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17 de Novembro de 2023, 15h:32 - A | A

PODERES / OPERAÇÃO APRENDIZ

João Emanuel e mais 3 são condenados a devolver R$ 8,8 milhões por esquema na Câmara de Cuiabá

João Emanuel, empresário Gleisy Ferreira, e os ex-servidores Aparecido Alves e Renan Moreno, compraram "livros fantasmas"

Divulgação

João Emanuel liderou esquema de desvio de verbas na Câmara de Cuiabá, em 2014

João Emanuel liderou esquema de desvio de verbas na Câmara de Cuiabá, em 2014

RAFAEL COSTA
DO REPÓRTERMT



A juíza da Vara Especializada em Ações Coletivas, Célia Regina Vidotti, condenou na quinta-feira (16) o ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, João Emanuel, a devolver R$ 3 milhões, por conta de um esquema de corrupção que consistia em desviar dinheiro da compra de material gráfico, a partir de contratações e ordens de pagamentos autorizados pela Mesa Diretora.

Além dele, outras três pessoas foram condenadas pelo esquema, somando o total de R$ 8,8 milhões a serem devolvidos aos cofres públicos.

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O empresário Gleisy Ferreira de Souza, proprietário da Propel Comércio de Materiais para Escritório, também foi condenado a devolver a quantia de R$ 3 milhões. O ex-secretário geral da Câmara de Cuiabá, Aparecido Alves, deve devolver R$ 1,7 milhão, e o ex-chefe do almoxarifado do órgão, Renan Moreno Lins de Figueira, a proceder com a devolução de R$ 1,1 milhão.

A decisão foi dada nos autos de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso e é desdobramento da Operação Aprendiz, deflagrada em março de 2014 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Ainda cabe recurso. 

A sentença ainda torna João Emanuel inelegível pelo período de 8 anos e proibição de receber incentivos fiscais, ainda que por intermédio de terceiros, pelo período de 10 anos.

A denúncia do Ministério Público aponta João Emanuel como líder de um esquema de desvio de dinheiro, a partir de uma licitação para compra de material gráfico. Pelo contrato firmado entre a Câmara Municipal de Cuiabá e a Propel Comércio de Materiais de Escritório, de R$ 1,6 milhão, estava prevista a entrega e compra de 150 mil livros denominado "História do Parlamento Cuiabano". Deste total, apenas 33 livros foram entregues.

Os ex-servidores Aparecido Alves e Renan Moreno “atestavam” o recebimento do material, que jamais foi entregue. Também foram identificados pagamentos à Propel sem a comprovação de notas fiscais. De acordo com a magistrada, as provas são convincentes para atestar a configuração de atos de improbidade administrativa.

“De acordo com o contrato em questão, a empresa contratada deveria fornecer os materiais gráficos constantes nas alusivas notas fiscais, contudo, ao que consta das provas produzidas nos autos, não houve o efetivo e integral cumprimento do contrato por parte da empresa. Tal compra, além de excessiva e desnecessária, nunca foi integralmente entregue, ficando evidente a existência de conluio entre os agentes públicos e os responsáveis pela empresa contratada com o intuito de desviar dinheiro público”, constatou a juíza.

Todos os valores da condenação ainda sofrerão juros e correção monetária. O episódio de corrupção, quando veio à tona, culminou na cassação de João Emanuel pela Câmara Municipal de Cuiabá.

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