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20 de Junho de 2022, 12h:10 - A | A

PODERES / PETROBRAS À DERIVA

Garcia diz que renúncia já era esperada e não acredita que CPI 'resolva'

José Mauro Coelho pediu demissão da presidência da Petrobras nesta segunda-feira (20).

DAFFINY DELGADO
DO REPÓRTER MT



O senador Fábio Garcia (União Brasil) afirmou, na manhã desta segunda-feira (20) em entrevista ao RepórterMT, que a renúncia do presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, já era esperada. Apesar das fortes críticas à gestão de Ferreira Coelho, Garcia também acredita que a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os lucros da Petrobras, não seja o caminho para resolver o problema dos sucessivos aumentos no preço dos combustíveis.

Coelho havia sido demitido no mês passado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), mas ainda estava no cargo à espera de "ritos administrativos". Ele comunicou sua saída da Estatal nesta manhã. Na última sexta-feira (17), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), defendeu que Coelho renunciasse ao cargo, após mais um reajuste considerado abusivo no preço do diesel e da gasolina.

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Ao RepórterMT, Garcia criticou a política de preços praticada pela Petrobras. Para ele, a empresa visa ganhos bilionários às custas dos trabalhadores do Brasil e uma CPI não vai mudar isso.

"Isso (a renúncia) já era esperado, mas é absurda a política de preços praticada pela Petrobras. Ela está se aproveitando da situação monopolista no mercado brasileiro para que possa conseguir lucros bilionários à custa do trabalhador brasileiro, que está pagando o preço do combustível mais alto da história”, criticou.

No último sábado (18), durante Ato de Unção Apostólica do Ministério Restauração realizado em Manaus, o presidente Bolsonaro afirmou que encaminharia à Câmara um pedido para abertura da CPI, já nesta segunda-feira.

Uma reunião acontece neste momento em Brasília, com todos os deputados, para tratar sobre o assunto. Questionado sobre a efetividade da comissão, Garcia enfatizou que esse não seria o melhor caminho.

"De verdade, eu prefiro que a gente ataque o principal problema, que é a política de preços. Muito mais do que CPI, a gente precisa na verdade é de uma ação efetiva. Se a política de preços da Petrobras está equivocada e a gente fica precificando, inclusive, combustível produzido aqui com preço internacional, e a Petrobras sem competição, a gente precisa mudar essa política e também, de forma urgente, chamar novos players para o mercado brasileiro de combustível e tirar o monopólio da Petrobras", disse.

"Eu acho que o combustível produzido no Brasil e refinado aqui ele deve ser precificado com seu custo e produção e não o preço do mercado. Dessa forma a gente consegue devolver, já que a Petrobras não respeitou o trabalhador brasileiro, a gente pode devolver ao trabalhador o benefício de ter o combustível produzido aqui", acrescentou.

Terceiro a sair

Ferreira Coelho ficou no comando da Petrobras pouco mais de dois meses. Ele foi o terceiro a ocupar a cadeira desde que Bolsonaro assumiu o Palácio da Alvorada.

O provável substituto é Caio Paes de Andrade, secretário de Desburocratização do Ministério da Economia. Ele foi indicado ao cargo pelo governo há um mês, mas a troca esbarrou nos trâmites legais definidos para a substituição.

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