FRANCISCO BORGES
DA REDAÇÃO
O empresário Luiz Carlos da Silva, sócio da construtora Santa Inês, contou em depoimento ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) que o grupo supostamente comandado pelo ex-titular da Secretaria de Estado de Educação, Permínio Pinto (PSDB), tinha mais poderes que o próprio governador Pedro Taques (PSDB). Ele declarou que, abordado por Giovani Guizardi, este lhe mostrou um tablet dizendo o valor da porcentagem que seria cobrado em propina. Em seguida, disse que “lá quem manda é nós, o governador não manda lá".
Conforme a denúncia feita pelo Ministério Público Estadual (MPE), Silva disse ao Gaeco que para se fechar o negócio fraudulento de obras da Seduc, Guizardi preferia não falar o percentual, mas sim escrevê-lo. De acordo com o MPE, Guizardi procurava utilizar de algumas formas para que não houvesse possibilidade da voz dele ser gravada. Ele se limitava a determinar o percentual por meio de bilhetes ou em gestos com as mãos.
“Giovani entregou a Luiz Carlos um dispositivo digital do tipo tablet em cuja tela constava a inscrição "cinco por cento", bem como gesticulou com a mão aberta apontando o número cinco”
“Giovani entregou a Luiz Carlos um dispositivo digital do tipo tablet em cuja tela constava a inscrição 'cinco por cento', bem como gesticulou com a mão aberta apontando o número cinco”, diz trecho da denúncia.
Giovani, conforme o MPE, é apontado como sendo um dos principais articuladores do grupo liderado por Permínio. Entre suas funções, estava de receber as propinas cobradas dos empreiteiros pela organização para direcionar as obras.
Giovani e Permínio estão presos no Centro de Custódia de Cuiabá, assim como os envolvidos, Wander Luiz dos Reis e Fábio Frigeri. Eles devem responder pelos crimes de fraude em licitação, corrupção, constituição de organização criminosa e formação de cartel. Eles foram presos nas operações Rêmora e Locus Delicti.
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