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16 de Maio de 2017, 12h:20 - A | A

GERAL / ESCÂNDALO DAS ESCUTAS

Três policiais com livre acesso a 'grampos' estão na Casa Militar; veja

Eles fazem parte do Núcleo de Inteligência da Polícia Militar e foram nomeados na Casa Militar entre os meses de julho e outubro de 2016. Todos tinham acesso às interceptações telefônicas e extratos dos números junto às operadoras.

RpMT/Assessoria

A Casa Militar está localizada no Palácio Paiaguás e é responsável pela segurança do governador.

A Casa Militar está localizada no Palácio Paiaguás e é responsável pela segurança do governador.

CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO



O teve acesso aos documentos da denúncia do esquema de escutas telefônicas ilegais em Mato Grosso, que apontam o envolvimento direto de três policiais militares do Núcleo de Inteligência da Polícia Militar, que atualmente estão lotados na Casa Militar do Estado, localizada no Palácio Paiaguás e responsável pela segurança do governador Pedro Taques (PSDB).

Os documentos revelam que os cabos Gerson Luiz Ferreira Correa Junior e Clayton Dorileo Rosa de Barros e a sargento Andrea Pereira de Moura Cardoso tinham “acesso aos dados cadastrais dos telefones interceptados, interlocutores e outros que surgirem na investigação, bem como extratos dos terminais de interesse”, aponta a denúncia.

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Conforme o Diário Oficial do Estado, os três policiais citados foram nomeados na Casa Militar entre julho e outubro de 2016. O esquema de investigação clandestina teve início em outubro de 2014 e incluiu nomes de políticos, advogados, empresários, médicos e jornalistas como se tivessem envolvimento em uma investigação de tráfico internacional de drogas, um sistema que é chamado de "barriga de aluguel".

Os cabos Gerson Luiz Ferreira Correa Junior e Clayton Dorileo Rosa de Barros e a sargento Andrea Pereira de Moura Cardoso tinham "acesso aos dados cadastrais dos telefones interceptados, interlocutores e outros que surgirem na investigação, bem como extratos dos terminais de interesse", aponta a denúncia.

Ainda de acordo com a denúncia, o cabo Gerson Luiz foi o responsável pelo pedido de autorização judicial das interceptações telefônicas. Ele foi nomeado para a Casa Militar em julho de 2016 e responde pelos cargos comissionados de agente de proteção de dignitários e no Comitê Estadual de Acompanhamento de Conflitos Fundiários.

O cabo também já atuou no Grupo de Operações Especiais (Gaeco) na mesma época em que o atual secretário-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, era diretor de Inteligência e Operações.

Os três policiais, Gerson, Clayton e Andrea, são subordinados ao coronel Lesco e possuem cargos comissionados DGA-10, com salários de aproximadamente R$ 6 mil, somados os vencimentos como policiais e as comissões.

Antes das nomeações na Casa Militar, Clayton estava lotado no Comando-Geral da PM, no gabinete do comandante. Já a sargento Andrea estava na Diretoria de Gestão de Pessoas da PM, em Cuiabá.

Em outubro de 2016, o então secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, fez a denúncia das escutas ilegais ao governador Pedro Taques, que pediu a oficialização documental do esquema.

Procurado pela reportagem, o secretário de Comunicação do Estado, Kleber Lima, afirmou que o Governo desconhece a denúncia de que os policiais nomeados na Casa Militar tinham livre acesso às escutas ilegais. A reportagem também tentou contato com o coronel Evandro Lesco, mas ele não atendeu às ligações.

Em coletiva na semana passada, o governador afirmou que a denúncia oficial nunca chegou a seu conhecimento. 

Taques ainda citou que o número de protocolo feito por Mauro Zaque é referente à obras de infraestrutura para a região de Juara, argumentando que o documento pode ter sido fraudado.

O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Jorge Luiz de Magalhães, determinou na segunda-feira (15), a instauração de um Inquérito Policial Militar para apurar as denúncias de desvio de conduta, atribuídos a militares na utilização do sistema 'Guardião', por onde teriam sido monitoradas as escutas ilegais.

O comandante-geral da PM esclareceu que desconhece o uso indevido do sistema e explicou que seu emprego é legal, ocorrendo somente mediante autorização judicial, e que todos os dados que constam no sistema são plenamente auditáveis, o que facilita as investigações.

O IPM terá prazo de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20 dias.

Reprodução

decisao grampos.jpg

Cópia da decisão judicial que autorizou as escutas ilegais em Mato Grosso.

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