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26 de Março de 2016, 14h:00 - A | A

JUDICIÁRIO / PROPINODUTO DA CONSIGNUM

Silval reclama de Operação Sodoma não ter chegado ao governo Maggi, apesar de delação

Ex-governador lembra que empresário delator citou corrupção no governo de Blairo e questiona por que ex-gestores não foram presos também. O peemedebista também alfineta sobre destino de R$ 1 milhão encontrado na casa de Williams

Repórter MT

"Sou colocado como chefe de quadrilha. É muito difícil!”

CELLY SILVA
DA REDAÇÃO



Inconformado o novo mandado de prisão, emitido contra ele, na terceira fase da Operação Sodoma, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), aproveitou o 'espaço' em declarações à imprensa, feitas na última quarta-feira (23), para ressaltar pontos do depoimento do Wiliams Mischur que poderiam incriminar outros gestores e, em seu entendimento, mostrar o quanto ele estaria sendo vitimado, já que é ele quem é apontado como o chefe de um sistema de cobrança de propinas a empresários que prestavam serviços ao Estado, ou eram inclusos em programas de incentivos fiscais.

“Ele falou que tinha corrupção desde o governo Blairo até hoje. E eu achei estranho porque no inquérito não vi ninguém dos outros governos”, questionou Silval.

Logo após deixar a sede da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), onde prestou depoimento sobre a nova fase da Opreação Sodoma, que o levou para a cadeia em setembro de 2015, Silval lembrou que o empresário que relatou diversas situações de repasses de propina, teria afirmado que o sistema de corrupção investigado já funcionaria desde a gestão do ex-governador Blairo Maggi, atual senador. O peemedebista reclamou que somente as pessoas do grupo ligado a ele estariam sendo alvos das operações.

“Ele falou que tinha corrupção desde o governo Blairo até hoje. E eu achei estranho porque no inquérito não vi ninguém dos outros governos”, questionou Silval.

Além do próprio Silval, 11 pessoas que participaram do governo do peemedebista estão ou foram presos em diversas operações deflagradas pelas Polícias Civil e Federal, nos últimos dois anos, por suspeita de corrupção: Eder Moraes, Elpídio Spiezzi, José de Jesus Nunes Cordeiro, Pedro Nadaf, Marcel de Cursi, Afonso Dalberto, César Zílio, Silvio Corrêa, Pedro Elias, Francisco Lima e Roseli Barbosa.

“Acharam um milhão em dinheiro vivo na casa dele (Williams), nem no inquérito está e nem perguntaram pra que era esse dinheiro. Se eu estou preso, estou fora do governo há mais de um ano e pouco, pra quem que era esse dinheiro?”, debateu o ex-governador.

Além de alfinetar as gestões que o antecedeu e sucedeu, Silval Barbosa criticou a atuação do delegado Lindomar Tófolli, que conduz as investigações da Operação Sodoma, por não referir-se ao R$ 1 milhão encontrado em espécie no apartamento de Williams Mischur no dia 11 de março, quando ele chegou a ser preso na segunda fase da Sodoma.  “Acharam um milhão em dinheiro vivo na casa dele (Williams), nem no inquérito está e nem perguntaram pra que era esse dinheiro. Se eu estou preso, estou fora do governo há mais de um ano e pouco, pra quem que era esse dinheiro?”, debateu o ex-governador.

O montante de R$ 1 milhão ao qual Silval se referiu chegou a ser apreendido pela Polícia Civil, mas foi liberado junto com o empresário, que teve a prisão preventiva revogada pela juíza Selma Rosane Santos Arruda, da 7ª Vara criminal da Capital, no dia 15 de março. De acordo com o advogado de Williams Mischur, Darlan Vargas, a licitude do dinheiro havia sido comprovada.

"Diz que esteve num domingo no meu gabinete (risos), que esteve num domingo dentro da minha casa. Na minha casa eu não costumo receber nem secretário socialmente quando era governo, vou receber empresário? Jamais!”

Silval Barbosa negou ter recebido Williams em sua casa para tratar de pagamentos de propina e ironizou ao afirmar que a Justiça tem considerado verdadeiras todas as afirmações contrária a ele, ao passo que não acreditam nas suas versões. “Então, todo mundo mente, fala que deu dinheiro pra mim se ele nem me conhece, nunca esteve comigo. Aqui tudo o que falam é verdade e tudo o que eu falo é mentira. Diz que esteve num domingo no meu gabinete (risos), que esteve num domingo dentro da minha casa. Na minha casa eu não costumo receber nem secretário socialmente quando era governo, vou receber empresário? Jamais!”, enfatizou.

O ex-governador disse que tem acompanhado de dentro do presídio as notícias sobre as investigações e se mostrou incomodado com a imagem que se formou sobre ele. “Eu participei de todo o interrogatório, nem os delatores falaram que eu tenho participação nisso. Todos foram lá, falaram de quem pegaram o dinheiro, pra onde foi e tudo e eu sou colocado como chefe de quadrilha. É muito difícil!”, desabafou.  

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João Reis 27/03/2016

Concordo plenamente...Ou prende todos ou solta todos, os governos eram interligados e as investigações e punições devem envolver ambos. Pensar que apenas um esta servindo de cristo apedrejado gera um sentimento maior de injustiça do que se todos estivessem soltos.

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1 comentários