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31 de Maio de 2018, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / ROSANA LEITE

Isabel presente

O dia 23 de maio foi de saudade para a família de Izabel do Amaral, que faria 32 anos; ela foi assassinada em fevereiro

Divulgação

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.



O último dia 23 de maio foi de saudade para a família de Izabel Aparecida do Amaral, que faria 32 anos. A jovem foi vítima de feminicídio em 07 de fevereiro do corrente ano, na cidade de JuaraMT.

Feliz, mãe, cristã, corintiana, amante do futebol e vôlei, ainda tinha tempo para curtir poesia e livros de romance. Izabel exercia a função de operadora de caixa em um comércio, e trabalhava todos os dias de segunda a sábado das 07:30 às 18:30 horas. Representava imensa confiança para o seu empregador. Não raras vezes, deixava tudo sob o seu comando, tamanha certeza nela depositada.

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Izabel não era dada a mencionar fatos sobre a sua vida pessoal. Porém, a família possuía conhecimento de que sofria violência doméstica e familiar. Não sabiam que estava protegida por medida protetiva de afastamento do agressor, o que só veio a baila com a sua morte. Era visível que, durante o relacionamento amoroso, deixava de realizar muitas coisas para não desagradar o companheiro.

Vítima e agressor foram casados por seis anos, e estavam separados de fato há cinco meses. Entretanto, apesar de não conviverem como marido e mulher, dividiam a mesma casa. Dessa união adveio o nascimento de uma menina que, há época dos fatos, contava dois anos.

No fatídico dia, Izabel se encontrava com o novo namorado em casa, quando o agressor adentrou no lar, apagou as luzes, e o golpeou por seis vezes consecutivas. A mulher teve chance de sair correndo e ganhar porta afora. Porém, após "escapar" do algoz, se lembrou de que a pequena filha do casal dormia no quarto. Izabel, no afã de salvar a sua garota, retornou para buscá-la. Todavia, o agressor estava com muita vontade de matá-la, momento em que a agarrou, levou para o banheiro, a assassinando degolada. O corte foi de muita profundidade, fazendo-a sucumbir imediatamente.

A tragédia aconteceu. Izabel foi morta. A surpresa para amigos e familiares quanto ao lamentável fato, era inenarrável. Aquela que conheciam pela alegria e prática desportiva havia falecido.Foi criada como filha por um de seus cunhados que residia em São Paulo, o Sr. Joaquim. Enquanto acontecia o velório em Juara, em terras paulistas, o referido cunhado, ao acompanhar narrativas e matérias sobre o episódio, não suporta, e acaba sofrendo infarto fulminante. Duas mortes tristemente sentidas pela mesma família!

Izabel, irmã da amiga Nilza Amaral, faria 32 anos em 2018... Não conseguiu... Era mulher de garra! É uma das vítimas do sangrento ano em Mato Grosso, onde os feminicídios acontecem em grande escala, alcançando mais que o dobro em comparação ao ano anterior. O seu maior temor consistia em não acompanhar o crescimento da filha, que se comprazia no maior amor da sua vida! Pela filhinha, retornou onde estava o agressor, pois, sabia que se algo a ela acontecesse, a vontade de viver não permaneceria. Assumiu o risco... Foi assassinada sem qualquer compaixão pelo homem que com ela planejara sonhos...O que resta agora é só lembrança... Juara, a cidade que amava, prestará merecidas homenagens... Izabel, presente!

ROSANA LEITE DE BARROS é defensora pública estadual

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