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31 de Maio de 2017, 09h:50 - A | A

PODERES / PROPINA DE R$ 12 MILHÕES

Delator diz que Blairo agiu junto a Lula em ação que beneficiou a Odebrecht

O executivo da Odebrecht e delator na Operação Lava Jato, João Antônio Pacífico afirmou que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, teria cobrado propina de R$ 12 milhões para agilizar o esquema de pagamento da dívida de MT com a empresa.

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O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP) afirma que nunca autorizou cobrança de propina em seu nome.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP) afirma que nunca autorizou cobrança de propina em seu nome.

CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO



O executivo da Odebrecht e delator na Operação Lava Jato, João Antônio Pacífico afirmou em depoimento à Procuradoria Geral da República que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), se empenhou pessoalmente junto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para garantir que Mato Grosso recebesse uma dívida da União, referente à divisão do Estado com Mato Grosso do Sul.

O dinheiro da dívida seria utilizado para pagar R$ 50 milhões à Odebrecht, referentes a obras na rodovia MT-010, no trecho entre Diamantino, no cruzamento com a BR-364, e São José do Rio Claro, na intersecção com a MT-235.

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"O governador Blairo Maggi começou a se aproximar do Governo Federal e isso culminou com a comissão gerando resultados práticos", disse o executivo, contando que uma comissão especial foi formada por técnicos da União e dos Estados para averiguar o montante que seria repassado, em 2004.

"O governador Blairo Maggi começou a se aproximar do Governo Federal e isso culminou com a comissão gerando resultados práticos", disse o executivo em depoimento à PGR.

Ainda de acordo com Pacífico, Blairo teria cobrado propina de R$ 12 milhões para agilizar o esquema. Ele citou que os pagamentos das propinas foram efetuados em 2006 e também em 2007, após as eleições, que culminaram na reeleição ao Governo do Estado de Maggi.

A denúncia feita pelo delator argumenta que “o assunto foi levado por Pedro Leão [outro delator da Odebrecht] a Antônio Pacífico, que autorizou o acerto e posterior pagamento à medida e proporção em que a CNO [Construtora Norberto Odebrecht] efetivamente recebesse os valores do Estado. Pagavam via Caixa 2 pelo Departamento de Operações Estruturadas sob o codinome ‘Caldo’ [apelido dado a Blairo Maggi]”.

Pacífico ainda contou que o objetivo dos pagamentos da propina era motivar os agentes a conduzir os trabalhos da comissão com maior celeridade, uma vez que o pagamento dos repasses federais dependia especialmente do “atuação” dos agentes públicos estaduais.

Ele afirma que Blairo Maggi foi um desses agentes e que, supostamente, teria utilizado sua influência na gestão Lula para viabilizar os repasses a Mato Grosso, para depois receber a propina da Odebrecht.

Blairo responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e é um dos denunciados da “Lista de Janot”, em referência ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A lista inclui uma série de denúncias realizadas pela PGR e envolve, ao menos, nove ministros do Governo Michel Temer (PMDB), 29 senadores, 42 deputados federais, e 10 governadores, investigados por corrupção.

Os pedidos de indiciamento têm como base as informações obtidas nos acordos de colaboração premiada realizados por 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht.

Também estão envolvidos na delação, os ex-secretários de Estado, Éder Moraes e Luiz Antônio Pagot, uma vez que a denúncia aponta que eles seriam interlocutores de Blairo Maggi, junto a Odebrecht. Todos devem ser ouvidos no inquérito.

Maggi afirma que nunca autorizou qualquer cobrança de propina em seu nome. Tenho minha consciência tranquila de que nada fiz de errado", afirmou.

Veja o vídeo da delação de João Antônio Pacífico:

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