ALCIONE DOS ANJOS
DA REDAÇÃO
O ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto, surge em vídeo, gravado pela Justiça em setembro de 2016, afirmando que o ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf lhe repassou propina, em várias ocasiões, dentro da Casa Civil do Governo, somando o montante de R$ 500 mil.
As propinas repassadas seriam para autorizar a compra de um terreno na região do Manso no valor de R$ 7 milhões de propriedade do médico Filinto Corrêa da Costa.
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A ação criminal decorrente da Operação Seven apura suposto esquema de corrupção que teria desviado R$ 7 milhões dos cofres públicos por meio da compra de uma área de 727 hectares, na região do Manso. Segundo as investigações, a área já pertencia ao Estado e foi recomprada do médico, em 2014, com preço superfaturado de R$ 4 milhões.
O depoimento de Dalberto surge depois da imprensa divulgar um vídeo, também gravado pela Justiça, que mostra como o ex-secretário Pedro Nadaf detalhe a divisão dos R$ 7 milhões da mesma negociação. Os dois vídeos são de depoimentos prestados à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.
“O trâmite direto era eu encaminhar para o jurídico, onde iam detectar todas aquelas situações que estou colocando. Mas eu de forma errônea encaminhei direto para o financeiro, onde o financeiro tomou as providências conforme as minhas orientações”, relatou em depoimento.
Ainda conforme o depoimento de Dalberto, foi Nadaf quem fez o pagamento, dentro da Casa Civil, em dezembro de 2015. “Não me lembro o dia correto, mas era por volta de 19h, porque eu sempre saia tarde do serviço. Meu ramal tocou (...) era para eu passar na Casa Civil”, disse. “Passei lá e o secretário da época, o senhor Pedro Nadaf botou a mão no bolso e me entregou. Aí eu guardei, não contei, não olhei, não sei se eram cinco se eram seis, na época eu não me lembro”, conta.
Ele afirma que a mesma cena se repetiu em mais uma oportunidade até que a soma dos vários cheques chegasse ao valor da propina acordado, de meio milhão de reais.
O ex presidente do Intermat afirma que já tinha combinado com um amigo dele, que não sabia do esquema de propina dentro do Governo Silval Barbosa, dois empréstimos de R$ 250 mil. “Liguei para ele e emprestei, com 1% de juros ao mês”, afirmou. “Não sabia porque eu não o avisei”, disse Dalberto depois de ser questionado pela magistrada se o amigo sabia da origem do dinheiro.
“Como eu tinha fazenda na época, eu sempre trabalhei muito com gado (...) uma fazenda da família da minha esposa, e eu tocava ela, então eu sempre tive esse giro de dinheiro. Não falei nada para ele”, explicou.
No vídeo divulgado na quarta-feira (17), Pedro Nadaf confessou ter participado do esquema de propina, mas negou ter entregado R$ 500 mil a Dalberto. “Eu sei que ele recebeu esse dinheiro por meio das declarações deles, mas não fui eu quem entreguei, talvez foi o Chico Lima”, sugeriu ao citar o procurador aposentando Francisco Lima.
Operação Seven
Segundo a denúncia do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), a organização criminosa era formada, basicamente, por dois centros de competência: o Núcleo de liderança, integrado pelos investigados Silval da Cunha Barbosa, Pedro Jamil Nadaf e Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima” e o Núcleo de Mediadores, composto pelos investigados José de Jesus Nunes Cordeiro, Wilson Gambogi Pinheiro Taques, Arnaldo Alves de Souza Neto e Afonso Dalberto.
Os acusados se valeram de pessoas interpostas e com “ares” de legalidade para se apoderarem de dinheiro público. Entre as irregularidades praticadas estão a recategorização, mediante violação da legislação ambiental nacional e estadual, da unidade de conservação denominada Parque Estadual Águas do Cuiabá para unidade da espécie “estação ecológica” e acréscimo de 727,9314 hectares à sua área; aquisição fraudulenta pelo Estado de Mato Grosso de uma área rural já adquirida pelo próprio Estado e a realização de pagamento de despesa sem previsão na Lei Orçamentária Anual vigente ao tempo do fato, com a utilização de Notas de Ordem Bancária Extraorçamentárias (NEX), violando as regras legais de direito público financeiro.
Após o oferecimento da primeira denúncia o Gaeco constatou a ocorrência de mais 11 fatos relacionados às condutas de lavagem e/ou ocultação dos valores desviados, motivando o oferecimento de uma segunda denúncia. Desta vez, foram acionados Filinto Corrêa da Costa, João Celestino da Costa Neto, Filinto Corrêa da Costa Júnior, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, Pedro Jamil Nadaf, Marcel Souza de Cursi, Afonso Dalberto, Luciano Cândido Amaral, João Justino Paes Barros, André Luís Marques de Souza, Roberto Peregrino Morales, Marcos Amoria da Silva e Antônia Magna Batista da Rocha.
Veja o vídeo














