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23 de Dezembro de 2016, 07h:55 - A | A

OPINIÃO /

Saco roxo

A crise econômica foi construída pelos parlamentos

ONOFRE RIBEIRO



As crises política e econômica que assolam o Brasil foram construídas cuidadosamente por parlamentos federal, estaduais e municipais absolutamente irresponsáveis em relação à sociedade e ao seu papel.

De repente, o país mergulhou num poço profundo e pegou de surpresa esses parlamentos demagógicos. Visível o desmonte que se deu no país sob as vistas acomodadas do mundo parlamentar. Temos hoje três estados poderosos quebrados. Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Quem diria? Estão no osso!

Mato Grosso, como fica? Mal. Melhor um pouco do que a maioria, mas mal! Por detrás estão gestões sem planejamento e parlamento estadual habituado a trabalhar nos bastidores. Nada se votou nos últimos anos com discussões mínimas. Tudo passou pelos conchavos entre o Parlamento e o Executivo. Nenhuma discussão ganhou as ruas. Nada. Uma ou outra vazia audiência pública com meia dúzia de gatos pingados. Em 2016 pela primeira vez em décadas, a discussão sobre a RGA chegou à Assembléia Legislativa para uma passada rápida. Mesmo assim mais demagógica do que técnica.

Estamos vendo nos três estados citados, as assembléias legislativas tentando compreender o mundo real e votar desesperadas medidas muito duras. Não estão acostumados a debater questões graves. Os parlamentares desaprenderam a democracia representativa. Aquela em que pensam, agem e votam segundo os interesses da sociedade e não das suas conveniências.

No Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, deputados parecem meninos assustados. Esse clima está chegando aqui em Mato Grosso. Uma Assembléia Legislativa infantilizada vai precisar lidar com reformas sérias na gestão estadual. De peito aberto. Sem conchavos. Milhares de funcionários públicos acampados. Milhões de cidadãos atropelados pela crise da gestão. Educação, saúde, segurança, estradas debilitadas.

Estariam prontos pra enfrentar essa realidade repentina, os nossos ilustres deputados estaduais e os federais, diante de tão avassaladora realidade vinda das ruas e das cabeças das pessoas?

Discutir amplamente de peito aberto questões amargas não é brincadeira não! Votar de olho na realidade da sociedade e não mais nos interesses negociais do compadrismo político-partidário “tem que ter saco roxo”, diria o ex-presidente Fernando Collor na sua santa arrogância.

O Brasil está mudando. Os parlamentares desconhecem a nova linguagem. Ela tem um nome duro: realidade! Terão que trabalhar pra realidade e não mais pra fantasia de só aprovar coisas boas pra quem pedisse.  O que vale é a realidade!

 

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