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12 de Dezembro de 2014, 10h:51 - A | A

OPINIÃO /

A voz que se calou!

A única certeza que temos em nossas vidas é a da morte.

Licio Antonio Malheiros



A única certeza que temos em  nossas vidas é a da morte. Nascemos e crescemos, sabendo que um dia iremos morrer, porém a aceitação da mesma é um tanto quanto difícil. O que nos fortalece é a fé em um ser superior, chamado Deus que é verdadeiro e fiel, pois ele leva em consideração: nossas ações e comportamento e, não nossos bens adquiridos, ou coisa que o valha.

Walter Rabello faleceu no final da noite da última terça-feira (9), teve um mal súbito, sendo levado às pressas ao Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, segundo os boletins médicos, a causa da morte, foi  uma hemorragia digestiva, provocada por uma úlcera.

Rabello pode ser chamado de multifacetado, tendo em vista suas múltiplas atividades desenvolvidas tendo sido: político, apresentador televisivo, jogador de futebol e finalmente cantor, quantos dons a uma pessoa só, felizmente ele as utilizou para  o bem.

No meio da comunicação de massa, o mesmo era visto como controverso; tendo em vista, não ter  papas na língua, batia de frente contra a bandidagem,  mais do que isso, era um contumaz lutador para que as leis obsoletas e ultrapassadas do nosso país fossem mudadas, pois as mesmas favorecem aos bandidos e assassinos, que sabendo das benesses das mesmas, acabam reincidindo no crime; enquanto isso, pessoas de bem vivem reclusas em suas  casas.

Vamos falar de coisas boas, na quarta-feira (10), a Escola Estadual Fenelon  Muller, fez uma campanha natalina de dar inveja a qualquer um, arrecadando alimentos não perecíveis para serem doados nos bairros periféricos de Cuiabá.

Por questão de justiça, o bairro escolhido foi o Dr. Fabio II, aonde foram encontradas famílias que vivem à beira da miséria, em casas de lonas, vivendo de uma forma sub-humana, mesmo assim, elas ainda conseguem ser solícitas e educadas com as pessoas que os visitam, não apenas pelos alimentos oferecidos, como também, pela falta de uma palavra amiga de consolo, que possa pelo menos, minimizar a dor e sofrimento vividos por elas.

Em uma das casas se é que assim podemos chamá-la, enfim, em uma delas, aconteceu um fato interessante, havia duas mulheres, uma com um bebê no colo, e outra bem debilitada, não pela idade cronológica e, sim pelo sofrimento e dificuldades enfrentadas, pela vida humilde  dela.

Essa segunda chorava copiosamente, isso me despertou curiosidade e sentimentos humanos, perguntei-lhe: por que choras tanto, ela de forma simples, respondeu “Nunca havíamos recebido  qual quer tipo de ajuda, principalmente no Natal e, choro também, pelo falecimento de Walter Rabello; eu, o assistia todos os dias no programa Cadeia Neles”.

O programa em questão é policial, porém com viés de assistencialismo social, pois estas ações deveriam ser implementadas pelo Estado, que acaba omitindo, empurrando a sujeira para baixo do tapete.  

A morte prematura de Walter Rabello: filho, pai, esposo, político, apresentador, jogador de futebol, cantor; parte desta, para uma melhor, deixando-nos um legado de luta e determinação, nos trabalhos  que se propôs a fazer, em prol dos menos favorecidos pela sorte (leiam-se), expropriados do capital.

Calou-se a voz Walter Rabello, a voz que era alegre, sorridente, e que a muitos deixavam contentes, com suas expressões às vezes duras e  ásperas, porém, pautando sempre em defender os mais fracos e carentes. A mesma voz, que desagradava à bandidagem aos malandros e oportunistas de plantão, aos corruptos e corruptores, aos ímprobos e, por ai vai.

Esta frase dita por Walter Rabello ficará eternizada na mente e nos corações das pessoas de bem deste, País “Creiam no Deus que criou o homem; e não, no Deus que o homem criou”.

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo ([email protected])

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