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No julgamento, ocorrido no dia 9 de julho, o júri entendeu que houve legítima defesa no crime, ocorrido na noite do dia 7 de julho de 2014
JOÃO RIBEIRO
DA REDAÇÃO
Ao
o promotor do Ministério Público Estadual (MPE), Natanael Moltocaro Fiúza, afirmou que entrou com um recurso na Justiça para tentar anular a sentença de ‘inocente’, proferida em favor do réu Anastácio Marafon, de 54 anos, que matou com três tiros o ex-secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Vilceu Marchetti.
No julgamento, ocorrido no dia 9 de julho, o júri entendeu que houve legítima defesa no crime, ocorrido na noite do dia 7 de julho de 2014, na fazenda Mar Azul, localizada próximo à cidade de Barão de Melgaço (200 km de Cuiabá).
Teriam 'plantado' a esposa de Anastácio no local, para futuramente ser apontada como o 'estopim' do crime que foi anunciado como de cunho passional. Já que a vítima teria caído no suposto plano e apalpado as nádegas da esposa do caseiro
Para o promotor, sabendo-se que Marchetti gostava de 'dirigir galanteios a mulheres', teriam 'plantado' a esposa de Anastácio no local, para futuramente ser apontada como o 'estopim' do crime que foi anunciado como de cunho passional. Já que a vítima teria caído no suposto plano e apalpado as nádegas da esposa do caseiro, provocando a ‘ira’ do marido. Outro ponto mal resolvido do caso seria o fato do local [do crime] não ter sido preservado.
Em juízo, Anastácio disse que após descobrir o abuso de Marchetti contra a esposa, foi surpreendido por ele em frente a seu quarto. O ex-secretário teria atirado contra ele.
Anastácio disse que após descobrir o abuso de Marchetti contra a esposa, foi surpreendido por ele em frente a seu quarto. O ex-secretário teria atirado contra ele.
Por isso, para se defender, o caseiro disse que sacou uma arma e atirou em Marchetti. Ele não soube informar quantas vezes apertou o gatilho. Sobre a arma, usada no crime, Anastácio se defendeu dizendo que estava armado porque tinha medo de encontrar animais ferozes no caminho da casa onde morava, que era distante da sede da fazenda.
A versão do caseiro é totalmente contraditória a cena do crime, já que o corpo de Marchetti foi encontrado na cama dele, usando pijama e cobertor, o que indica que ele teria sido assassinado enquando dormia.
O exame de necropsia feito pelo Instituto Médico Legal (IML) concluiu que a vítima levou um tiro de uma certa distância, o segundo à queima roupa e o terceiro teria sido de forma encostada.
Após o assasinato, Anastácio teria se escondido em uma região de mata fechada e jogado a arma em um rio que corta a propriedade rural.
A versão do caseiro é totalmente contraditória a cena do crime, já que o corpo de Marchetti foi encontrado na cama dele, com características de que foi assassinado enquanto dormia.
O MPE chegou a requerer diversas diligências da Polícia Civil para encontrar a arma, mas não foi encontrada.
HISTÓRIO POLÊMICO
Em março de 2014, Vilceu Marchetti foi condenado, pelo então juiz-federal Julier Sebastião, por atos de improbidade administrativa no processo que ficou conhecido como “escândalo dos maquinários”, em que a Justiça Federal investigava o superfaturamento na aquisição de 705 máquinas em 2009, durante o governo de Blairo Maggi (PR). Recentemente o nome do ex-secretário também foi envolvido nas investigações da Operação Ararath.
Além do escândalo dos maquinários, Marchetti foi apontado como ‘braço’ do também ex-secretário de governo Eder Moraes em supostas fraudes, que chegaram a movimentar R$ 32,7 milhões.
Nas investigações Marchetti foi apontado como ‘braço’ do também ex-secretário de governo Eder Moraes em supostas fraudes, que chegaram a movimentar R$ 32,7 milhões. A participação de Marchetti no ‘esquema’ seria na atuação junto a empreiteiras que prestavam serviço junto ao governo.
Um dos indícios da fraude é o ofício da Sinfra, endereçado ao BicBanco, apreendido pela Polícia Federal durante buscas na residência de Eder. O documento cita 27 empresas e os valores que seriam liquidados pelo Estado.
O ex-secretário que entrou na política em 1994, como prefeito de Primavera do Leste, estava fora da vida pública desde 2010, quando deixou o governo do Estado investigado por superfaturamento.
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