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24 de Setembro de 2022, 06h:08 - A | A

OPINIÃO / VANESSA MORAES

Surdos-mudos no Brasil



Na antiguidade, as pessoas que nasciam com qualquer deficiência eram consideradas inaptas para viver em comunidade e por isso tinham uma realidade de sobrevivência muito diferente daquelas nascidas dentro do que era considerado padrão de normalidade para época.

As pessoas que nasciam com deficiência física eram mortas ou abandonadas e destes, aqueles que conseguiam sobreviver, eram levados para divertir os nobres, como bobos da corte ou nos circos. Os surdos eram vistos como pessoas ineducáveis e eram escondidos por suas famílias pela vergonha de ter gerado uma criança fora dos padrões de normalidade. A sociedade marginalizou também os deficientes mentais que eram tratados como “possuídos do demônio” ou eram queimados como bruxas.

Eles eram privados de serem livres e até mesmo do direito à vida.

Com o passar dos anos, surgiram hospitais de caridade e asilos que abrigavam e cuidavam das pessoas com deficiência.

No Brasil, em 1854, D. Pedro II criou o Instituto Benjamim Constant para atender as pessoas cegas, mas foi em 1857 que D. Pedro II fundou o Instituto Nacional de Educação aos Surdos (INES) ao trazer um francês chamado Eduard Huet para ensinar Libras aos surdos. Esse dia era 26 de setembro passando a ser esse dia considerado o Dia do Surdo no Brasil. Essa escola funciona no Rio de Janeiro, atende aproximadamente 600 alunos e é mantida pelo Ministério da Educação e Cultura.

Hoje ainda encontramos barreiras e preconceitos, mas felizmente o cenário está mudando a cada ano, no que refere ao acesso à educação, saúde e profissionalismo.

Ser surdo se refere a pessoa que não escuta ou escuta muito pouco. Mudo é aquela pessoa que não fala ou perdeu a fala. A maioria dos surdos mudos tem suas cordas vocais em perfeito estado de funcionamento. Só não falam porque não houve a intervenção precoce ( preferencialmente até os 6 meses de vida), não fizeram o uso de aparelhos auditivos e nem mesmo a reabilitação auditiva com uma fonoaudióloga.

Entre as causas de uma criança nascer surda estão o nascimento prematuro, baixo peso ao nascimento, uso prolongado de medicamentos ototóxicos, infecções congênitas, hereditariedade, tumores e traumas.

A maioria dos surdos escutam sons de forte intensidade e graves (como um trovão, batida de porta). Alguns conseguem ouvir a voz e escutar a fala ao telefone. Como a visão, a audição é classificada em graus e quanto maior o grau da perda auditiva, maior será sua privação.

São direitos dos surdos-mudos: 1-reabilitação auditiva através do SUS (para mim, a mais importante);2- passe livre municipal, estadual, sendo cada um com suas regras;3- pagamento de meia entrada em cinemas, shows, espetáculos;4- fila preferencial;5- cotas em concursos púbicos;6- isenção de IPI na compra de veículos;7-RG de PCD (Pessoa com Deficiência);8-benefícios do INSS;-9- direito à educação ( com acessibilidade de acordo com seu modo de comunicação);10- desconto de até 80% na passagem do acompanhante do surdo.

Embora pessoas com perda auditiva em um só ouvido, as mesmas não se enquadram na definição técnica como as concedidas às pessoas com perda auditiva nos dois ouvidos.

LIBRAS significa Língua Brasileira de Sinais. É uma forma de comunicação de natureza gestual motora a qual os surdos usam para transmitir suas idéias, fazer seus pedidos, contar fatos, enfim, a maneira como eles conseguem se comunicar.

A lei nº.10436 tornou a LIBRAS a segunda língua oficial do país e além disso, os órgãos públicos vinculados ao governo têm por obrigação ajudar na inclusão dos surdos e na popularização da LIBRAS.

A principal dificuldade do surdo mudo é a comunicação. Isso porque não são em todos ambientes que há tradutores de LIBRAS e desta forma, fica restrita a comunicação dos surdos nos hospitais ( para referirem onde dói), nas farmácias ( para expressar qual o remédio que necessita), nos restaurantes ( para fazer seus pedidos), nas escolas ( não são todas que tem LIBRAS) , enfim em todas as situações de vida diária onde a comunicação se faz necessária. Outra dificuldade que encontramos também é o pouco número de pessoas que falam LIBRAS.

Quando falamos em LIBRAS estamos nos referindo a acessibilidade. A acessibilidade permite oferecer a todos os diferentes a ter oportunidades iguais, independente de sua capacidade ou circunstância. Você pode acompanhar mais informações sobre perda de audição acessando @fonovanessamoraes.

Vanessa Moraes é fonoaudióloga e audiologista em Cuiabá/MT.

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