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20 de Novembro de 2020, 14h:02 - A | A

OPINIÃO / EDUARDO MAHON

Intolerância Jamais!

Anular o voto é um pecado mortal a essa altura do campeonato.

Divulgação

Eduardo Mahon é advogado e escritor

Eduardo Mahon é advogado e escritor



Votei na Gisela, mesmo sendo homem. Votei em uma negra, mesmo sendo branco. Votei numa servidora pública, mesmo sendo profissional liberal. Como muitos, formei uma base que comemorava a diversidade, a tolerância, a ética e a noção de que o serviço público é essencial para a sociedade brasileira. Já vi inimigos do funcionalismo serem relegados ao ostracismo, assim como traidores, negociantes, arrogantes. Fico perplexo como muita gente séria, correta, decente ainda não aprendeu a lição.

Nunca vi uma reação negativa tão grande e tão imediata quanto observei ontem com o apoio de Gisela ao Abílio. Nada tenho contra ambos. Não vou desmerecer nenhum deles. Não é assim que se prova um ponto de vista. Cada qual segue um caminho. Há interesses partidários, cargos, contas de campanha, diversos elementos que não quero saber. Tenho para mim que um velhissimo ditado ainda está em vigor - a política adora a traição, mas odeia os traidores. A guinada de Gisela foi tão radical que se configurou traição do pior tipo - ao eleitor.

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A bandeira anticorrupção é essencial? Sim, é. Parece-me, todavia, que não se trata disso. O apoio em Abílio foi por causa de uma cena de 4 anos atrás? Acho que não. Ficou parecendo um nebuloso acordo nos bastidores, o que compromete dramaticamente a imagem da minha ex-candidata. Gisela foi mais pragmática do que esse tipo de pensamento idealista. 

No mais, não me coloco como voz útil a Emanuel Pinheiro. Longe disso! Tive oportunidade de me encontrar com ele e recomendar que não lançasse o filho e a própria candidatura. Era o mínimo que me competia dizer. A imagem do dinheiro caindo dos bolsos não seria nem esquecida, nem contornada. Disse tudo o que poderia dizer, de forma objetiva e honesta. Não voto em você - falei na cara, sem meias palavras. 

Vejo-me diante de dois problemas. Duas imagens antagônicas. Não estou confortável em votar em Emanuel Pinheiro, mesmo que eu reconheça ter sido uma gestão bem acima da média. Mas me vejo na contingência de não votar de forma alguma no que Abílio oferece: intolerância. Intolerância é um mal mais nocivo do que todos os outros. 

Caros amigos! Anular o voto é um pecado mortal a essa altura do campeonato. De fato, os cientistas políticos estão certos: o segundo turno é destinado a escolhas difíceis nas quais o eleitor escolhe o menos pior.

Eduardo Mahon é advogado e escritor

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