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Cuiabá, 24 de Junho de 2026
24 de Junho de 2026

24 de Junho de 2026, 14h:15 - A | A

OPINIÃO / LÍVIA CATALÁ

O que a balança não mostra

LÍVIA CATALÁ



Durante muito tempo, o sucesso do tratamento da obesidade era medido apenas pelo número na balança. Hoje, porém, uma nova pergunta orienta essa avaliação: a perda de peso ocorreu à custa de gordura ou de músculos?

Essa mudança de perspectiva tem ganhado destaque nos principais congressos internacionais de endocrinologia. Afinal, emagrecer não significa apenas perder quilos, mas reduzir a gordura corporal preservando aquilo que é fundamental para a saúde: a massa muscular.

O músculo é muito mais do que força. Ele participa do controle da glicose, ajuda a manter o metabolismo ativo, protege contra quedas e contribui para a independência física ao longo do envelhecimento. Por isso, preservar a musculatura tornou-se um dos principais objetivos do tratamento moderno da obesidade.

Quando a perda de massa muscular é acompanhada pela redução da força física, pode surgir a sarcopenia, condição associada a maior fragilidade, limitações funcionais e pior qualidade de vida. Um dos métodos mais simples para identificar esse risco é o dinamômetro, aparelho que mede a força de preensão das mãos e pode fornecer informações valiosas sobre a saúde muscular.

Outro aspecto cada vez mais valorizado no tratamento da obesidade é o chamado efeito sanfona. Ciclos repetidos de perda e recuperação de peso podem favorecer o retorno da gordura em maior proporção do que o da massa muscular, tornando o organismo metabolicamente mais vulnerável ao longo dos anos.

A boa notícia é que perder músculo não precisa ser o preço do emagrecimento. Embora alguma redução de massa magra possa ocorrer durante perdas de peso importantes, esse processo pode ser minimizado. A combinação de ingestão adequada de proteínas, exercícios de força e acompanhamento profissional ajuda a preservar a musculatura e a manter a funcionalidade do organismo.

A mensagem é simples, mas cada vez mais atual: no tratamento da obesidade, não basta perder peso. O verdadeiro desafio é perder gordura sem perder força.

Lívia Catalá é médica endocrinologista — CRM 7034 | RQE 3995. Atende na Clínica Ferraz, presencialmente e on-line.

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