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08 de Dezembro de 2014, 11h:30 - A | A

OBRAS DA COPA / MORRO DESPRAIADO

Famílias denunciam falta de pagamento e se recusam a deixar área

Moradores descartaram completamente a possibilidade de deixarem o local antes do devido pagamento.

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DA REDAÇÃO



Apesar de o trânsito em uma das marginais do Viaduto do Despraiado, localizado na Avenida Miguel Sutil em Cuiabá, estar totalmente interditado há mais de dois meses, ainda não há data prevista para finalização na obra de contenção do Morro do Despraiado, e nem para a desapropriação das quatro famílias que ainda permanecem no local.

De acordo com o defensor público designado para atuar nas desapropriações, José Edir de Arruda Martins Júnior, as famílias estão para receber os valores das indenizações, que já foram depositados pelo Estado. Faltaria a expedição do alvará de liberação dos valores e resolver pendências em documentações dos moradores.

“O Estado já depositou o dinheiro para as quatro famílias que ainda ficaram no local. Fizemos um acordo com o Estado e estão dependendo dessa homologação do juiz e das documentações dos moradores para liberar o montante. Não há um prazo certo pra retirada dessas famílias. Esse é o problema”.

Sobre a possibilidade de a Polícia Militar ser acionada para retirar as famílias, já que o Estado depositou a indenização e passou a ter direito sobre os imóveis, o defensor disse que se, caso for realizado o despejo, a ação seria um “exagero” por parte do Estado.

“Essas famílias vivem no desespero de saírem e não terem pra onde ir. Todo o patrimônio da vida delas está ali. O Estado faz esse pedido da intervenção policial, mas apenas quando há necessidade. Isso é um exagero e não vai ocorrer”, declarou o defensor.

O prazo para retirada das famílias acabou em 3 de dezembro. A empresa PPO Pavimentação e Obras LTDA vai lucrar R$ 2 milhões para construção do muro de contenção, para evitar desmoronamento de terras. Dez casas já foram demolidas durante a construção do viaduto e as indenizações pagas somam R$ 2,8 milhões.

A Secopa confirmou nesta quarta-feira (3) que já efetuou o pagamento das indenizações e que iniciou a obra de contenção do muro. A empresa contratada já iniciou a montagem do canteiro de obras e a delimitação da área. Com a limitação do tráfego no local será iniciada a demolição dos imóveis, a retirada dos entulhos e o serviço de retaludamento da encosta.

O outro lado

À reportagem, os moradores Hermes Antônio Alves e Evani Zaneti afirmaram que estão na expectativa de receberem as indenizações, mas descartaram completamente a possibilidade de deixarem o local antes do devido pagamento.

Ambos negaram que haja riscos de desabamento dos imóveis, que ficam localizados na encosta do morro. Para eles, a retirada das casas vai ocorrer por questões estéticas do viaduto e para construção do muro de arrimo, que servirá para segurar a grande quantidade de terra dos 10 metros de morro.

“Não tem risco de desmoronamento, pode chover dia e noite que não tem perigo. Não tem um trincado na casa. Eu creio que querem nos tirar pela obra de contenção do morro”, disse o senhor. Evani declarou que á recebeu uma ordem de despejo na semana passada e que se negou a deixar o local, sob o argumento de que ainda não recebeu, de fato, a indenização. 

“Até agora, nada do dinheiro. Trouxeram uma ordem de despejo dizendo que a casa não era mais minha, porque vendemos para o Estado. Eu disse que não recebemos ainda. Cadê nosso dinheiro? Estamos nessa situação por culpa deles (Secopa), porque erraram tanto... Na verdade, eles querem que fique bonita a Miguel Sutil”.

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