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Cuiabá, 13 de Junho de 2024
13 de Junho de 2024

22 de Novembro de 2022, 06h:00 - A | A

OPINIÃO / VICTOR MAIZMAN

A Pátria de chuteiras



A expressão “Pátria de chuteiras” foi cunhada pelo escritor e jornalista Nelson Rodrigues.

O regime militar surfou na onda e na força desta expressão e, para a Copa do mundo de 1970, fez uma campanha em que buscava unir o Brasil em torno da seleção de futebol.

O referido autor demonstrou como o Brasil superou o complexo de vira-lata alimentado pela derrota na copa de 1950, com as brilhantes vitórias nas Copas de 1958, 1962 e 1970.

Contrapondo tal orgulho nacional, críticas efusivas eram lançadas no sentido de que o brasileiro dava mais importância ao futebol do que a política.

Contudo, o que se percebe agora é justamente o contrário, uma vez que estamos em plena Copa do Mundo, porém diferentemente dos outros anos, a sensação que se tem é que o espírito festivo e comprometido do torcedor já não é o mesmo.

Alguns especialistas esportivos apontam que a principal razão é o fato de que a quase totalidade dos jogadores convocados para a seleção brasileira saiu muito jovem do país, inexistindo assim, uma identificação próxima do torcedor.

Pois bem, seja lá qual for a razão do ponto de vista esportivo, o certo é que hodiernamente as questões políticas estão em plena ebulição.

Ademais, seja em decorrência da ampliação dos canais de mídia, seja em razão do próprio protagonismo do Supremo Tribunal Federal, não é exagero apostar que os seus onze Ministros são mais conhecidos do que os onze jogadores titulares da seleção brasileira que jogarão esta Copa do Mundo.

Em se falando em protagonismo, também causou mais interesse à sociedade a composição da chamada “Equipe de Transição” do presidente eleito do que quem serão os atacantes titulares da seleção brasileira.

De fato, tal percepção demonstra que a sociedade brasileira está mais atenta aos movimentos políticos e sociais, principalmente em plena Copa do Mundo.

Portanto, há uma esperança que a torcida brasileira não fique apenas de olho na seleção, mas também acompanhe os movimentos e atos proferidos pelo Três Poderes da República, até porque a partir da própria discussão da Proposta de Emenda Constitucional da Transição em trâmite perante o Congresso Nacional, o aumento dos gastos públicos pretendidos poderá, por certo, fomentar também a majoração da própria carga tributária suportada por toda a sociedade.

Assim, mais importante do que a conquista do hexacampeonato é a certeza de que a sociedade estará acompanhando os movimentos políticos que venham influenciar diretamente a vida do cidadão brasileiro.

Victor Humberto Maizman é advogado e Consultor Jurídico Tributário, Professor em Direito Tributário, ex-Membro do Conselho de Contribuintes do Estado de Mato Grosso e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Receita Federal/CARF.

 

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