessa de entregar “20 votos” em troca de R$ 5 mil.
“A negociação não se tratava de simples aluguel (R$ 500,00 mensais), mas de transação que envolvia vantagem econômica desproporcional (R$ 5.000,00) em troca de número específico de votos. A desproporcionalidade evidencia a natureza eleitoral da transação. Isso se amolda perfeitamente ao tipo do art. 41-A da Lei nº 9.504/97”, diz trecho da decisão.
A defesa de Monnize e Eder alegou que os valores encontrados eram destinados a gastos legítimos da campanha, como hospedagem e alimentação, mas os argumentos foram rejeitados pelo magistrado. “A narrativa apresentada não se sustenta diante das provas robustas e do depoimento das testemunhas”, afirmou o juiz na decisão.
Já sobre o crime de caixa 2, o magistrado destaca que a prova mais forte está no confronto entre as anotações do caderno de Eder e o depoimento da testemunha Maria de Lourdes Januário. O caderno registra pagamento de R$ 1.080,00 para Maria de Lourdes, mas a prestação de contas oficial declara apenas R$ 480. Em juízo, a mulher foi categórica dizendo que não trabalhou na campanha e não recebeu qualquer valor.
“Esta despesa simulada configura método clássico de caixa dois, criando justificativa formal para saída de recursos que são desviados para fins ilícitos”, pontuou o magistrado.
Eder e Monnize também respondem pelo crime de omissão deliberada de gastos com material de propaganda eleitoral.
“Primeiramente, quanto as camisetas com a frase "Desenvolve Diamantino", o investigado Eder admitiu que tal expressão poderia constituir slogan da campanha, reconhecendo implicitamente tratar-se de material de propaganda eleitoral. A completa ausência de registro dessas despesas na prestação de contas comprova omissão deliberada de gastos”, ressaltou o juiz.
“Ademais, durante a busca e apreensão realizada no veículo do investigado Eder Moraes, foram localizadas expressiva quantidade de camisetas padronizadas, idênticas às utilizadas pela candidata e seus apoiadores durante eventos de campanha, fato amplamente documentado nas redes sociais da investigada”, completou.
Responsabilidades
Segundo o magistrado, a responsabilidade de Eder é “inequívoca e multifacetada”. Além de operador confesso do esquema fraudulento, os elementos probatórios demonstram que exercia, de fato, a função de coordenador da campanha eleitoral.
“Durante a busca e apreensão, foram localizados em seu poder, além do caderno de anotações, documentos que comprovam seu controle direto sobre a administração financeira da campanha: autorizações para adesivagem de veículos, extratos bancários identificados como 'Eleições 2024 Monizze', diversos recibos eleitorais de doações e comprovantes de transferências via PIX”, destacou.
Já a responsabilidade Monnize é igualmente inequívoca, de acordo com a Justiça. “Como única e direta beneficiária de um esquema fraudulento que financiou e viabilizou sua eleição, sendo este operado por seu pai e coordenador de campanha, a alegação de desconhecimento é inverossímil”.
Multa e posse ao suplente
A sentença determina ainda a aplicação de multa de R$ 53 mil aos investigados, além da anulação dos 377 votos obtidos por Monnize e a imediata retotalização do resultado das eleições para vereador no município. Entretanto, ela seguirá no cargo até que a sentença, que cabe recurso, transite em julgado.
Após o trânsito em julgado, a Câmara de Diamantino será comunicada oficialmente para dar posse ao suplente.
ANA LUZIA TIMO MANFIO 10/07/2025
LEMBRAM QUE ELE NO PASSADO FOI CONTRA A SUPLENTE DA ELEITA JANAÍNA FAGUNDES TAMBÉM?
Jose mario 10/07/2025
MONIZE NAO FOI ELEITA NEM COMPRANDO VOTOS, FOI ELEITA PELA LEGENDA KKK NEM PAGANDO PRO POVO VOTAR NELA, ELA CONSEGUIU SAIR DOS 377 VOTOS DA LEGENDA. NAO ADIANTA EDER TENTAR RENASCER ATRAVES DA FILHA, ESSE AI TA MANCHADO PELO RESTO DA VIDA. SO VER QDO ELE SE MANIFESTA NOS GRUPOS DE WHATSAPP, O PESSOAL DOS GRUPOS SEQUER DA PAPO PRA ELE, AI FOI OBRIGADO A ABRIR UM GRUPO PROPRIO E EXCLUI AQUELES QUE JOGA NO GRUPO SEUS ESQUEMAS E PODRES. EDER FICOU DEVENDO MTA GENTE NA CAMPANHA FRAUDULENTA DA FILHA. BOM SABER QUE A FILHA NAO VAI SE CRIAR NA POLITICA. EDER, SE APOSENTE CAMARADA, VAI CUIDAR DA NETINHA E LEVAR O CACHORRO PRA PASSEAR PQ VC JA VIROU PÓ!!
Welton 09/07/2025
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