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02 de Dezembro de 2016, 07h:40 - A | A

JUDICIÁRIO / MÁFIA DAS LICITAÇÕES

Propina 'rendeu' R$ 1,2 milhão; dinheiro ficava no banheiro do Buffet Leila Malouf

O empresário Giovanni Guizardi, delator do esquema de fraudes a licitações da Seduc, disse que ele arrecadava a propina e entregava 50% do montante no banheiro do escritório de Alan Malouf, que dividia o valor com o deputado Guilherme Maluf.

MARCIA MATOS
DA REDAÇÃO



O empreiteiro Giovani Guizardi, delator do esquema de fraudes a licitações de obras da Secretaria de Educação do Estado (Seduc),  afirmou ao Ministério Público Estadual, que ele arrecadou ao menos R$ 1,200 milhão em propina repassada por empreiteiras contratadas pela pasta. Desse montante, ele disse que entregava, a cada 10 dias, de R$ 120 a 160 mil ao empresário Alan Malouf, que dividia a quantia com o deputado Guilherme Maluf (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa.

Em declaração ao MPE, Guizardi ressaltou que os valores eram referentes a 50% da propina, arrecada pelo grupo criminoso. Segundo ele, Alan Malouf ficava com 25% e Guilherme Maluf com 25%. O dinheiro era levado por ele até o escritório do empresário. Lá ele deixava a quantia em envelope, ou caixa, dentro do banheiro de uso particular.

No termo de declaração, Guizardi conta que certa vez, quando foi fazer o “acerto” com Alan Malouf, o deputado chegou ao local e após breve conversa viu que ele foi até o banheiro, onde havia deixado o dinheiro e saiu de lá com a caixa arquivo, na qual o delator disse que havia deixado o dinheiro.

Guizardi também entregava 25% da propina para o ex-secretário de Educação, Permínio Pinto, preso desde junho pela Operação Rêmora. A parte dele era deixada por Guizardi no veículo do ex-secretário, que ficava estacionado em frente à portaria do prédio em que ele morava. Apenas por duas ou três vezes, quando o valor era maior, o delator entregou o dinheiro em mãos no apartamento de Permínio.

O ESQUEMA

A propina cobrada para que as empreiteiras participassem de obras da Seduc era de 5% sobre o valor recebido.

Além dos 75% destinados ao deputado Maluf, ao empresário Malouf e ao ex-secretário Permínio, o grupo criminoso distribuía 5% aos ex-servidores Wander Reis e Fábio Frigeri (cada).

Giovani Guizardi, que era o operador do sistema, ficava com 10% do total “arrecadado”.

Outros 5% eram usados para cobrir despesas de estrutura do “quartel general” do grupo criminoso, localizado no prédio onde funciona a Dínamo Construtora de propriedade de Guizardi

Na delação, Guizardi ainda afirma que Maluf era quem tinha o "real poder político na Seduc".

Ao Ministério Público, o delator relatou que tomou conhecimento do esquema criminoso e passou a atuar nele, em abril de 2015, por meio do empresário Alan Malouf, que é primo de sua esposa. O familiar lhe revelou que tinha o costume de financiar campanhas eleitorais para depois obter vantagens em contratos do Governo do Estado.

Guizardi disse que ficou interessado no assunto e buscou conhecer melhor o esquema por meio de informações repassadas pelo então superintendente de estrutura escolar Wander Reis. O ex-servidor explicou que o esquema cobrava das empreiteiras 3% de propina do valor que cada uma receberia pela obra contratada.

Guizardi frisou que foi ele quem propôs que o montante aumentasse para 5% e com o apoio de Alan Malouf conseguiu conquistar a confiança dos envolvidos no esquema, que passou a ter lucro maior sob sua "gestão". 

Em declaração, Guizardi relatou que desde que assumiu o controle do esquema, as empreiteiras que cediam e pagavam propina de 5% da medição da obra, tinha a garantia de recebimento das outras duas parcelas [da medição da obra]. Aquelas que não concordavam ou não cumpriram com o "compromisso" tiveram os pagamentos suspensos até que regularizassem a propina.

Guizardi, que estava preso desde o dia 3 de maio, quando foi alvo da Operação Rêmora, promovida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deixou a prisão na noite desta quarta-feira (30), após firmar o acordo de delação premiada.

SODOMA 4

No mês de setembro, o ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf declarou à Justiça, que o empresário Alan Malouf foi o operador de parte da propina recebida pela organização criminosa liderada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Segundo Nadaf, Alan Malouf usava a empresa de sua propriedade, Buffet Leila Malouf para receber os valores como receita. Ele aplicaria e remuneraria os comparsas em 1% ao mês.

 

Malouf chegou a ter o pedido de prisão preventiva requerido pelo Ministério Público Estadual (MPE) e sua empresa foi alvo de busca e apreensão.

 O OUTRO LADO

A assessoria de imprensa do parlamentar emitiu nota negando qualquer participação de Maluf em crimes de corrupção na Seduc.

O tentou contato com o deputado Guilherme Maluf, mas as ligações não foram atendidas. 

O deputado não foi encontrado em seu gabinete, na Assembleia Legislativa, na tarde desta quinta-feira (01).

NOTA DE ESCLARECIMENTO

 

Em relação às publicações nos veículos de comunicação à respeito da colaboração premiada de Giovani Belatto Guizardi, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Guilherme Maluf (PSDB), afirma que:

 
  • Não participou de nenhuma eventual irregularidade cometida na Secretaria de Educação (Seduc).

 
  • Tomará as providências cabíveis assim que a sua assessoria jurídica tiver acesso aos autos do processo e teor das denúncias.

 
  • Afirma que confia na justiça e que ficará comprovado de que não teve participação em qualquer irregularidade.

Confira a nota da defesa do empresário Alan Malouf:

Mesmo ainda não tendo acesso aos autos, é importante ressaltar que Alan Malouf nunca foi líder de nenhuma organização criminosa.

A defesa do empresário vai aguardar ter acesso aos autos para se manifestar de forma transparente, uma vez que considera absurdas as acusações.

Reiteramos, também, que Alan Malouf está à disposição das autoridades competentes para prestar as informações necessárias, acreditando, sempre, na Justiça.

 

 

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silvana 03/12/2016

Não sei quem é pior, o empresário ou o político Uma coisa eu sei. O povo é a vitima. Tanta ostentação. Roubando a dignidade de pessoas honestas e sofrida. Espero que sejam punidos com o rigor da lei. Que devolvam aos cofres públicos o luxo que não lhes cabem.

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