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23 de Dezembro de 2021, 08h:00 - A | A

OPINIÃO / BARBARA LENZA LANA

E quando o amor termina?

Por que tanta pressa em se fazer amar novamente quando o amor acaba?

Reprodução

BARBARA LENZA LANA, Advogada para Mulheres. Membro co-fundadora do Movimento Conecta21.

BARBARA LENZA LANA, Advogada para Mulheres. Membro co-fundadora do Movimento Conecta21.

BARBARA LENZA LANA



Mitos são narrativas utilizadas pelos povos gregos antigos para explicar fatos da realidade e fenômenos da natureza incompreendidos que, passadas de geração para geração, acabam por refletir nos nossos costumes.

O que há de mais incompreendido e buscado do que o amor?

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Platão esclarece que “os seres humanos foram criados originalmente com quatro braços, quatro pernas e uma cabeça com duas faces. Temendo o seu poder, Zeus dividiu-os em duas partes distintas, condenando-os a passar a vida em busca de suas outras metades." 

Pautadas (os) no entendimento de que transitamos por aí como metade de uma laranja e/ou seguimos incompletas (os), com a missão de encontrar neste nosso mundo UMA alma gêmea, nos apegamos à angústia decorrente da possibilidade de sentirmos essa mutilação, que, no nosso imaginário, só encontra a cura num grande amor.

Mas afinal, o que é o amor? – questionamos, sem nos darmos conta de que, mais importante do que entender o amor, é compreender os motivos pelos quais somos amadas (os) e por quais motivos nos permitimos amar.

Em se tratando de relacionamentos, temos perdido a mão!  Estamos na era dos aplicativos, dos corpos à mostra como grandes bifes expostos nas vitrines, da superação do término num deslize dedo. Em tempos líquidos, o medo de sofrer a dor da falta nos tem conduzido ao revezamento de paixões que culminam numa imensa bagunça dentro de nós.

Na tentativa de nos fazer amar, abafamos o riso, escondemos os nossos dentinhos tortos, camuflamos nossas belezas, que, coexistindo, terminam por, furtivamente, chamarem a atenção de um par de olhos que se torna nosso, somente nosso!   É dos encontros furtivos que se formam as lindas histórias de amor, aquele amor que cura, por meio do qual, pensamos nós, alcançamos a completude: o mundo ganha cor, a vida, sentido, o EU passa a ser um nosso NÓS. – Alcançamos a paz.

Contudo, não podemos deixar de pontuar que, em alguns casos, o NÓS apaga o EU, a laranja se parte mais uma vez, e a paz vira guerra.

Almas mutiladas. Histórias repartidas, o medo do novo, a ira da rejeição, o desejo de vingança, a dor nas mais diversas facetas.   Conflitos resultantes dos rompimentos costumam ser complexos e penosos, infelizmente.

Ninguém inicia uma história de amor com uma pessoa sabidamente inimiga, nem tampouco adentra em um lugar de pertencimento com expectativas de um dia sair dali.   Romper dói, porque, no nosso imaginário, o rompimento nos re-parte.

Que  neste fim de ano, em que colocamos nas nossas listas de decisões finais e (re)começos, possamos voltar o olhar generoso e complacente que lançamos aos outros para nós.

Há que se tirar um tempo para recordar qual a comida preferida, que tipo de música alegra a alma, qual o limite do meu eu para a garantia do bem estar?

Que possamos gozar do nosso direito ao tempo suficiente para conhecer a pessoa com quem misturar nossos corpos, dividir o nosso tempo de qualidade, nossos sonhos, nossas dores, nossas alegrias,  nossos sistemas!

Por que tanta pressa em se fazer amar novamente quando o amor acaba?

Amar é uma decisão, acompanhada de uma atitude.

Só ama quem se ama.

Desejo que nas nossas listas, estejamos nós!

BARBARA LENZA LANA, Advogada para Mulheres. Membro co-fundadora do Movimento Conecta21.

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