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18 de Abril de 2017, 13h:02 - A | A

PODERES / LAVA JATO

Documentos comprovariam propina da Odebrecht a Maggi

Os documentos foram publicados na rede social da ex-secretária de Combate à Corrupção do Estado, Adriana Vandoni, na noite de segunda-feira (17). Se verdadeiros, comprovariam que o ministro recebeu R$ 12 milhões em propina da construtora

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O ministro Blairo Maggi (PP) negou envolvimento com a empresa e afirmou que nunca autorizou cobrança de valores

O ministro Blairo Maggi (PP) negou envolvimento com a empresa e afirmou que nunca autorizou cobrança de valores

CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO



Cópias de documentos comprovariam o pagamento de R$ 12 milhões em propina da construtora Odebrecht ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP). O montante seria utilizado como “caixa 2” na campanha de reeleição do ex-governador, em 2006.

Os documentos foram publicados na rede social da ex-secretária de Combate à Corrupção do Estado, Adriana Vandoni, na noite de segunda-feira (17).

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A base da acusação é o depoimento dos investigados na Operação Lava Jato que assinaram o benefício da delação premiada, o diretor superintendente para as Áreas Norte, Nordeste e Centro Oeste da Odebrecht, João Antônio Pacífico Ferreira e o diretor de contratos da construtora, Pedro Augusto Carneiro Leão Neto.

Planilhas e e-mails trocados na empresa mostram que também receberam repasses o ex-secretário de Fazenda, Edmilson Santos, o procurador do Estado, João Virgílio, e o procurador aposentado, Francisco Lima Filho, conhecido como “Chico Lima”.

“Conforme nossa conversa por telefone, já passei para o Dr. Ubiraci a ordem de CALDO no valor de R$ 610.000,00 para que ele possa fazer a devida retificação de R$ 610.000,00 para R$ 600.000,00, pois este saldo de R$ 10.000,00 será solicitado ou acrescido no próximo pedido”, enviou Tavares a Leão.

Nas cópias é possível identificar os supostos beneficiários pelos apelidos, confirmados pelos delatores Pedro Leão e João Pacífico, “Caldo” (Blairo Maggi), “Cofrinho” (Edmilson dos Santos), “Careca” (João Virgílio) e “Manhoso” (Chico Lima).

As planilhas demonstram o crédito de R$ 33 milhões, pago pelo Estado à Odebrecht para quitar uma dívida adquirida entre os anos de 1980 e 1990. Os repasses seriam feitos entre os anos de 2006 e 2007.

Conforme o documento, Maggi teria recebido 36,36% do montante, o que equivale aos R$ 12 milhões. Ele é identificado, além do apelido, por ser o “representante principal local”.

Os demais receberam 1% do montante a ser pago à construtora, ou seja, R$ 330 mil foram repassados a Edmilson, Virgílio e Chico Lima, identificados como “estratégico local”, “estratégico do projeto na capital” e “estratégico do projeto no local”, respectivamente.

No documento também é possível constatar que uma quinta pessoa apelidada de “Palha” e considerada “conceitual/operacional na capital” recebeu 0,25%, que equivale a R$ 82,5 mil do montante. Em uma das cópias, Leão refere-se ao agente público José Miguel Millet Freitas, de Mato Grosso do Sul.

As planilhas ainda demonstram que os repasses foram feitos de forma parcelada em 2007, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

A documentação também traz e-mails trocados entre Leão e outros funcionários da construtora. Como Lúcia Tavares e Ubiraci Santos, cuja comunicação relata ajustes nos pagamentos feitos a Maggi.

“Conforme nossa conversa por telefone, já passei para o Dr. Ubiraci a ordem de CALDO no valor de R$ 610.000,00 para que ele possa fazer a devida retificação de R$ 610.000,00 para R$ 600.000,00, pois este saldo de R$ 10.000,00 será solicitado ou acrescido no próximo pedido”, enviou Tavares a Leão.

Em outro e-mail, de Leão a Bira (Ubiraci), fica determinada a transferência de valores a “Manhoso” e “Careca” no dia 23 de janeiro de 2007.

Tudo era comunicado a João Pacífico, quem autorizava os pagamentos.

Conforme os delatores, o ex-secretário de Estado, Éder Moraes, era quem recebia os valores.

“Pedro Leão foi procurado por Éder de Moraes Dias, possivelmente em abril ou maio de 2006, e que, em reunião no Centro Administrativo, este pediu expressamente o pagamento de propina no valor de R$ 12 milhões, equivalente ao percentual de 35% do crédito da CNO (Construtora Norberto Odebrecht), aproximadamente, a pretexto de contribuição para a campanha de reeleição do Governador Blairo Maggi. O valor, segundo ele, estaria atrelado ao recebimento dos valores pela CNO”, cita o pedido de abertura de inquérito da Procuradora-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal.

Confira na galeria as cópias dos documentos:

Álbum de fotos

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