CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), afirmou nesta terça-feira (18) que nunca autorizou qualquer cobrança de valores a executivos da Odebrecht. Ele foi acusado pelos delatores João Pacífico e Pedro Leão de receber R$ 12 milhões em propina da construtora para a reeleição, em 2006.
Maggi é alvo de inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Também foram citados nas delações os ex-secretários de Estado, Luiz Antônio Pagot, que seria o interlocutor com a Odebrecht, e Éder Moraes, que teria cobrado o montante.
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“Nunca autorizei qualquer cobrança em meu nome e vou trabalhar para mostrar que não tenho participação no assunto. Fiquei bastante surpreso e constrangido por ter sido incluído nas investigações”, disse o ministro.
“Nunca autorizei qualquer cobrança em meu nome e vou trabalhar para mostrar que não tenho participação no assunto. Fiquei bastante surpreso e constrangido por ter sido incluído nas investigações”, disse o ministro, em entrevista para a Rádio Capital FM.
Maggi disse ainda que nunca teve relações com a empresa e negou que tenha recebido dinheiro para a campanha. Segundo ele, a narrativa da PGR no inquérito o coloca como investigado, porém acredita que a investigação será arquivada.
“Não há materialidade de provas, a não ser uma coisa que liga com a palavra de um, com a de outro, com a palavra de outro. Nunca houve, e os delatores admitem, que nunca houve contato comigo”, pontuou.
“Não fiz, não autorizei e tenho certeza de que esse dinheiro não chegou na minha campanha, porque ninguém que estivesse próximo a mim na campanha comentou algo nesse sentido”, reafirmou o ministro.
Maggi confirma que havia dívida com a Odebrecht de pouco mais de R$ 21,3 milhões e que seria paga em sete parcelas. Segundo ele, a negociação havia sido feita entre a construtora e a Secretaria de Infraestrutura, chefiada à época por Vilceu Marchetti (morto em 2014).
Os pagamentos teriam sido feitos entre dezembro de 2006 e abril de 2007, fora da época campanha, totalizaram o montante de R$ 18,3 milhões.
“Não há materialidade de provas, a não ser uma coisa que liga com a palavra de um, com a de outro, com a palavra de outro. Nunca houve, e os delatores admitem, que nunca houve contato comigo”, pontuou.
“Os números relatados pelos delatores não são verdadeiros e estou me municiando com as informações fornecidas pelo próprio Estado. Tudo isso pode ser comprovado olhando a contabilidade do Governo de Mato Grosso e, não resta dúvida, de que esse dinheiro não foi para campanha, visto que os valores foram pagos em 2007”, relatou o ministro.
Conforme o delator Pedro Leão, havia dívida da União com o Estado, após a divisão de Mato Grosso, e o assunto teria sido tratado em reuniões em que Maggi estaria presente. O delator apontou uma condicionante entre os pagamentos da União e a quitação da dívida com a construtora.
O ministro disse que lembra de apenas uma reunião, em Mato Grosso do Sul, onde teria dito que o Estado não poderia arcar com a dívida com a Odebrecht.
“Esses recursos da União sempre foram pleiteados pelo Estado, mas não lembro da vinculação entre recebimento de recursos da União e pagamento da dívida com a empresa. E também não me recordo da presença desse delator na reunião”, contou Maggi.
Ele lamentou que o trâmite das investigações seja lento, mas garante que os projetos pessoais, entre eles, o de buscar a reeleição ao Senado, não serão alterados.
“Estar envolvido em um escândalo desse tamanho é muito chato e desagradável. Vou continuar trabalhando para buscar o desenvolvimento de Mato Grosso e do Brasil e mostrar que não tenho nada a ver com essa história”, concluiu.
“Estar envolvido em um escândalo desse tamanho é muito chato e desagradável. Vou continuar trabalhando para buscar o desenvolvimento de Mato Grosso e do Brasil e mostrar que não tenho nada a ver com essa história”, concluiu.
O inquérito
O ministro Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da Lava Jato, acatou o pedido do procurador geral da República (PGR), Rodrigo Janot, e abriu inquérito para apurar o suposto repasse de R$ 12 milhões, por meio do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, para o financiamento da campanha eleitoral de 2006.
A base da acusação é o depoimento dos investigados na Operação Lava Jato que assinaram o benefício da delação premiada, o diretor superintendente para as Áreas Norte, Nordeste e Centro Oeste da Odebrecht, João Antônio Pacífico Ferreira e o diretor de contratos da construtora, Pedro Augusto Carneiro Leão Neto.
Segundo a denúncia, a Odebrecht detinha créditos a receber do Governo de Mato Grosso referentes à obra da Rodovia MT-010, nos trechos entre as cidades de Diamantino e São José do Rio Claro.
Pedro Leão foi procurado por Éder Moraes, possivelmente em abril ou maio de 2006, e que, em reunião no Centro Administrativo, este pediu expressamente o pagamento de propina no valor de R$ 12 milhões, equivalente ao percentual de 35% do crédito da Construtora Norberto Odebrecht (CNO).
Segundo Leão, o assunto começou a ser discutido politicamente, ocasião já que o Estado tinha valores a receber da União, relativos à divisão de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
“E assim foi feito, à medida que recebiam os pagamentos, e na proporção em que recebiam, pagavam via caixa 2, pelo Departamento de Operações Estruturadas, sob o codinome "Caldo", com as informações sempre passadas diretamente a Éder”, relata o procurador.
Entretanto, o Governo de Mato Grosso não sinalizou que iria quitar os débitos que detinha com a Odebrecht. Leão sugeriu que o Governo procurasse levantar recursos junto a União para arcar com a despesa. Leão admite que não tinha contato direto com Maggi e que a intermediação era feita com Pagot. Quando a União fez repasses aos Estados, Eder Moraes teria procurado Leão.
“Pedro Leão foi procurado por Éder de Moraes Dias, possivelmente em abril ou maio de 2006, e que, em reunião no Centro Administrativo, este pediu expressamente o pagamento de propina no valor de R$ 12 milhões, equivalente ao percentual de 35% do crédito da CNO (Construtora Norberto Odebrecht), aproximadamente, a pretexto de contribuição para a campanha de reeleição do Governador Blairo Maggi. O valor, segundo ele, estaria atrelado ao recebimento dos valores pela CNO”, cita o pedido da PGR.
Na ocasião, Eder teria deixado claro que tal pedido era de conhecimento de Blairo e de Pagot.
“O assunto foi levado por Pedro Leão ao seu superior, João Pacífico, que autorizou o acerto e posterior pagamento à medida e na proporção em que a CNO efetivamente recebesse os valores do Estado. E assim foi feito, à medida que recebiam os pagamentos, e na proporção em que recebiam, pagavam via caixa 2, pelo Departamento de Operações Estruturadas, sob o codinome "Caldo", com as informações sempre passadas diretamente a Éder”, relata o procurador.


















